A poucas horas do fim do cessar-fogo, negociações entre EUA e Irã devem atrasar
Países ainda não enviaram suas delegações para conversas no Paquistão; Trump diz que trégua não será prorrogada

Ighor Nóbrega
Os governos dos Estados Unidos e do Irã se preparam para uma nova rodada de negociações para o cessar-fogo na guerra no Oriente Médio. A trégua em vigor acabará às 21h no horário de Brasília (3h30 de quarta-feira no Irã) e corre o risco de não ser estendida. As declarações recentes de Washington e Teerã dão sinais do retorno das hostilidades.
A cúpula bilateral será realizada no Paquistão, mas as delegações dos países não estão em Islamabad. A Casa Branca deve enviar hoje o vice-presidente JD Vance, mas o republicano ainda está nos EUA cumprindo agenda interna. Já o governo iraniano afirmou que não tem previsão para o envio de negociadores. O regime teocrático condicionou as conversas à presença in loco de Vance.
Mais cedo, os militares norte-americanos interceptaram um navio-tanque ligado ao Irã em águas internacionais, escalando as tensões a poucas horas do fim do cessar-fogo de duas semanas.
A abordagem ao petroleiro foi realizada sem incidentes, segundo as forças dos EUA, mas Trump disse nas redes sociais que Teerã já violou o tratado de não agressão “inúmeras vezes", sem citar exemplos.
Ainda em seu perfil no Truth Social, o presidente norte-americano declarou que um ótimo começo para as negociações seria a libertação, pelo regime dos aiatolás, de oito mulheres que estariam no corredor da morte no Irã e podem ser enforcadas.
“Aos líderes iranianos, que em breve estarão em negociações com meus representantes: eu agradeceria imensamente a libertação dessas mulheres. Tenho certeza de que elas respeitarão o seu pedido. Por favor, não lhes façam mal! Seria um ótimo começo para nossas negociações”, publicou Trump na sua rede social.
Em entrevista à emissora CNBC, o republicano cravou que o acordo de cessar-fogo não será prorrogado, mas disse estar otimista para uma solução com o país persa. Na visão do chefe do Executivo dos EUA, o diálogo no Paquistão vai culminar em um “ótimo acordo” com o novo comando iraniano.









