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1% mais rico esgota em 10 dias sua cota de emissões de carbono de 2026, diz Oxfam

Segundo a organização internacional, o cenário é ainda mais extremo no topo da pirâmide: o 0,1% mais rico consumiu esse orçamento já no dia 3 de janeiro

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Giovanna Colossi
13/01/2026, 16:06 • Atualizado em 13/01/2026, 16:06
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Exposição à poluição e ao calor extremo ao mesmo tempo aumenta em 20% o risco de morte | Pixabay

Exposição à poluição e ao calor extremo ao mesmo tempo aumenta em 20% o risco de morte | Pixabay

O 1% mais rico da população mundial esgotou, em apenas dez dias de 2026, a sua cota anual de emissões de carbono considerada compatível com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C. É o que aponta uma nova análise da Oxfam, divulgada nesta semana.

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Segundo a organização internacional, o cenário é ainda mais extremo no topo da pirâmide: o 0,1% mais rico consumiu esse orçamento já no dia 3 de janeiro.

A pesquisa, baseada em dados do Instituto Ambiental de Estocolmo, mostra que o 1% mais rico emite, em média, 75,1 toneladas de carbono por pessoa por ano, considerando informações de 2023, as mais recentes disponíveis. Isso equivale a 0,206 toneladas por pessoa por dia, o suficiente para esgotar o orçamento anual individual de 2,1 toneladas de CO₂ em apenas 10,2 dias.

A Oxfam batizou esse marco de "Dia dos Ricos Poluidores", em referência ao momento em que os mais ricos ultrapassam sua cota justa de emissões. Para a organização, o dado escancara a responsabilidade desigual desse grupo no agravamento das mudanças climáticas.

Segundo a entidade, os impactos mais severos dessas emissões recaem sobre populações que pouco contribuíram para a crise climática. Estão entre os mais afetados moradores de países de baixa renda, onde o colapso climático é mais evidente, além de povos indígenas, mulheres e meninas.

A Oxfam estima que as emissões geradas pelo 1% mais rico em apenas um ano poderão provocar 1,3 milhão de mortes relacionadas ao calor até o fim do século. Além das perdas humanas, o consumo excessivo de carbono pela elite global vem causando prejuízos econômicos expressivos. Os danos, concentrados principalmente em países de baixa e média-baixa renda, podem alcançar US$ 44 trilhões até 2050, apontou a pesquisa.

O relatório também destaca que os super-ricos não apenas emitem mais, como direcionam seus investimentos para setores altamente poluentes.

⛽ Em média, um bilionário possui um portfólio em empresas responsáveis pela emissão de 1,9 milhão de toneladas de CO₂ por ano, volume equivalente às emissões anuais de cerca de 400 mil carros movidos a gasolina. ⛽

"Tributar de forma justa os maiores poluidores, como jatos particulares e empresas de petróleo e gás, é um ponto de partida óbvio para gerar os recursos necessários para a transição rumo a um futuro mais justo e mais verde", afirmou Beth John, assessora de justiça climática da Oxfam.

De acordo com a organização, o poder econômico dos super-ricos também influencia decisões políticas. Um exemplo citado é a presença de lobistas da indústria de combustíveis fósseis na última Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas, a COP realizada em Belém.

Ao todo, foram 1.600 representantes do setor, número maior do que o de qualquer delegação nacional, com exceção apenas do país anfitrião.

Diante desse cenário, a Oxfam defende que os governos adotem medidas para reduzir drasticamente as emissões dos super-ricos e responsabilizar financeiramente os grandes poluidores. Entre as propostas estão o aumento de impostos sobre renda e patrimônio da elite econômica e o fortalecimento das negociações da Convenção das Nações Unidas sobre Cooperação Tributária Internacional, com foco em uma estrutura global mais justa.

A entidade também propõe a criação de impostos sobre lucros excessivos de empresas de combustíveis fósseis. Outra medida sugerida é a proibição ou taxação severa de itens de luxo com alta emissão de carbono, como superiates e jatos particulares.

Segundo a Oxfam, a pegada de carbono de um europeu super-rico, acumulada em quase uma semana de uso desses meios de transporte, equivale à pegada de carbono gerada ao longo de toda a vida de uma pessoa que pertence ao 1% mais pobre do mundo.

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