Justiça

TCU aponta alta de 50% em gastos com cartão corporativo no governo Bolsonaro

Relatório mostra alta concentrada em hospedagem e alimentação; tribunal considera maioria das despesas regular, mas recomenda mais transparência

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Caio Barcellos
O ex-presidente Jair Bolsonaro | Divulgação/Ton Molina/STF

O ex-presidente Jair Bolsonaro | Divulgação/Ton Molina/STF

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou um aumento real de 50,56% nos gastos da Presidência da República com o cartão corporativo entre 2019 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

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O relatório, divulgado nesta quarta-feira (29), analisou R$ 41,2 milhões em despesas e destacou que o crescimento foi puxado principalmente por despesas com hospedagem e alimentação. Em valores nominais (sem considerar a inflação), os gastos passaram de R$ 7,3 milhões em 2019 para R$ 13,5 milhões em 2022.

Entre os casos analisados está uma despesa de R$ 55,5 mil em uma padaria no Rio de Janeiro, em 26 de maio de 2019, dia seguinte ao casamento do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), realizado na mesma cidade.'

Neste caso, foram identificados "indícios de inidoneidade", pois a lista de beneficiários apresentava problemas como nomes repetidos e inclusão de pessoas que já não faziam parte das forças de segurança de Jair Bolsonaro.

O relatório também destaca para gastos elevados no período eleitoral de 2022, com "indícios de irregularidades no montante de cerca de R$ 2,5 milhões, em cidades e datas coincidentes com a agenda de campanha do ex-presidente, relacionados a itens como hospedagem e alimentação".

Parte das informações, no entanto, permanece sob sigilo, por envolver questões de segurança do presidente e de sua equipe.

Falta de irregularidades e recomendações

Apesar disso, o ministro-relator Marcos Bemquerer Costa afirmou no acórdão que houve "regularidade da maior parte das despesas". Mesmo assim, recomendou mudanças para ampliar a transparência e o controle interno.

O relatório identificou fragilidades nos sistemas de controle e recomenda maior transparência na divulgação das despesas. Também sugere o aperfeiçoamento dos mecanismos internos de fiscalização e a adoção de monitoramento contínuo dos gastos.

O TCU também destaca que adotou um novo modelo de fiscalização para o tema, com acompanhamento contínuo. De acordo com o relatório, o objetivo é "detectar e corrigir tempestivamente eventuais irregularidades no uso dos Cartões de Pagamento do Governo Federal (CPGF)".

O SBT News procurou representantes de Bolsonaro e aguarda resposta.

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