Motta e Alcolumbre são os políticos mais mal avaliados pela população, diz pesquisa AtlasIntel
Lula, Bolsonaro e Michelle lideram o ranking, mas têm rejeição acima de 50%; levantamento também mostra apoio ao fim da escala 6x1 e críticas às bets

Ighor Nóbrega
Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quinta-feira (30) mostra que os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal são os políticos com a pior avaliação da população brasileira. Hugo Motta (Republicanos-PB) é aprovado por apenas 2% dos entrevistados, enquanto Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) tem 3%.
A rejeição dos parlamentares é de 87% e 81%, respectivamente.
Ao todo, o levantamento questionou os brasileiros sobre sua visão acerca de 13 políticos e autoridades. O presidente Lula (PT), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro lideram com 45% de avaliações positivas. O trio, porém, é desaprovado pela maioria: de 51% a 53%.

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), empata tecnicamente com Lula e Bolsonaro, com aprovação de 44%. É a mesma taxa do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Flávio Bolsonaro, que disputará a Presidência da República este ano, marca 42%, um ponto percentual a menos que o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
A atual primeira-dama, Janja da Silva, é somente a 10ª mais bem avaliada, com 33%. Está à frente apenas de Motta, Alcolumbre e do pré-candidato ao Planalto Renan Santos (Missão) – ele tem 17% de avaliação positiva.
A pesquisa AtlasIntel entrevistou 5.008 pessoas de forma digital de 22 a 27 de abril. A margem de erro é de um ponto percentual e o nível de confiança é de 95%.
Escala 6x1 e bets
O levantamento também questionou os entrevistados sobre a tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) pelo fim da escala de trabalho 6x1, que teve comissão especial instalada nesta quarta-feira (29.abr).
A maioria da população apoia a proposta. São 55,7% a favor do fim da escala 6x1, enquanto 39,5% são contra e 4,8% dizem não saber.
O apoio é maior entre os jovens de 16 a 24. Neste recorte, dois terços são favoráveis à mudança. A medida também é vista com bons olhos por brasileiros com ensino superior completo e os que têm renda de R$ 3.000 a R$ 5.000 mensais.

Outro tema econômico de destaque abordado é a regulação das empresas de apostas esportivas, as famosas bets. A grande maioria da população é crítica da disseminação deste mercado: 63,2% dizem que só traz prejuízos e 23,5% acreditam que os prejuízos superam os benefícios. Apenas 0,6% enxergam benefícios.
Para 35,3% dos entrevistados, o governo Lula é o principal responsável pela disseminação das bets no Brasil. Os que culpam o governo Bolsonaro somam 26,2%. E o Congresso Nacional, 11,8%.
Na opinião dos eleitores, as empresas do setor devem pagar mais impostos e ter sua publicidade limitada. Eles também são críticos ao acesso facilitado de menores de idade às plataformas.

Sete em cada 10 entrevistados acham que o crescimento das apostas é um fator que contribui para o endividamento da sociedade, enquanto oito de 10 dizem que as apostas não podem ser usadas como complemento de renda.
Ainda sobre endividamento, um terço da população diz estar com o nome sujo.
Destaques da pesquisa
Leia outros destaques do levantamento da AtlasIntel:
- Acertos do governo Lula: entrevistados citaram a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000/mês (77%), a criação do programa Desenrola (74%), a assinatura do acordo Mercosul-UE (72%) e o fim da obrigatoriedade da auto-escola para a obtenção da CNH (61%);
- Erros do governo Lula: criação do imposto de importação para compras internacionais acima de US$ 50 (60%) e fiscalização de transações via Pix acima de R$ 5.000 mensais (55%);
- Maiores problemas do Brasil: corrupção (58,7%), criminalidade e tráfico de drogas (51,7%), economia (23,8%), mal funcionamento da justiça (17,3%) e violência contra a mulher/feminicídio (15,2%).









