Motta recorreu a emendas, Ciro Nogueira e retaliações para evitar derrota na eleição ao TCU
Deputados falam em oferta de R$ 5 milhões a R$ 40 milhões em emendas por parlamentar; presidente da Câmara e Planalto não comentam




Marcela Mattos
Ranier Bragon
Victoria Abel
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), garantiu com mais de 300 votos a aprovação do deputado Odair Cunha (PT-MG) para uma cadeira do Tribunal de Contas da União (TCU) após negociar a liberação de recursos, articular a fragmentação de candidaturas e buscar o reforço de aliados, apurou o SBT News.
De acordo com o relato de nove parlamentares que flutuam do PT ao PL, passando pelo Centrão, Motta atuou na linha de frente das negociações e disparou telefonemas inclusive para parlamentares de oposição pedindo votos no candidato petista. Aos mais próximos, confidenciou que a aprovação do nome seria vital para seu futuro político.
A indicação de Odair Cunha para o TCU fez parte do acordo firmado por Motta com o PT durante a sua eleição ao comando da Câmara, em 2025. Deputados do PL e do Centrão, porém, tinham resistência a apoiar a candidatura petista.
O trabalho de convencimento, disseram deputados, envolveu uma estratégia para a liberação de pagamentos de emendas parlamentares de comissão, cuja execução não é obrigatória e vinha sendo represada há meses, e também a negociação de verbas encaminhadas por meio do Ministério da Saúde.
Os valores variavam caso a caso - a reportagem colheu relatos de promessas de liberação de cifras entre R$ 5 milhões e R$ 40 milhões. O pagamento deve começar a acontecer nos próximos dias.
Deputados de oposição dizem que a investida acabou virando ao menos 30 votos dentro do PL. Com isso, naufragou a estratégia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em rivalizar com Odair Cunha. De última hora, o presidenciável articulou a retirada da candidatura de Soraya Santos (PL-RJ) e o apoio à campanha de Elmar Nascimento (União-BA). Elmar, porém, recebeu apenas 96 votos.
Em outra frente, Motta atuou para evitar a retirada da candidatura de Hugo Leal (PSD-RJ) em prol do apoio a um outro nome - a fragmentação de candidatos, na prática, ajudaria Cunha. Um dos líderes partidários mais próximos ao presidente da Câmara, além de um deputado do PT e outro do União Brasil, contaram que Hugo Motta ameaçou tirar do PSD o comando da Comissão Mista do Orçamento (CMO), um dos colegiados mais importantes do Congresso, caso houvesse adesão a um candidato alternativo.
O chefe da Câmara ainda bateu à porta de seu padrinho político, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), pedindo apoio dele na campanha ao candidato petista. O PP, apesar de integrar a federação com o União Brasil, acabou endossando a candidatura de Odair Cunha. “Tínhamos de cumprir o acordo feito por Hugo na eleição. Ninguém imaginava essa vitória toda. O Hugo demonstrou força e eu fiquei impressionado”, disse o presidente do Progressistas ao SBT News.
Procurados, Hugo Motta e o Palácio do Planalto não comentaram.









