Mendonça autoriza leilão de carros de luxo apreendidos em investigação sobre INSS
Maioria dos veículos pertence a Antonio Carlos Camilo Antunes e Maurício Camisotti, investigados por participarem do esquema



Camila Stucaluc
Basília Rodrigues
O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o leilão de 10 carros e motos de luxo apreendidos na Operação Sem Desconto, que apura descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão, do ministro André Mendonça, atende um pedido da Polícia Federal.
A maioria dos veículos pertence a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS, e ao empresário Maurício Camisotti — investigados por participarem do esquema. Entre os carros que estarão disponíveis para leilão, ainda sem data definida, estão Porsches 911, uma Lamborghini Urus S e uma BMW M3 Competition, que variam entre R$ 69,7 mil e R$ 2,44 milhões.
Na decisão, Mendonça justificou o leilão pelo alto custo de manutenção dos veículos, o que poderia levar à deterioração dos automóveis. O magistrado ressaltou que o leilão de bens apreendidos é uma medida cautelar que pode ser adotada durante o inquérito, com valores que podem ser usados para ressarcir a União pelos prejuízos causados pelos crimes, caso os investigados sejam condenados.
"O uso e a alienação antecipada de bens destinam-se simultaneamente a preservar o interesse dos cofres da União supostamente lesados na casa dos bilhões de reais por meio dos ilícitos em apuração, quanto resguardar o direito do investigado de preservação do valor patrimonial e econômico do bem, caso venha a ser absolvido", disse o ministro.
No parecer, Mendonça ainda autorizou que seis carros passem a ser utilizados institucionalmente pela Polícia Federal. Entre eles está uma Land Rover Velar blindada e uma BMW X1.
Entenda
Em abril de 2025, a Polícia Federal expôs um esquema de descontos indevidos por parte de entidades nos pagamentos de aposentados e pensionistas do INSS. As fraudes aconteceram entre 2019 e 2024, com prejuízo estimado de R$ 6,3 bilhões.
A revelação resultou no afastamento de cinco servidores públicos suspeitos de participarem no esquema, bem como na demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Outro que deixou o cargo foi o então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), pressionado pela oposição.
Em meio ao cenário, parlamentares abriram uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso e responsabilizar aqueles que participaram do esquema. Segundo as investigações, o crime se desenrolava em três escalões: operadores que movimentavam o dinheiro, servidores que corrompiam o sistema e políticos que indicavam e protegiam esses desvios.









