Vigilância Sanitária identifica irregularidades na clínica onde juíza morreu após procedimento na Grande SP
CVS identificou irregularidades em agulhas de aspiração usadas na unidade onde a juíza Mariana realizou procedimento de coleta de óvulos


Naiara Ribeiro
Agência SBT
O Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS) fiscalizou, na quinta-feira (7), a Clínica Invitro Reprodução Assistida, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A unidade foi a mesma onde a juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, passou por um procedimento de coleta de óvulos antes de sofrer complicações e morrer.
Segundo o CVS, durante a inspeção foram avaliadas as condições sanitárias do estabelecimento, os processos de trabalho, além dos medicamentos e insumos utilizados pela clínica.
Foram identificadas irregularidades em alguns lotes de agulhas de aspiração usadas na unidade, como ausência de rastreabilidade e falta de informações sobre fabricante, importador e registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “O CVS esclarece que foi lavrado Auto de Infração, além da interdição cautelar dos produtos mencionados”, informou o órgão em nota.
A Vigilância Sanitária informou ainda que a clínica já havia sido autuada outras três vezes antes da morte da juíza. Duas autuações ocorreram em dezembro de 2024 e uma em dezembro de 2023, todas relacionadas a diferentes irregularidades. Segundo o CVS, em todas as ocasiões foram aplicadas multas e outras penalidades.
Relembre o caso
Mariana Francisco Ferreira fazia tratamento para futura fertilização in vitro e realizou o procedimento de coleta de óvulos na segunda-feira (4). Segundo o boletim de ocorrência, após deixar a clínica, a juíza voltou para casa, mas começou a sentir fortes dores e muito frio. A mãe dela a levou novamente para a unidade por volta das 11h.
Ainda de acordo com o registro policial, Mariana apresentava hemorragia vaginal e recebeu os primeiros atendimentos na clínica, incluindo uma sutura na região vaginal. Depois do atendimento, o médico orientou que ela fosse levada para um hospital da região.
Em nota, o Hospital e Maternidade Mogi-Mater informou que Mariana deu entrada na unidade acompanhada da mãe por volta das 17h, apresentando quadro de hemorragia aguda. Segundo o hospital, ela foi atendida pela equipe do Pronto-Socorro e encaminhada imediatamente para a UTI.
Na terça-feira (5), a magistrada passou por uma cirurgia e retornou para a UTI após o procedimento. O hospital afirmou ainda que todas as medidas médicas cabíveis foram adotadas desde a admissão da paciente e que, como Mariana não havia realizado nenhum procedimento anterior no local, o médico responsável pela clínica foi acionado para acompanhar o caso, inclusive durante cirurgia realizada na terça-feira (5).
Durante a madrugada de quarta-feira (6), ela sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e morreu por volta das 5h.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que exames foram solicitados ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico Legal (IML). O caso foi registrado como morte suspeita no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes, e as investigações seguem em andamento.









