Mustang de R$ 400 mil de ex-dirigente de associação foi comprado com dinheiro desviado do INSS, diz PF
Cecília Rodrigues Mota foi presa na manhã desta terça (17) acusada de ser o cérebro por trás de parte do esquema criminoso responsável pela Farra do INSS.



Valentina Moreira
Cézar Feitoza
Anita Prado
A nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta terça-feira (17), aponta que os desvios milionários de aposentadorias do INSS renderam a compra de um Ford Mustang Mach-E GT para Cecília Rodrigues Mota, advogada e ex-presidente das associações Aapen e AAPB.
Segundo a Polícia Federal (PF), o carro de luxo, avaliado em R$ 400 mil, estava em nome do marido de Cecília, Charles Goes Freitas, e teria sido comprado como beneficiário direto do esquema de lavagem de dinheiro obtido com os desvios das aposentadorias. Além do veículo, Charles teria recebido cerca de R$ 2 milhões em transferências bancárias da esposa, entre junho de 2022 e fevereiro de 2025.
Cecília foi presa na manhã desta terça (17) acusada de ser o cérebro por trás de parte do esquema criminoso responsável pela Farra do INSS.
De acordo com documentos do inquérito, o veículo estava na garagem do casal durante a primeira fase da operação, em 23 de abril de 2025. Na ocasião, o carro não foi recolhido pelos agentes.
Assim que os policiais deixaram o imóvel, Cecília providenciou um caminhão para retirar o veículo do local e enviou fotos do embarque para o marido, visando uma "entrega discreta". Para os investigadores, a manobra demonstra uma "absoluta afronta e destemor à Justiça Pública". O relatório da PF destaca ainda que o episódio revela que a família "ainda detém gigantesco patrimônio oculto, objeto de lavagem de dinheiro de seus crimes praticados".
Quem é Cecília Rodrigues Mota
Advogada e servidora públcia aposentada, Cecília Rodrigues Mota é apontada pela Polícia Federal como uma das operaadoras do suposto esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social.
Ela é titular de uma sociedade de advocacia, apontada pela Polícia Federal como uma das articuladoras centrais da organização criminosa, “responsável por conferir aparência de legalidade às fraudes, coordenar operações financeiras ilícitas e intermediar relações com agentes públicos". Segundo a polícia, Cecília exercia funções simultâneas de coordenação operacional, intermediação institucional e gestão financeira da organização criminosa.








