Defesa de ministro do STJ acusado de assédio critica "vazamentos de informações sigilosas"
Nota divulgada nesta sexta cobra respeito às investigações e diz que magistrado apresentará provas de defesa "no momento oportuno"; Buzzi tirou licença médica


Victor Schneider
Os advogados do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), acusado de importunar sexualmente uma jovem de 18 anos, criticaram em nota nesta sexta-feira (6) o que chamaram de "tentativa de julgar e condenar uma pessoa antes mesmo do início formal de uma investigação".
"Vazamentos instantâneos de informações sigilosas sobre fatos não verificados é um truque sórdido. Tribunais, com magistrados experientes e ritos depurados ao longo de séculos, não podem ser substituídos por 'juízes' e opiniões inflamadas e quase sempre anônimas no noticiário. Não é demais pedir serenidade e respeito ao devido processo legal", diz o comunicado.
A nota é assinada pelos advogados Maria Fernanda Saad Ávila, João Costa Ribeiro Filho e João Pedro de Souza Mello, contratados para defender o ministro. A defesa diz ainda aguardar o "momento oportuno para esclarecer os fatos e apresentar suas provas".
O STJ e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriram sindicâncias nesta semana para apurar a denúncia de assédio sexual do ministro contra a jovem durante uma viagem de férias a Balneário Camboriú (SC). Outra investigação sobre o caso foi aberta no STF sob relatoria do ministro Nunes Marques.
A vítima, que não teve a identidade revelada, prestou depoimento nessa quinta (5) ao CNJ para apresentar sua versão do caso. A defesa da jovem é coordenada pelo advogado Daniel Bialski, conhecido por já ter representado o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP).
Na noite de quarta (4), após a publicação do caso pela revista Veja, Buzzi, de 68 anos, apresentou licença médica de 10 dias e foi internado no Hospital DF Star, em Brasília. O hospital informou que o ministro deu entrada com quadro com sintomas de palpitação e precordialgia (dor no peito) e não tem previsão de alta. Ele tem histórico de problemas cardíacos e fez operações recentes para colocar um marca-passo e stents no coração.
O SBT News apurou que ainda não há data certa para que Buzzi preste seu depoimento na sindicância. A expectativa é que isso ocorra após o término da licença médica, que pode ser estendida a depender do quadro de saúde do ministro.
Leia a nota:
"É inaceitável retrocesso civilizacional a tentativa de julgar e condenar uma pessoa antes mesmo do início formal de uma investigação. Vazamentos instantâneos de informações sigilosas sobre fatos não verificados é um truque sórdido. Tribunais, com magistrados experientes e ritos depurados ao longo de séculos, não podem ser substituídos por "juízes" e opiniões inflamadas e quase sempre anônimas no noticiário. Não é demais pedir serenidade e respeito ao devido processo legal. A defesa aguarda o momento oportuno para esclarecer os fatos e apresentar suas provas.
Joao Costa, João Pedro Mello e Maria Fernanda Saad, advogados do ministro Marco Buzzi."







