Justiça

Após vazamentos sobre Vorcaro, Toffoli diz que nunca teve acesso à perícia de celulares enquanto relator

Ministro compartilhou nota defendendo sua atuação no caso Master, investigação a qual renunciou em 12 de fevereiro

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O ministro Dias Toffoli em evento institucional, em outubro de 2024 | Fellipe Sampaio /STF

O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), compartilhou nesta sexta-feira (6) uma nota dizendo nunca ter tido acesso à perícia de celulares envolvendo o caso Master. Toffolil foi relator do caso até 12 de fevereiro.

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O ministro renunciou após se reunir com o colegiado do Supremo em um encontro pautado por indícios de suspeição envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. O caso foi redistribuído para André Mendonça.

"Até o dia 12 de fevereiro de 2026, o material retirado dos aparelhos celulares apreendidos não havia sido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, devendo-se salientar que a última decisão por mim proferida nestes autos, em 12 de janeiro de 2026, foi justamente para determinar que a Polícia Federal encaminhasse o material ao Supremo", diz o comunicado.

A nota de Toffoli vem na sequência de uma série de vazamentos vindos da perícia do celular de Vorcaro que mostram, entre outras coisas, que o banqueiro conversou por WhatsApp com o ministro Alexandre de Moraes no dia em que foi preso tentando fugir do país pelo aeroporto de Guarulhos, em 17 de novembro.

Os registros indicam que ambos falaram em mensagens de visualização única sobre o processo de venda do Master, banco que tinha contrato milionário com o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro. Moraes diz que os diálogos nunca existiram.

O conteúdo da perícia em um dos seis celulares de Vorcaro levou a Polícia Federal (PF) a deflagrar a terceira fase da Operação Compliance Zero na quarta-feira (4).

Vorcaro foi preso e está sendo transferido para um presídio de segurança máxima em Brasília depois que a PF encontrou indícios de que ele comandava uma milícia privada responsável por invadir sistemas da PF, do Ministério Público e até da Interpol e do FBI para coletar dados de interesse, se antecipar a investigações criminais e jornalísticas e intimidar adversários, inclusive com o uso de força.

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Na nota, Toffoli também detalha em um extenso cronograma toda a sua atuação à frente do caso, que vai desde o sorteio para a relatoria, em 28 de novembro, até a saída no último mês. O ministro afirma ter deferido "todas as medidas requeridas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República" e diz que o curso das investigações "continuaram a ser realizadas normalmente e de forma regular, sem prejuízo da apuração dos fatos".

O acordo firmado na reunião do dia 12 entre os dez ministros, incluindo Toffoli, resultou em uma nota conjunta negando haver suspeição ou qualquer impedimento contra o ministro - mas que, "considerados os altos interesses institucionais", o pleno aceitava o pedido para a redistribuição do processo, que parou nas mãos do ministro André Mendonça.

Ainda naquela madrugada, uma reportagem do site Poder360 com transcrições literais do que teria sido dito na reunião causou mal-estar interno e ampliou o clima de desconfiança com Toffoli, que negou categoricamente ter gravado e vazado as falas.

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