Justiça

"A Turma": como funcionava o grupo de WhatsApp de Vorcaro

PF aponta que conversas reuniam banqueiro, policial federal aposentado e homem com codinome de assassino para tratar de ameaças e monitoramento de opositores

Avatar de SBT News
SBT News

A terceira fase da operação Compliance Zero tem como um dos principais eixos de apuração um grupo de WhatsApp chamado "A Turma", identificado no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso nesta quarta-feira (4).

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Segundo investigações da Polícia Federal, o grupo reunia Vorcaro, seu cunhado Fabiano Zettel, um policial federal aposentado e um homem com o codinome "Sicário". O objetivo seria obter informações sigilosas e intimidar "críticos do conglomerado financeiro".

A PF sustenta que, nas conversas, eram discutidas ações contra indivíduos considerados opositores, entre eles jornalistas, ex-funcionários e outras pessoas vistas como adversárias de Vorcaro.

De acordo com a apuração, os diálogos incluíam tratativas sobre ameaças, perseguições, monitoramento e possíveis invasões de dispositivos eletrônicos.

Os integrantes do grupo

Daniel Vorcaro, segundo a PF, era o responsável por dar ordens para que fossem "praticados atos de intimidação de pessoas".

A investigação diz que o banqueiro recebia informações privilegiadas sobre investigações no grupo. Ele era ainda o responsável pelo pagamento dos integrantes do grupo.

Fabiano Zettel participava da "estrutura operacional responsável pela execução e viabilização financeira" do grupo criminoso.

Ele era o responsável por viabilizar os pagamentos, criando contratos que eram usados para justificar os repasses aos integrantes do grupo.

Mensagens encontrada pela PF sugerem que o cunhado de Vorcaro repassava R$ 1 milhão mensalmente para o grupo como "remuneração por serviços ilícitos".

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de "Sicário", era o responsável por conseguir informações sigilosas, monitorar pessoas e neutralizar situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo, segundo a PF.

A PF diz que Mourão realizava consultas e extrações de dados sigilosos de sistemas do MPF, da própria Polícia Federal, do FBI e da Interpol usando credenciais funcionais de terceiros.

"Além disso, foi identificado que o investigado participava de tratativas destinadas à obtenção de dados pessoais e institucionais de autoridades, jornalistas e outros indivíduos considerados de interesse da organização, repassando tais informações a integrantes do grupo responsável pela tomada de decisões estratégicas", diz Mendonça na decisão.

Mourão também seria o responsável pelas ações violentas da organização criminosa, de acordo com a Polícia Federal.

Marilson Roseno da Silva é policial federal aposentado. Segundo a investigação, ele era o responsável por obter clandestinamente informações sensíveis e auxiliar no monitoramento de adversários.

Ele se aproveitava dos contatos feitos na carreiras policial e de sua experiência na PF para abastecer a organização criminosa de informações sigilosas.

"A Turma" de Vorcaro, segundo a Justiça | Arte/SBT
"A Turma" de Vorcaro, segundo a Justiça | Arte/SBT

Relação com diretores do BC

A Polícia Federal também identificou outro grupo no celular de Vorcaro com dois servidores do Banco Central. Um deles era diretor do BC, e outro chefiava área de supervisão bancária.

Neste grupo, segundo a PF, Vorcaro recebia dos servidores públicos "documentos, informações e solicitações de apoio relacionadas a processos de interesse do Banco Master".

Esses elementos fundamentaram os quatro mandados de prisão preventiva e os 15 de busca e apreensão cumpridos nesta quarta-feira em Minas Gerais e São Paulo.

A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão deve se tornar pública após o cumprimento integral das ordens judiciais.

A Polícia Federal apura suspeita dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, atribuídos a uma suposta organização criminosa.

Dinheiro vivo, joias e arma: itens apreendidos pela PF na terceira fase da operação Compliance Zero | Divulgação/Polícia Federal
Dinheiro vivo, joias e arma: itens apreendidos pela PF na terceira fase da operação Compliance Zero | Divulgação/Polícia Federal

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Lula sanciona ‘Pix Pensão’; entenda como funcionará

Lula sanciona ‘Pix Pensão’; entenda como funcionará

Imagem da notícia: Governo quer manter embaixador no Brasil após falas de Milei

Governo quer manter embaixador no Brasil após falas de Milei

Imagem da notícia: Defesa de Buzzi pede adiamento de julgamento no STJ

Defesa de Buzzi pede adiamento de julgamento no STJ

Imagem da notícia: Defesa diz que Bolsonaro não autorizou vídeo feito por IA

Defesa diz que Bolsonaro não autorizou vídeo feito por IA

Imagem da notícia: Lula sanciona ‘Pix Pensão’; entenda como funcionará

Lula sanciona ‘Pix Pensão’; entenda como funcionará

Imagem da notícia: Governo quer manter embaixador no Brasil após falas de Milei

Governo quer manter embaixador no Brasil após falas de Milei

Imagem da notícia: Defesa de Buzzi pede adiamento de julgamento no STJ

Defesa de Buzzi pede adiamento de julgamento no STJ

Imagem da notícia: Defesa diz que Bolsonaro não autorizou vídeo feito por IA

Defesa diz que Bolsonaro não autorizou vídeo feito por IA

Últimas notícias

Funcionários dos EUA barrados queriam reunião com Flávio

Governo brasileiro barrou comitiva por ver risco de uso político da missão no período eleitoral, mas não descarta nova análise dos vistos após as eleições

Ventania derruba árvore e mata homem em Santos (SP)

Rajadas de até 100 km/h atingem litoral paulista, derrubam árvore e causam morte; estado segue em alerta para chuva forte, granizo e ressaca

Anac limita passagens de companhia aérea argentina

Segundo a pasta, a empresa Flybondi cancelou 79% dos voos registrados em julho e falhou no atendimento ao consumidor

Chanceler argentino descarta romper relações com o Brasil

Pablo Quirno afirmou que Argentina não levará ataques para plano institucional

Lula é multado por pedir voto para Marina e Simone

Juiz do TRE-SP aplicou multa de R$ 15 mil por fala do presidente durante evento oficial; decisão ainda cabe recurso

Fed mantém juros dos EUA pela 5ª vez consecutiva

Decisão mantém os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, enquanto investidores monitoram sinais sobre os próximos passos do BC dos EUA