"A Turma": como funcionava o grupo de WhatsApp de Vorcaro
PF aponta que conversas reuniam banqueiro, policial federal aposentado e homem com codinome de assassino para tratar de ameaças e monitoramento de opositores

SBT News
A terceira fase da operação Compliance Zero tem como um dos principais eixos de apuração um grupo de WhatsApp chamado "A Turma", identificado no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso nesta quarta-feira (4).
Segundo investigações da Polícia Federal, o grupo reunia Vorcaro, seu cunhado Fabiano Zettel, um policial federal aposentado e um homem com o codinome "Sicário". O objetivo seria obter informações sigilosas e intimidar "críticos do conglomerado financeiro".
A PF sustenta que, nas conversas, eram discutidas ações contra indivíduos considerados opositores, entre eles jornalistas, ex-funcionários e outras pessoas vistas como adversárias de Vorcaro.
De acordo com a apuração, os diálogos incluíam tratativas sobre ameaças, perseguições, monitoramento e possíveis invasões de dispositivos eletrônicos.
Os integrantes do grupo
Daniel Vorcaro, segundo a PF, era o responsável por dar ordens para que fossem "praticados atos de intimidação de pessoas".
A investigação diz que o banqueiro recebia informações privilegiadas sobre investigações no grupo. Ele era ainda o responsável pelo pagamento dos integrantes do grupo.
Fabiano Zettel participava da "estrutura operacional responsável pela execução e viabilização financeira" do grupo criminoso.
Ele era o responsável por viabilizar os pagamentos, criando contratos que eram usados para justificar os repasses aos integrantes do grupo.
Mensagens encontrada pela PF sugerem que o cunhado de Vorcaro repassava R$ 1 milhão mensalmente para o grupo como "remuneração por serviços ilícitos".
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de "Sicário", era o responsável por conseguir informações sigilosas, monitorar pessoas e neutralizar situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo, segundo a PF.
A PF diz que Mourão realizava consultas e extrações de dados sigilosos de sistemas do MPF, da própria Polícia Federal, do FBI e da Interpol usando credenciais funcionais de terceiros.
"Além disso, foi identificado que o investigado participava de tratativas destinadas à obtenção de dados pessoais e institucionais de autoridades, jornalistas e outros indivíduos considerados de interesse da organização, repassando tais informações a integrantes do grupo responsável pela tomada de decisões estratégicas", diz Mendonça na decisão.
Mourão também seria o responsável pelas ações violentas da organização criminosa, de acordo com a Polícia Federal.
Marilson Roseno da Silva é policial federal aposentado. Segundo a investigação, ele era o responsável por obter clandestinamente informações sensíveis e auxiliar no monitoramento de adversários.
Ele se aproveitava dos contatos feitos na carreiras policial e de sua experiência na PF para abastecer a organização criminosa de informações sigilosas.

Relação com diretores do BC
A Polícia Federal também identificou outro grupo no celular de Vorcaro com dois servidores do Banco Central. Um deles era diretor do BC, e outro chefiava área de supervisão bancária.
Neste grupo, segundo a PF, Vorcaro recebia dos servidores públicos "documentos, informações e solicitações de apoio relacionadas a processos de interesse do Banco Master".
Esses elementos fundamentaram os quatro mandados de prisão preventiva e os 15 de busca e apreensão cumpridos nesta quarta-feira em Minas Gerais e São Paulo.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão deve se tornar pública após o cumprimento integral das ordens judiciais.
A Polícia Federal apura suspeita dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, atribuídos a uma suposta organização criminosa.









