Voto feminino impulsiona salto de Cury nas pesquisas
Escritor foi de 2% a 13% entre mulheres e chegou a 10% no geral; avanço ocorre enquanto Flávio Bolsonaro perde espaço no segmento
André Barbeiro
Candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, em evento | Foto: Reprodução/Intagram
O crescimento de Augusto Cury (Avante) na corrida pela Presidência da República tem um componente que chama atenção: o voto feminino.
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A pesquisa RealTime Big Data divulgada na última terça-feira (1º) mostra que o escritor saltou de 1% para 10% nas intenções de voto, no cenário estimulado com Pablo Marçal (PRTB), e bateu o patamar de 11% da preferência, no levantamento sem o empresário. O desempenho o colocou isoladamente em terceiro lugar.
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O salto é ainda mais expressivo entre as mulheres. Em julho, Cury tinha 2% das intenções de voto nesse segmento. No levantamento mais recente, passou para 13%, no cenário com Marçal, e 15% quando o candidato do PRTB é retirado da lista.
Entre os homens, o crescimento também ocorreu, mas em proporção menor: Cury saiu de 0% em julho para 7% no levantamento atual.
A diferença ganha peso porque as mulheres representam 53% da amostra da pesquisa, enquanto os homens correspondem a 47%.
Considerando os percentuais de 13% entre mulheres e 7% entre homens, cerca de 6,9 pontos percentuais da intenção de voto total de Cury vêm das eleitoras, contra aproximadamente 3,3 pontos dos eleitores masculinos.
Na prática, os números indicam que cerca de dois terços, ou 68%, da intenção de voto de Cury no cenário analisado está concentrada entre mulheres.
Avanço ocorre enquanto Flávio perde votos femininos
O movimento de Cury coincide com uma queda de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre as eleitoras mulheres. O senador tinha 29% em julho e passou a 23% na pesquisa de setembro, uma perda de seis pontos percentuais.
Lula (PT), por outro lado, apresentou uma oscilação menor: passou de 44% para 42% entre as mulheres.
No eleitorado masculino, a disputa permanece mais concentrada. Flávio aparece com 35%, enquanto Lula registra 34%.
No cenário geral, Lula tem 38% das intenções de voto, contra 29% de Flávio. Cury aparece em terceiro, com 10%. Renan Santos (Missão) tem 6%, Ronaldo Caiado (PSD), 4%, Pablo Marçal, 3%, e Romeu Zema (Novo), 2%.
Sem Marçal, Cury chega a 11%, enquanto Flávio vai a 30% e Renan Santos a 7%.
Os dados, no entanto, não permitem afirmar que os votos perdidos por Flávio foram diretamente para Cury. O que a pesquisa demonstra é que os dois movimentos acontecem simultaneamente, em um eleitorado feminino que se mostrou mais móvel no período.
Cansaço da polarização
O professor de teoria política da Unesp Marco Aurélio Nogueira avalia, em entrevista ao SBT News, que o desempenho de Cury pode estar relacionado ao desgaste provocado pela polarização entre Lula e o bolsonarismo.
"Eu acho que há, sim, um fator específico que ajuda a explicar isso, é o famoso cansaço do eleitorado brasileiro com a reposição constante do mesmo tipo de polarização ou de disputa polarizada entre Lula e o bolsonarismo."
Na análise do professor, parte do eleitorado procura uma candidatura que não esteja fortemente alinhada aos dois principais polos da disputa.
Nogueira também considera significativo o desempenho do escritor entre as mulheres. Para ele, a imagem construída por Cury ao longo de sua trajetória pode ajudar a explicar a receptividade nesse segmento.
"O Augusto Cury tá fazendo nas eleições o mesmo papel que ele faz nos livros que ele escreve, ou seja, o papel do moderador, do pacificador."
O professor de história do Mackenzie e analista político Victor Missiato também relaciona o avanço de Cury à imagem de moderação apresentada pelo candidato.
Segundo ele, uma parcela do eleitorado feminino pode se identificar com uma candidatura que privilegie a ponderação e o pragmatismo diante de problemas cotidianos.
"Ter um candidato mais moderado favorece essa relação entre moderação e ponderação, no caso de diversos temas para diversas realidades."
Missiato também aponta a presença de Cury nas redes sociais como um possível fator de impulso. Segundo o analista, páginas e grupos com maior presença feminina podem estar contribuindo para ampliar a exposição do candidato.
"Existe esse espaço, esse espaço, ele está a ser preenchido desde o começo das eleições, que é um espaço de 1/4 a 1/3 do eleitorado que tem uma rejeição mútua entre Lula e Bolsonaro e que busca uma alternativa a isso."
Cury ainda precisa ampliar eleitorado
Apesar do salto, Missiato avalia que o desempenho entre as mulheres não é suficiente, por si só, para colocar Cury no segundo turno.
O candidato precisará conquistar outros segmentos e apresentar posições mais claras sobre temas considerados prioritários pelos eleitores, como segurança pública e situação fiscal.
A pesquisa mostra que segurança pública é o principal tema apontado pelos eleitores como capaz de influenciar o voto, citada por 47% dos entrevistados. Saúde aparece com 42%, seguida por inflação e custo de vida, com 38%.
Para Missiato, Cury terá de decidir como se posicionar nesses assuntos para ultrapassar o espaço tradicionalmente ocupado pela chamada terceira via.
Cury atribui crescimento a movimento espontâneo
Em entrevista ao SBT News, na segunda-feira (31), Cury atribuiu o avanço nas pesquisas a um movimento espontâneo dos eleitores após sua participação no debate realizado pela Band no dia 23.
O candidato afirmou que sua candidatura ganhou força depois que o público teve maior contato com sua personalidade e suas propostas. Também disse ter sido alvo de ataques e de fake news desde que começou a crescer nas pesquisas.
Cury afirmou que não pretende alterar sua essência para conquistar votos e defendeu a superação da polarização política.
"Eu tenho posições críticas em relação ao projeto de Lula, inclusive o Estado inchado e esse gasto excessivo que tem ocorrido, porque o dinheiro público, para mim, é sagrado", disse.
O escritor disse ainda que gostaria de enfrentar o petista em um eventual segundo turno.
A pesquisa RealTime Big Data ouviu 2 mil pessoas por telefone entre 27 e 31 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Voto feminino impulsiona salto de Cury nas pesquisasEscritor foi de 2% a 13% entre mulheres e chegou a 10% no geral; avanço ocorre enquanto Flávio Bolsonaro perde espaço no segmentoEleições2026-09-02T09:00:00.000ZO crescimento de Augusto Cury (Avante) na corrida pela Presidência da República tem um componente que chama atenção: o voto feminino. A mostra que o escritor saltou de 1% para 10% nas intenções de voto, no cenário estimulado com Pablo Marçal (PRTB), e bateu o patamar de 11% da preferência, no levantamento sem o empresário. O desempenho o colocou isoladamente em terceiro lugar. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. O salto é ainda mais expressivo entre as mulheres. Em julho, Cury tinha 2% das intenções de voto nesse segmento. No levantamento mais recente, passou para 13%, no cenário com Marçal, e 15% quando o candidato do PRTB é retirado da lista. Entre os homens, o crescimento também ocorreu, mas em proporção menor: Cury saiu de 0% em julho para 7% no levantamento atual. A diferença ganha peso porque as mulheres representam 53% da amostra da pesquisa, enquanto os homens correspondem a 47%. Considerando os percentuais de 13% entre mulheres e 7% entre homens, cerca de 6,9 pontos percentuais da intenção de voto total de Cury vêm das eleitoras, contra aproximadamente 3,3 pontos dos eleitores masculinos. Na prática, os números indicam que cerca de dois terços, ou 68%, da intenção de voto de Cury no cenário analisado está concentrada entre mulheres. Avanço ocorre enquanto Flávio perde votos femininos O movimento de Cury coincide com uma queda de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre as eleitoras mulheres. O senador tinha 29% em julho e passou a 23% na pesquisa de setembro, uma perda de seis pontos percentuais. Lula (PT), por outro lado, apresentou uma oscilação menor: passou de 44% para 42% entre as mulheres. No eleitorado masculino, a disputa permanece mais concentrada. Flávio aparece com 35%, enquanto Lula registra 34%. No cenário geral, Lula tem 38% das intenções de voto, contra 29% de Flávio. Cury aparece em terceiro, com 10%. Renan Santos (Missão) tem 6%, Ronaldo Caiado (PSD), 4%, Pablo Marçal, 3%, e Romeu Zema (Novo), 2%. Sem Marçal, Cury chega a 11%, enquanto Flávio vai a 30% e Renan Santos a 7%. Os dados, no entanto, não permitem afirmar que os votos perdidos por Flávio foram diretamente para Cury. O que a pesquisa demonstra é que os dois movimentos acontecem simultaneamente, em um eleitorado feminino que se mostrou mais móvel no período. Cansaço da polarização O professor de teoria política da Unesp Marco Aurélio Nogueira avalia, em entrevista ao SBT News, que o desempenho de Cury pode estar relacionado ao desgaste provocado pela polarização entre Lula e o bolsonarismo. "Eu acho que há, sim, um fator específico que ajuda a explicar isso, é o famoso cansaço do eleitorado brasileiro com a reposição constante do mesmo tipo de polarização ou de disputa polarizada entre Lula e o bolsonarismo." Na análise do professor, parte do eleitorado procura uma candidatura que não esteja fortemente alinhada aos dois principais polos da disputa. Nogueira também considera significativo o desempenho do escritor entre as mulheres. Para ele, a imagem construída por Cury ao longo de sua trajetória pode ajudar a explicar a receptividade nesse segmento. "O Augusto Cury tá fazendo nas eleições o mesmo papel que ele faz nos livros que ele escreve, ou seja, o papel do moderador, do pacificador." O professor de história do Mackenzie e analista político Victor Missiato também relaciona o avanço de Cury à imagem de moderação apresentada pelo candidato. Segundo ele, uma parcela do eleitorado feminino pode se identificar com uma candidatura que privilegie a ponderação e o pragmatismo diante de problemas cotidianos. "Ter um candidato mais moderado favorece essa relação entre moderação e ponderação, no caso de diversos temas para diversas realidades." Missiato também aponta a presença de Cury nas redes sociais como um possível fator de impulso. Segundo o analista, páginas e grupos com maior presença feminina podem estar contribuindo para ampliar a exposição do candidato. "Existe esse espaço, esse espaço, ele está a ser preenchido desde o começo das eleições, que é um espaço de 1/4 a 1/3 do eleitorado que tem uma rejeição mútua entre Lula e Bolsonaro e que busca uma alternativa a isso." Cury ainda precisa ampliar eleitorado Apesar do salto, Missiato avalia que o desempenho entre as mulheres não é suficiente, por si só, para colocar Cury no segundo turno. O candidato precisará conquistar outros segmentos e apresentar posições mais claras sobre temas considerados prioritários pelos eleitores, como segurança pública e situação fiscal. A pesquisa mostra que segurança pública é o principal tema apontado pelos eleitores como capaz de influenciar o voto, citada por 47% dos entrevistados. Saúde aparece com 42%, seguida por inflação e custo de vida, com 38%. Para Missiato, Cury terá de decidir como se posicionar nesses assuntos para ultrapassar o espaço tradicionalmente ocupado pela chamada terceira via. Cury atribui crescimento a movimento espontâneo Em entrevista ao SBT News, na segunda-feira (31), Cury atribuiu o avanço nas pesquisas a um movimento espontâneo dos eleitores após sua participação no debate realizado pela Band no dia 23. O candidato afirmou que sua candidatura ganhou força depois que o público teve maior contato com sua personalidade e suas propostas. Também disse ter sido alvo de ataques e de fake news desde que começou a crescer nas pesquisas. Cury afirmou que não pretende alterar sua essência para conquistar votos e defendeu a superação da polarização política. "Eu tenho posições críticas em relação ao projeto de Lula, inclusive o Estado inchado e esse gasto excessivo que tem ocorrido, porque o dinheiro público, para mim, é sagrado", disse. O escritor disse ainda que gostaria de enfrentar o petista em um eventual segundo turno. A pesquisa RealTime Big Data ouviu 2 mil pessoas por telefone entre 27 e 31 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/eleicoes/voto-feminino-impulsiona-salto-de-cury-nas-pesquisas