Veja propostas dos presidenciáveis no combate à desigualdade
SBT News detalha, em nova série, os programas de governo dos principais candidatos à Presidência
Sofia Pilagallo
Candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026 | Fotos: Ricardo Stuckert/PR; Agência Senado; Bianca Kida/Governo de Goiás; Romerito Pontes; Paulo Guereta/Governo de SP; Lima Andruška/Wikimedia Commons
Um em cada três brasileiros aponta a pobreza e a desigualdade social como uma das principais preocupações do país. É o que mostra a edição de julho da pesquisa mensal What Worries the World, da Ipsos. O tema foi citado por 33% dos entrevistados no Brasil e aparece como a quarta maior preocupação da população, atrás de crime e violência, corrupção e saúde.
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Diante desse cenário, os candidatos à Presidência apresentam caminhos distintos para enfrentar o problema. As propostas vão da manutenção de políticas já existentes a mudanças profundas no modelo de proteção social, passando por medidas de habitação, geração de renda, qualificação profissional e empreendedorismo.
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Lula (PT)
Proteção social e transferência de renda: o plano prevê manter, aperfeiçoar e ampliar as políticas de proteção social e transferência de renda, como o Bolsa Família, além de fortalecer o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), com mais recursos e expansão e modernização da rede de atendimento.
Salário mínimo e emprego: Lula propõe dar continuidade à política de valorização real do salário mínimo, com ganhos acima da inflação, além de ampliar a qualificação profissional e vincular incentivos e políticas públicas à geração de empregos de qualidade.
Justiça tributária: o programa prevê avançar na justiça tributária e combater privilégios e distorções do sistema. O texto destaca como medida já adotada a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.
Leia a íntegra da proposta de Lula para combater a pobreza e a desigualdade
Flávio Bolsonaro (PL)
Programas sociais e qualificação: Flávio Bolsonaro pretende manter os programas sociais existentes e dar prioridade aos beneficiários em iniciativas de primeiro emprego, qualificação profissional e intermediação de mão de obra. O plano também prevê o retorno imediato e sem fila ao benefício após o seguro-desemprego, desde que a pessoa continue atendendo aos critérios de elegibilidade.
Emprego e empreendedorismo: o programa propõe um contrato com menor custo na folha para jovens de 18 a 24 anos em busca do primeiro emprego e um modelo de contratação mais atrativo para pessoas com 50 anos ou mais desempregadas há pelo menos 12 meses. Também prevê o Minha Primeira Empresa, com menos burocracia para abertura e formalização do negócio, capacitação pelo Sistema S e acesso a crédito e serviços da Caixa.
Custo de vida: o programa prevê medidas para reduzir os custos de energia e combustíveis e baratear os alimentos por meio de investimentos em logística e armazenamento. A Tarifa Social de energia para famílias de baixa renda seria preservada.
Leia a íntegra da proposta de Flávio para combater a pobreza e a desigualdade
Ronaldo Caiado (PSD)
Transferência de renda: Caiado defende a manutenção dos programas existentes, acompanhada de uma transição gradual para beneficiários que ingressem no mercado formal ou aumentem a renda. A proposta combina a redução progressiva do benefício com qualificação profissional, acesso a creche e intermediação de mão de obra.
Qualificação e emprego: o candidato apresenta o Plano Nacional de Emancipação Social, que reuniria ações de alfabetização, conclusão escolar, formação técnica, aprendizagem, emprego e empreendedorismo. Parcerias com empresas e o Sistema S seriam remuneradas de acordo com a conclusão das trilhas e a inserção sustentada dos participantes no mercado de trabalho.
Combate à fome: o plano prevê fortalecer a merenda escolar, as compras da agricultura familiar, os bancos de alimentos, os restaurantes populares e as cozinhas comunitárias, além de oferecer suplementação quando necessária. As ações buscariam combater a desnutrição, a insegurança alimentar e a obesidade, com foco também na qualidade dos alimentos e na educação alimentar.
Leia a íntegra da proposta de Caiado para combater a pobreza e a desigualdade
Romeu Zema (Novo)
Programas sociais e trabalho: Zema pretende manter o Bolsa Família, mas vincular a permanência de adultos saudáveis e aptos ao trabalho à busca por emprego, estudo ou qualificação profissional. Quem recusasse sem justificativa uma oferta formal de trabalho intermediada pelo poder público poderia ter o benefício suspenso, com exceção dos responsáveis pelo cuidado de crianças pequenas, idosos ou pessoas com deficiência em situação de dependência. As famílias que aumentassem a renda e deixassem o programa receberiam um prêmio de R$ 5 mil.
População em situação de rua: o plano prevê proibir barracas e abrigos improvisados em calçadas, praças e outros espaços públicos e facilitar a remoção dessas estruturas, com encaminhamento das pessoas para abrigos e serviços de saúde e assistência social. Também propõe ampliar projetos de moradia de interesse social, especialmente por meio de aluguel social, acompanhados de atendimento individualizado e qualificação profissional.
Formação de patrimônio: por meio do programa Sócios do Brasil, Zema prevê o depósito de R$ 1 mil para cada brasileiro ao nascer, com o valor aplicado em fundos de ações e disponível para saque apenas aos 18 anos.
Leia a íntegra da proposta de Zema para combater a pobreza e a desigualdade
Augusto Cury (Avante)
Bolsa Família e geração de renda: Cury defende a manutenção e a valorização do Bolsa Família e prevê que beneficiários que consigam emprego formal ou abram uma microempresa continuem recebendo o auxílio durante um período de transição. O plano também propõe incentivos e acesso a juros mais baixos para estimular a geração de renda.
Regularização e urbanização de comunidades: o plano estabelece como meta regularizar até 5 milhões de moradias em dez anos, com o uso de tecnologias como drones, imagens de satélite e georreferenciamento. A proposta integra regularização fundiária, urbanização, capacitação e estímulo à geração de renda nas comunidades.
Empreendedorismo e acesso ao crédito: o programa prevê a criação de 10 mil Clubes de Empreendedorismo, com formação prática, troca de experiências e mentoria. Também propõe um sistema de crédito progressivo para pequenos negócios, com faixas de até R$ 2 mil, R$ 5 mil, R$ 10 mil e R$ 20 mil, e a meta de financiar pelo menos 2 milhões de pequenos empreendedores e negócios em dez anos.
Leia a íntegra da proposta de Cury para combater a pobreza e a desigualdade
Renan Santos (Missão)
Substituição do Bolsa Família por "Frentes Cidadãs": Renan Santos propõe substituir o Bolsa Família por frentes de trabalho remuneradas destinadas aos beneficiários em idade economicamente ativa. Os participantes atuariam em projetos para o bem público, e o programa buscaria estimular sua inserção no mercado formal de trabalho.
Desvinculação do BPC do salário mínimo: o plano propõe desvincular do salário mínimo os benefícios previdenciários e assistenciais, corrigindo-os apenas pela inflação. Com isso, o BPC deixaria de acompanhar automaticamente os ganhos reais concedidos ao salário mínimo.
"Desfavelização" do Brasil: Renan Santos propõe transformar as favelas em bairros formais no prazo de dez anos, com regularização fundiária, emissão de títulos de propriedade, regras urbanísticas e presença do Estado. O plano prevê financiamentos de 50 anos, com juros subsidiados e parcelas estimadas entre R$ 200 e R$ 500 mensais.
Leia a íntegra da proposta de Renan para combater a pobreza e a desigualdade
Raio-X da pobreza e desigualdade
Os indicadores de pobreza e do mercado de trabalho melhoraram nos últimos anos. Em 2025, a taxa média anual de desocupação caiu de 6,6% para 5,6%, uma redução de 1 ponto percentual em relação a 2024 e o menor patamar da série histórica do IBGE, iniciada em 2012.
Fonte: IBGE — PNAD Contínua; Síntese de Indicadores Sociais 2025; Rendimento de Todas as Fontes 2025. FAO — SOFI 2025.
A pobreza também recuou. Entre 2023 e 2024, a parcela da população abaixo da linha da pobreza caiu de 27,3% para 23,1%, redução de 4,2 pontos percentuais. No mesmo período, a extrema pobreza passou de 4,4% para 3,5%, queda de 0,9 ponto percentual. Cerca de 8,6 milhões de pessoas saíram da pobreza, e 1,9 milhão deixou a extrema pobreza. Os dois indicadores atingiram os menores níveis da série histórica.
Os programas sociais têm peso importante nesse cenário. Em uma simulação do IBGE sem os rendimentos provenientes de programas sociais, a pobreza em 2024 teria atingido 28,7% da população, em vez de 23,1%, e a extrema pobreza chegaria a 10%, ante os 3,5% observados.
Apesar desses avanços, a desigualdade de renda voltou a crescer em 2025. O índice de Gini do rendimento domiciliar per capita passou de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025, sinal de piora na distribuição de renda. Ainda assim, o indicador permaneceu abaixo do nível de 2023, quando estava em 0,517.
Análise
Embora haja consensos entre economistas liberais e progressistas no debate sobre pobreza e desigualdade, persistem divergências sobre os caminhos para enfrentar os problemas. É o que mostram as análises de André Portela, professor da FGV EESP, e Guilherme Klein, professor da UFRJ e pesquisador do Made-USP.
Portela considera o Bolsa Família bem-sucedido, mas avalia que seus mecanismos de inclusão produtiva podem ser aperfeiçoados. "A ideia é fazer com que esses programas de proteção social estimulem a inclusão produtiva, que não punam a inclusão produtiva", afirma. Propostas de transição para o trabalho aparecem nos planos de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury.
O economista também defende transferências focalizadas e alerta para o custo fiscal da ampliação dos benefícios. Sobre o Sócios do Brasil, de Romeu Zema, que prevê o depósito de R$ 1 mil para cada brasileiro ao nascer, Portela afirma preferir políticas que concentrem recursos nas famílias mais vulneráveis.
Klein critica propostas que vinculam benefícios à aceitação de trabalho. Segundo ele, não há evidências robustas de que as transferências praticadas no Brasil reduzam significativamente a disposição para trabalhar. Medidas como as apresentadas por Zema e Renan Santos, avalia, podem levar trabalhadores a aceitar salários menores ou condições precárias.
Para Klein, a redução da pobreza depende da combinação entre transferências diretas, valorização do salário mínimo e crescimento com geração de empregos. Já o combate à desigualdade exige enfrentar a concentração de renda no topo. "A única coisa que de fato move a desigualdade no Brasil é fazer com que os muito ricos paguem impostos condizentes com a sua condição", diz.
Lula é o candidato que mais se aproxima dessa agenda ao defender maior progressividade tributária, mas, segundo Klein, nenhuma candidatura apresenta uma reforma suficiente para alterar a concentração de renda. Portela também defende a justiça tributária, mas enfatiza a responsabilidade fiscal e a expansão da economia. "Você tem crescimento com redução de desigualdade e pobreza. Essa é a chave", avalia.
Veja propostas dos presidenciáveis no combate à desigualdadeSBT News detalha, em nova série, os programas de governo dos principais candidatos à PresidênciaEleições2026-09-02T09:00:00.000ZUm em cada três brasileiros aponta a pobreza e a desigualdade social como uma das principais preocupações do país. É o que mostra a edição de julho da pesquisa mensal What Worries the World, da Ipsos. O tema foi citado por 33% dos entrevistados no Brasil e aparece como a quarta maior preocupação da população, atrás de crime e violência, corrupção e saúde. Diante desse cenário, os candidatos à Presidência apresentam caminhos distintos para enfrentar o problema. As propostas vão da manutenção de políticas já existentes a mudanças profundas no modelo de proteção social, passando por medidas de habitação, geração de renda, qualificação profissional e empreendedorismo. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Lula (PT) Proteção social e transferência de renda: o plano prevê manter, aperfeiçoar e ampliar as políticas de proteção social e transferência de renda, como o Bolsa Família, além de fortalecer o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), com mais recursos e expansão e modernização da rede de atendimento. Salário mínimo e emprego: Lula propõe dar continuidade à política de valorização real do salário mínimo, com ganhos acima da inflação, além de ampliar a qualificação profissional e vincular incentivos e políticas públicas à geração de empregos de qualidade. Justiça tributária: o programa prevê avançar na justiça tributária e combater privilégios e distorções do sistema. O texto destaca como medida já adotada a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Leia a íntegra da proposta de Lula para combater a pobreza e a desigualdade Flávio Bolsonaro (PL) Programas sociais e qualificação: Flávio Bolsonaro pretende manter os programas sociais existentes e dar prioridade aos beneficiários em iniciativas de primeiro emprego, qualificação profissional e intermediação de mão de obra. O plano também prevê o retorno imediato e sem fila ao benefício após o seguro-desemprego, desde que a pessoa continue atendendo aos critérios de elegibilidade. Emprego e empreendedorismo: o programa propõe um contrato com menor custo na folha para jovens de 18 a 24 anos em busca do primeiro emprego e um modelo de contratação mais atrativo para pessoas com 50 anos ou mais desempregadas há pelo menos 12 meses. Também prevê o Minha Primeira Empresa, com menos burocracia para abertura e formalização do negócio, capacitação pelo Sistema S e acesso a crédito e serviços da Caixa. Custo de vida: o programa prevê medidas para reduzir os custos de energia e combustíveis e baratear os alimentos por meio de investimentos em logística e armazenamento. A Tarifa Social de energia para famílias de baixa renda seria preservada. Leia a íntegra da proposta de Flávio para combater a pobreza e a desigualdade Ronaldo Caiado (PSD) Transferência de renda: Caiado defende a manutenção dos programas existentes, acompanhada de uma transição gradual para beneficiários que ingressem no mercado formal ou aumentem a renda. A proposta combina a redução progressiva do benefício com qualificação profissional, acesso a creche e intermediação de mão de obra. Qualificação e emprego: o candidato apresenta o Plano Nacional de Emancipação Social, que reuniria ações de alfabetização, conclusão escolar, formação técnica, aprendizagem, emprego e empreendedorismo. Parcerias com empresas e o Sistema S seriam remuneradas de acordo com a conclusão das trilhas e a inserção sustentada dos participantes no mercado de trabalho. Combate à fome: o plano prevê fortalecer a merenda escolar, as compras da agricultura familiar, os bancos de alimentos, os restaurantes populares e as cozinhas comunitárias, além de oferecer suplementação quando necessária. As ações buscariam combater a desnutrição, a insegurança alimentar e a obesidade, com foco também na qualidade dos alimentos e na educação alimentar. Leia a íntegra da proposta de Caiado para combater a pobreza e a desigualdade Romeu Zema (Novo) Programas sociais e trabalho: Zema pretende manter o Bolsa Família, mas vincular a permanência de adultos saudáveis e aptos ao trabalho à busca por emprego, estudo ou qualificação profissional. Quem recusasse sem justificativa uma oferta formal de trabalho intermediada pelo poder público poderia ter o benefício suspenso, com exceção dos responsáveis pelo cuidado de crianças pequenas, idosos ou pessoas com deficiência em situação de dependência. As famílias que aumentassem a renda e deixassem o programa receberiam um prêmio de R$ 5 mil. População em situação de rua: o plano prevê proibir barracas e abrigos improvisados em calçadas, praças e outros espaços públicos e facilitar a remoção dessas estruturas, com encaminhamento das pessoas para abrigos e serviços de saúde e assistência social. Também propõe ampliar projetos de moradia de interesse social, especialmente por meio de aluguel social, acompanhados de atendimento individualizado e qualificação profissional. Formação de patrimônio: por meio do programa Sócios do Brasil, Zema prevê o depósito de R$ 1 mil para cada brasileiro ao nascer, com o valor aplicado em fundos de ações e disponível para saque apenas aos 18 anos. Leia a íntegra da proposta de Zema para combater a pobreza e a desigualdade Augusto Cury (Avante) Bolsa Família e geração de renda: Cury defende a manutenção e a valorização do Bolsa Família e prevê que beneficiários que consigam emprego formal ou abram uma microempresa continuem recebendo o auxílio durante um período de transição. O plano também propõe incentivos e acesso a juros mais baixos para estimular a geração de renda. Regularização e urbanização de comunidades: o plano estabelece como meta regularizar até 5 milhões de moradias em dez anos, com o uso de tecnologias como drones, imagens de satélite e georreferenciamento. A proposta integra regularização fundiária, urbanização, capacitação e estímulo à geração de renda nas comunidades. Empreendedorismo e acesso ao crédito: o programa prevê a criação de 10 mil Clubes de Empreendedorismo, com formação prática, troca de experiências e mentoria. Também propõe um sistema de crédito progressivo para pequenos negócios, com faixas de até R$ 2 mil, R$ 5 mil, R$ 10 mil e R$ 20 mil, e a meta de financiar pelo menos 2 milhões de pequenos empreendedores e negócios em dez anos. Leia a íntegra da proposta de Cury para combater a pobreza e a desigualdade Renan Santos (Missão) Substituição do Bolsa Família por "Frentes Cidadãs": Renan Santos propõe substituir o Bolsa Família por frentes de trabalho remuneradas destinadas aos beneficiários em idade economicamente ativa. Os participantes atuariam em projetos para o bem público, e o programa buscaria estimular sua inserção no mercado formal de trabalho. Desvinculação do BPC do salário mínimo: o plano propõe desvincular do salário mínimo os benefícios previdenciários e assistenciais, corrigindo-os apenas pela inflação. Com isso, o BPC deixaria de acompanhar automaticamente os ganhos reais concedidos ao salário mínimo. "Desfavelização" do Brasil: Renan Santos propõe transformar as favelas em bairros formais no prazo de dez anos, com regularização fundiária, emissão de títulos de propriedade, regras urbanísticas e presença do Estado. O plano prevê financiamentos de 50 anos, com juros subsidiados e parcelas estimadas entre R$ 200 e R$ 500 mensais. Leia a íntegra da proposta de Renan para combater a pobreza e a desigualdade Raio-X da pobreza e desigualdade Os indicadores de pobreza e do mercado de trabalho melhoraram nos últimos anos. Em 2025, a taxa média anual de desocupação caiu de 6,6% para 5,6%, uma redução de 1 ponto percentual em relação a 2024 e o menor patamar da série histórica do IBGE, iniciada em 2012. A pobreza também recuou. Entre 2023 e 2024, a parcela da população abaixo da linha da pobreza caiu de 27,3% para 23,1%, redução de 4,2 pontos percentuais. No mesmo período, a extrema pobreza passou de 4,4% para 3,5%, queda de 0,9 ponto percentual. Cerca de 8,6 milhões de pessoas saíram da pobreza, e 1,9 milhão deixou a extrema pobreza. Os dois indicadores atingiram os menores níveis da série histórica. Os programas sociais têm peso importante nesse cenário. Em uma simulação do IBGE sem os rendimentos provenientes de programas sociais, a pobreza em 2024 teria atingido 28,7% da população, em vez de 23,1%, e a extrema pobreza chegaria a 10%, ante os 3,5% observados. Apesar desses avanços, a desigualdade de renda voltou a crescer em 2025. O índice de Gini do rendimento domiciliar per capita passou de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025, sinal de piora na distribuição de renda. Ainda assim, o indicador permaneceu abaixo do nível de 2023, quando estava em 0,517. Análise Embora haja consensos entre economistas liberais e progressistas no debate sobre pobreza e desigualdade, persistem divergências sobre os caminhos para enfrentar os problemas. É o que mostram as análises de André Portela, professor da FGV EESP, e Guilherme Klein, professor da UFRJ e pesquisador do Made-USP. Portela considera o Bolsa Família bem-sucedido, mas avalia que seus mecanismos de inclusão produtiva podem ser aperfeiçoados. "A ideia é fazer com que esses programas de proteção social estimulem a inclusão produtiva, que não punam a inclusão produtiva", afirma. Propostas de transição para o trabalho aparecem nos planos de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury. O economista também defende transferências focalizadas e alerta para o custo fiscal da ampliação dos benefícios. Sobre o Sócios do Brasil, de Romeu Zema, que prevê o depósito de R$ 1 mil para cada brasileiro ao nascer, Portela afirma preferir políticas que concentrem recursos nas famílias mais vulneráveis. Klein critica propostas que vinculam benefícios à aceitação de trabalho. Segundo ele, não há evidências robustas de que as transferências praticadas no Brasil reduzam significativamente a disposição para trabalhar. Medidas como as apresentadas por Zema e Renan Santos, avalia, podem levar trabalhadores a aceitar salários menores ou condições precárias. Para Klein, a redução da pobreza depende da combinação entre transferências diretas, valorização do salário mínimo e crescimento com geração de empregos. Já o combate à desigualdade exige enfrentar a concentração de renda no topo. "A única coisa que de fato move a desigualdade no Brasil é fazer com que os muito ricos paguem impostos condizentes com a sua condição", diz. Lula é o candidato que mais se aproxima dessa agenda ao defender maior progressividade tributária, mas, segundo Klein, nenhuma candidatura apresenta uma reforma suficiente para alterar a concentração de renda. Portela também defende a justiça tributária, mas enfatiza a responsabilidade fiscal e a expansão da economia. "Você tem crescimento com redução de desigualdade e pobreza. Essa é a chave", avalia.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/eleicoes/veja-propostas-dos-presidenciaveis-no-combate-a-desigualdade