Eleições

Planalto não vai reagir à fala de Trump

Governo Lula avalia que declaração sobre suposta fraude veio de pressão do Departamento de Estado e não se preocupa

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Hariane Bittencourt, Jessica Cardoso
Presidente Lula durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em outubro de 2025 | Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em outubro de 2025 | Ricardo Stuckert/PR

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou não estar preocupado com a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o resultado das eleições brasileiras pareceu “fraudado”.

Fontes no Planalto e Itamaraty avaliam que a fala não terá consequências e não exige uma reação neste momento, conforme apurou o SBT News.

Lula foi reeleito no domingo (25), com uma vantagem de aproximadamente 4,4 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro (PL), candidato apoiado pelo presidente norte-americano e pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

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Somente na tarde desta segunda (26), Trump comentou a eleição brasileira e declarou:

“Eu não governo o Brasil, eu governo os Estados Unidos. Eu só achei que as eleições... Eu gosto do Lula, me dou bem com ele. Só acho que ele teve azar com a eleição, o jeito de que foi manipulada".

O governo brasileiro não pretende se manifestar publicamente sobre o episódio, a menos que haja uma nova investida de Trump. A avaliação é de que a declaração pode ser resultado de uma pressão do Departamento de Estado norte-americano, como ocorreu em outras ocasiões, mas não deve produzir efeitos concretos.

Também na avaliação do governo, Trump costuma questionar a legitimidade de resultados eleitorais com os quais não concorda, classificando-os como fraudados. Por isso, o Planalto pretende ignorar a declaração e não dar ao presidente norte-americano a atenção que ele busca.

O governo destaca ainda que o resultado das eleições já foi reconhecido por manifestações de diversos líderes internacionais. Nesta segunda-feira (26), Lula conversou por telefone com a presidente do México.

Mais cedo, o vice-presidente Geraldo Alckmin comentou a fala de Trump em uma entrevista à Rede Vanguarda, classificando-a como equivocada.

“Olha, totalmente equivocada, né? Primeiro não se interfere na política de outro país. Essa é uma regra basilar. Segundo não tem nenhum referencial pra dizer isso. Aliás, o Brasil é um exemplo pro mundo. De urna eletrônica, de segurança jurídica. Democracia é assim. Você ganha eleição, você perde a eleição, é o povo que decide", disse Alckmin.

Apoio de chefes de Estado

No domingo (25), o presidente brasileiro recebeu cumprimentos de chefes de Estado e de governo de países como Uruguai, Paraguai, Chile, Equador, Guiana, Peru, Guatemala, República Dominicana e Bolívia.

Lula também foi parabenizado pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, pelo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, pela primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também está entre as lideranças internacionais que cumprimentaram Lula.

Há pelo menos 10 outros líderes internacionais interessados em conversar por telefone com o presidente brasileiro.

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