Tarifaço: presidente da ApexBrasil diz que EUA podem ter dificuldade para implantar medidas
Jorge Viana afirmou que o primeiro impacto será nos Estados Unidos; 'Quem paga é quem compra', disse
Soane Guerreiro
O presidente da ApexBrasil (Associação Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Jorge Viana, afirmou nesta quinta-feira (3) que o momento do Brasil é de ter cautela, pois os Estados Unidos podem ter dificuldades em implementar o tarifaço anunciado nesta semana. Disse ainda que o ônus inicial das tarifas vai recair sobre o próprio país.
"Se tiver que pagar sobretaxa, quem paga é quem está importando [...] No comércio internacional, o ônus fica para quem importa. Primeiro vai ter problema quem está importando. O problema é que o fluxo no mundo pode mudar totalmente", disse.
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A ApexBrasil promove empresas locais no mercado internacional e busca atrair investimento para o país. A agência tem mantido conversas sobre o tarifaço com representantes do Itamaraty e também do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o MDIC.
Viana afirmou que o Brasil tem trabalhado para evitar medidas mais extremas e que o momento é de cautela. Questionado se a medida poderia abrir uma janela de oportunidade, ele disse não enxergar nenhuma vantagem porque "o comércio no mundo pode piorar".
Apesar da avaliação, Viana apontou que o tarifaço pode acelerar as negociações para fechamento do acordo entre Mercosul e União Europeia.
Lei da Reciprocidade
O presidente da ApexBrasil também repercutiu a aprovação, na quarta (2), da Lei da Reciprocidade, pelo Congresso. Para Viana, ela veio para pacificar o ambiente político e mandar um sinal para os países que negociam com o Brasil.
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