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Economia

Indústria têxtil brasileira em alerta: tarifas de Trump podem inundar o país com produtos chineses

Presidente da Abit, Fernando Pimentel, adverte sobre possível "avalanche de importações" e pede medidas de defesa comercial

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Indústria têxtil brasileira é um setores que podem ser prejudicados por concorrência com produtos chineses após tarifaço de Trump | Pixabay
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A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar tarifas de importação para diversos países - mais fortemente para a China - pode ter um impacto significativo na indústria têxtil brasileira. Em uma publicação no LinkedIn, o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Valente Pimentel, fez o alerta para o risco de uma "inundação" de produtos chineses no mercado brasileiro.

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Trump anunciou sobretaxas de 34% sobre a China, enquanto o Brasil enfrentará um aumento de 10%. Outros países asiáticos, exportadores de produtos têxteis, também foram afetados pelo tarifaço de Trump, como Vietnã (46%), Cambodia (49%) e Bangladesh (37%). Pimentel teme que essa medida force a indústria asiática a redirecionar seus produtos para mercados em desenvolvimento, como o Brasil.

“Vemos que vários países fortemente exportadores de têxteis e confeccionados para os EUA ( importam cerca de US$ 100 bi por ano ) foram muito penalizados. Não sabemos ainda como enfrentarão este tsunami tarifário. Sabemos porém que dada a importância destas exportações para estas nações, elas deverão buscar outros mercados para colocar suas produções. E aqui reside um grande perigo para a indústria têxtil e de confecção do Brasil : que parte destas produções venham ainda mais fortemente para nosso mercado, afetando de forma relevante a produção nacional , seus investimentos e empregos”, postou.

Pimentel ressalta a importância de proteger a produção nacional, os investimentos e os empregos no setor.

"As medidas de legítima defesa comercial terão que ser acionadas rapidamente sob pena de sucumbirmos a uma avalanche de importações de origem asiática", complementou.

Em agosto de 2024 o Brasil fez um aceno à indústria nacional ao anunciar a alíquota de 20% de imposto para compras internacionais acima de US$ 50, que ficou conhecida como a “Taxa das blusinhas”. O principal foco da medida era estancar a enxurrada de produtos chineses, entre eles roupas, por meio de plataformas como Shopee e Shein. Agora, a ameaça da concorrência externa volta a preocupar os empresários brasileiros.

A Abit está em alerta e promete intensificar suas ações na agenda internacional para defender os interesses da indústria têxtil brasileira diante desse novo cenário mundial.

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China, EUA e economia global

Um relatório da Gavekal Dragonomics, empresa de pesquisa e consultoria focada na economia da China, divulgado nesta quinta-feira (3), afirma que as tarifas de Trump impactarão duramente a economia chinesa e também todas as relações da potência com os demais parceiros comerciais, afetando o crescimento econômico global.

"Esses impostos tirarão uma grande parte das exportações da China para a América do Norte e congelarão o crescimento de seus principais parceiros comerciais, em um golpe significativo no crescimento econômico. Este é o pior cenário comercial para a China: aumentos massivos de tarifas dos EUA, sem um caminho claro para as negociações, bem como o risco de um choque mais amplo no crescimento econômico global. Os formuladores de políticas chineses precisarão intensificar os esforços de estímulo em resposta", afirmam os analistas Thomas Gatley e Wei He.

Os analistas também avaliam que o tarifaço de Trump não vai trazer benefícios aos Estados Unidos, pelo contrário, vai empurrar o país para índices maiores de inflação, impactando negativamente a economia do país. Como argumento, o relatório da Gavekal Dragonomics cita a própria história americana, citando efeitos ruins de políticas semelhantes tomadas no passado, e que levaram a nação americana à Grande Depressão.

"A história sugere que o impacto no comércio será substancial. Os EUA impuseram taxas sobre mais de 20 mil itens em duas fases da história, em 1920-21 e 1930. A taxa média sobre produtos tarifados pelos EUA aumentou de 16% em 1920 para 38% em 1922 (uma taxa efetiva de 15% sobre todas as importações), depois para 60% em 1932 (uma taxa efetiva de 20%). Em resposta, mais de 25 países adotaram tarifas retaliatórias sobre produtos americanos. As taxas combinadas exacerbaram o colapso econômico que levou à Grande Depressão Americana, com um declínio de mais de 60% de todo comércio global ", complementam Thomas Gatley e Wei He.

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