Silveira fala em “politicagem” de Nunes ao comentar apagões em São Paulo
Ministro de Minas e Energia afirma que rede de distribuição em meio à arborização dificulta solução das quedas de energia

Caio Barcellos
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), voltou a criticar nesta quarta-feira (11) o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), ao comentar os apagões recorrentes na capital paulista e o desempenho da distribuidora Enel SP.
Segundo o ministro, parte das dificuldades enfrentadas na capital paulista está ligada à gestão urbana da cidade, especialmente em relação à arborização. “No caso específico de São Paulo [...] existe uma politicagem do prefeito de São Paulo”, declarou durante audiência na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.
Silveira disse que a configuração da rede elétrica da cidade dificulta a solução rápida para interrupções de energia. Segundo ele, a maior parte da rede de distribuição é aérea e passa por áreas com grande concentração de árvores.
“São Paulo é uma das cidades mais arborizadas do Brasil. É impossível resolver o problema de São Paulo já que não temos uma rede subterrânea, é uma rede exposta. Quem anda por São Paulo passe a observar que 80% da rede elétrica e de distribuição está no meio das árvores”, afirmou.
Ele também criticou a organização corporativa da empresa italiana responsável pela distribuição na região metropolitana de São Paulo.
“Tem uma gestão muito centralizada na Itália. Diferente das outras distribuidoras que têm uma resposta muito mais rápida aqui no Brasil”, disse Silveira ao comentar a atuação da empresa responsável pela distribuição de energia em São Paulo.
Para o ministro, a solução depende de cooperação entre a concessionária e a prefeitura.
“Não se resolverá o problema de São Paulo sem a parceria de qualquer distribuidora e a boa vontade do prefeito de São Paulo na arborização”, disse.
Disputa envolve possível perda de concessão
As declarações ocorrem em meio ao processo em análise na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre a eventual caducidade da concessão da Enel em São Paulo, que vence em 2028.
A área técnica da agência apontou desempenho “insatisfatório” da empresa na resposta à tempestade de 10 de dezembro de 2025, que deixou milhões de consumidores sem energia na região metropolitana.
A companhia contestou a avaliação e pediu o arquivamento do processo. Em manifestação enviada à reguladora, afirmou que cerca de 80% do serviço foi restabelecido em até 24 horas após o evento climático.
A diretoria da Aneel voltará a analisar o mérito do caso em 24 de março. Se houver recomendação de caducidade, a decisão final caberá ao Ministério de Minas e Energia, responsável pelo poder concedente.
A Enel SP opera em 24 municípios da região metropolitana de São Paulo e atende entre 7,5 milhões e 8,5 milhões de unidades consumidoras (como casas, apartamentos, comércios e indústrias). O serviço alcança mais de 20 milhões de pessoas na região.
Histórico de embates
Silveira tem trocado críticas públicas com autoridades paulistas desde os apagões registrados no Estado. Em setembro de 2025, o ministro rebateu declarações do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre a distribuidora e disse que críticas com “linguajar populista” não contribuem para uma solução técnica do problema.
Na ocasião, o governador havia defendido retirar a Enel do Estado após falhas no atendimento a consumidores durante eventos climáticos.
Apesar das divergências, Silveira, Tarcísio e Ricardo Nunes chegaram a anunciar, em dezembro de 2025, a abertura de um processo para avaliar a caducidade da concessão da empresa após um apagão que afetou mais de 2 milhões de imóveis na região metropolitana.








