"Não faremos caça às bruxas", diz Randolfe após derrota de Messias
Líder do governo minimiza rejeição inédita de Jorge Messias e critica oposição por tentativa de derrubar veto de Lula ao PL da Dosimetria


Vicklin Moraes
O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, negou nesta quinta-feira (30) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteja promovendo uma "caça às bruxas" após a derrota histórica sofrida na noite de quarta-feira (29), quando o Senado rejeitou, pela primeira vez em 132 anos, uma indicação presidencial ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O indicado, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, recebeu apenas 34 dos 41 votos necessários no plenário.
"A gente não vai fazer do resultado de ontem, de qualquer resultado, uma caça às bruxas. Assim não se faz política, assim não se constrói democracia. A atribuição de fazer indicação de ministro do Supremo Tribunal Federal cabe ao presidente da República, e a de aprovar e sabatinar cabe, da mesma forma, ao Senado. Não é de bom tom fazer caça às bruxas, procurar se houve traição. Isso não faz parte do jogo democrático", afirmou.
Para Randolfe, o presidente deve indicar um novo nome para a vaga no STF aberta com a saída de Luís Roberto Barroso. Sobre o áudio vazado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que antecipou o placar ao afirmar "ele vai perder por oito" antes da divulgação oficial, o senador minimizou o episódio.
"Eventual vazamento de áudio não tem nada de pecaminoso. Houve uma pergunta naquele momento do líder do governo no Senado e houve um palpite emitido pelo presidente do Senado. As pontes e o diálogo do governo com o presidente do Congresso nunca deixarão de existir", disse.
Ao comentar a derrota, Randolfe afirmou que o governo aceita o resultado e rejeitou qualquer reação de confronto institucional.
"O presidente Lula já governou esse país duas vezes; essa é a terceira vez que governa. Ele sempre teve vitórias e derrotas no Congresso Nacional. Nunca ficou fazendo 'beicinho' depois de derrota. A gente celebra as vitórias e aceita as derrotas. A gente não resolve as derrotas com ódio. Não é do time de cá tentar golpe de Estado depois que perde uma votação."
Questionado sobre declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teria tratado a possível derrubada de veto ao projeto como "presente" de aniversário, o líder do governo respondeu com críticas.
"Eu acho que ele tem que se preocupar com outras coisas. Ele tem que se preocupar com o caso 'Master', com problemas como o da rachadinha e tem que se preocupar se ele é candidato à Presidência e se vai ganhar a eleição", disse o líder do governo.









