O que explica o sucesso das figurinhas da Copa?
Segundo psicóloga, tradição e convivência ajudam a explicar o sucesso da coleção a cada Mundial


Troca de figurinhas | Reprodução Marcello Casal Jr./Agência Brasil
A cada Copa do Mundo, uma cena conhecida volta a se repetir. Crianças, pais, avós, amigos e colegas de trabalho se encontram para abrir pacotinhos, procurar figurinhas que faltam e negociar as repetidas. Em um cotidiano cada vez mais conectado pelas telas, o álbum da Copa segue reunindo pessoas de diferentes idades.
O interesse pela coleção não está apenas nos jogadores ou nos resultados da competição. Para muita gente, a graça está na busca pelas figurinhas que faltam e nos encontros organizados para completar o álbum.
Ao SBT News, a psicóloga e neuropsicóloga Thaís Barbisan diz que parte desse sucesso está ligada à capacidade que o álbum tem de atravessar gerações.
"O álbum faz parte de uma tradição cultural que atravessa gerações. Muitas pessoas lembram de colecionar figurinhas na infância e acabam revivendo essa experiência ou compartilhando-a com os filhos. Além disso, existe um componente emocional muito importante. O álbum está associado a momentos de expectativa, pertencimento e identificação com a Copa do Mundo, que é um evento capaz de mobilizar milhões de pessoas ao redor do mundo", explica.
Poucas atividades conseguem reunir crianças, adultos e idosos em torno do mesmo interesse. Segundo Thaís, cada geração encontra um motivo diferente para participar da coleção:
"Para as crianças, existe a diversão da coleção, a curiosidade e o desafio de completar o álbum. Para os adultos, muitas vezes há um componente de nostalgia, que remete às experiências vividas na infância. Já para os idosos, pode representar a continuidade de uma tradição e uma forma de compartilhar histórias e memórias. Além disso, o álbum cria uma linguagem comum entre diferentes gerações."
As trocas de figurinhas também fazem parte do sucesso da coleção. Para completar o álbum, é preciso procurar quem tenha a figurinha que falta, negociar e participar dos encontros organizados por colecionadores. Esses momentos acabam criando oportunidades de convivência que vão além da própria coleção. Pessoas que muitas vezes não se conhecem passam a conversar, trocar experiências e compartilhar o interesse pela Copa do Mundo.
"O álbum também costuma deixar lembranças que permanecem por muitos anos. Tendemos a nos lembrar mais daquilo que tem significado emocional e que é compartilhado com outras pessoas. Completar um álbum não é apenas acumular figurinhas, é viver uma experiência, encontrar pessoas, fazer trocas, celebrar conquistas e criar histórias ao longo do processo. Além disso, o álbum pode ser guardado por muitos anos e funciona como um registro de uma fase da vida, despertando lembranças e emoções sempre que é revisitado", afirma a psicóloga.
Para ela, além disso, o interesse pelo álbum mostra que a convivência presencial continua tendo espaço, mesmo em uma rotina cada vez mais digital.
"Esse fenômeno mostra que, apesar do avanço da tecnologia e das interações digitais, a necessidade humana de convivência, pertencimento e conexão continua muito presente. Mesmo em um mundo cada vez mais conectado virtualmente, continuamos precisando de experiências concretas, presenciais e compartilhadas para fortalecer nossos vínculos e construir memórias significativas."
Buscas aumentam
O interesse pelo álbum de figurinhas da Copa do Mundo pode ser percebido pelo aumento nas buscas no Google. As pesquisas pelo item têm registrado crescimento desde o final de maio, na comparação com os últimos 12 meses. Os dados são do Google Trends, ferramenta que exibe os termos mais populares no buscador.
















