Busca por remédios controlados sem receita cresce no Brasil
Levantamento do Olá Doutor aponta alta procura por Mounjaro, Ozempic, Sertralina, Ritalina e Venvanse; especialista faz alerta


Buscas por remédios controlados sem receita cresce no Brasil | Freepick
A prática de automedicação ganhou novos protagonistas em 2026. Impulsionados pelo boom das discussões sobre saúde mental e a popularização das canetas emagrecedoras, medicamentos como Mounjaro e Sertralina estão entre os mais buscados na internet por quem tenta adquiri-los sem prescrição, segundo pesquisa do Olá Doutor.
No geral, medicamentos com efeito de perda de peso são uma das categorias de maior interesse quando o assunto são as buscas por remédios sem prescrição. A sibutramina (indicada para auxiliar no tratamento da obesidade) lidera o ranking, representando, sozinha, quase 27% de todo o volume registrado entre os dez medicamentos analisados.
Na lista, também aparecem o Mounjaro e Ozempic — que, juntos do líder do pódio, somaram quase 220 mil buscas totais nos últimos 12 meses.
É um movimento que vai muito além da procura por fármacos específicos. Termos genéricos, como “remédio para emagrecer sem receita” e “inibidor de apetite sem receita”, também registraram alto volume de interesse, com 82 mil e 29 mil pesquisas, respectivamente.
Para Anderson Zilli, CEO do Olá Doutor, o alto volume das buscas online destaca como tal demanda passou a integrar a rotina de quem busca resultados estéticos e de performance sem avaliação profissional. “Sibutramina, Ozempic e testosterona sintética são substâncias com indicações precisas e efeitos que exigem monitoramento contínuo”, alerta. “O caminho mais seguro é sempre procurar um profissional de saúde, que avaliará a necessidade do tratamento e possíveis efeitos adversos”.
Da ansiedade ao TDAH
A saúde mental aparece logo em seguida como uma das principais frentes de interesse entre os brasileiros que procuram medicamentos sem prescrição na internet. As buscas por Sertralina, Ritalina e Venvanse sem receita — cujos usos vão do tratamento da ansiedade e depressão ao manejo do TDAH — somaram quase 86 mil buscas nos últimos 12 meses, o equivalente a 22,8% de todo o volume analisado.
Para Anderson, embora não seja possível determinar as motivações por trás das buscas, os números também podem refletir, em parte, os desafios enfrentados pela população para acessar consultas, diagnósticos e acompanhamento especializado no Brasil.
Na sua avaliação, a internet tem se consolidado como a principal fonte de informação para muitas pessoas que buscam entender sintomas e possibilidades de cuidado, especialmente quando o acesso ao atendimento profissional não ocorre de forma imediata.
"Quem busca por medicamentos controlados sem receita está, muitas vezes, tentando resolver um problema de saúde da forma mais rápida que conhece”, comenta. “O que precisa mudar é a percepção de que se consultar com um médico é algo distante ou burocrático. A telemedicina mudou isso: hoje, o acesso a um profissional real, com capacidade de prescrever e acompanhar, está tão próximo quanto uma busca no Google."















