Economia

PLP dos combustíveis prevê incentivos e trava de gastos

Texto aprovado pela Câmara inclui incentivos para etanol, fertilizantes, minerais críticos e Copa Feminina de 2027

Avatar de Jessica Cardoso
Avatar de Caio Barcellos
Jessica Cardoso, Caio Barcellos
Deputada federal acusa marido de agressões físicas e psicológicas | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Deputada federal acusa marido de agressões físicas e psicológicas | Foto: Reprodução/Redes Sociais

O projeto de lei complementar (PLP) 114/2026, que originalmente previa medidas para reduzir os efeitos do aumento dos preços dos combustíveis, foi aprovado pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (12) com uma série de medidas de incentivo fiscal, além de mecanismos para limitar o crescimento de despesas do governo e os chamados “jabutis”, medidas sem relação direta com o objeto original da proposta.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.

O texto aprovado, por 318 votos a 113 e uma abstenção, corresponde a um substitutivo apresentado pela relatora, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), que ampliou a proposta original do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo na Câmara, de quatro para 17 artigos. A versão foi construída após acordo com o governo do presidente Lula (PT).

Entre as mudanças, estão a criação de incentivos fiscais para setores como etanol e fertilizantes e a adoção de regras para limitar o crescimento de determinadas despesas públicas, caso haja previsão de déficit nas contas do governo.

O substitutivo também inclui medidas voltadas a minerais considerados estratégicos, à realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil e à cobrança de impostos sobre produtos agropecuários e empresas exportadoras, além de outras alterações nas regras tributárias e fiscais.

A proposta deve ser analisada pelo Senado ainda nesta quarta-feira (12). Leia abaixo as principais mudanças.

Combustíveis

No texto original, Paulo Pimenta propôs uma regra excepcional para 2026, que permite ao governo reduzir impostos sobre combustíveis para tentar conter os efeitos do aumento dos preços da energia, causado pela guerra no Oriente Médio.

Para compensar a perda de arrecadação, o governo poderia usar o aumento de receitas gerado pelo próprio encarecimento do petróleo e do gás.

A proposta original abrangia diesel, biodiesel, gasolina e etanol. O substitutivo acrescenta o querosene de aviação entre os combustíveis que podem ser beneficiados pelas medidas.

A relatora também criou regras para evitar que uma futura redução nos impostos sobre a gasolina e outros combustíveis derivados do petróleo prejudique o etanol.

Pelo texto, se o governo reduzir impostos sobre combustíveis fósseis, deverá manter a vantagem do biocombustível em relação aos outros, no mesmo nível de antes do conflito no Oriente Médio.

Além disso, se a redução dos impostos sobre a gasolina for de 30% ou mais, os impostos sobre o etanol deverão ser zerados.

R$ 1,2 bilhão para produtores de etanol

Outra novidade é a criação de uma ajuda financeira de até R$ 1,2 bilhão para produtores e cooperativas de etanol hidratado. O objetivo é compensar o setor pelo período em que houve apoio do governo à gasolina A, que é a gasolina pura, antes da mistura obrigatória com etanol, entre 25 de maio e 11 de agosto de 2026. O valor destinado a cada produtor deverá levar em conta a quantidade de etanol vendida no período.

O substitutivo também permite que os produtores de etanol usem créditos acumulados de PIS/Pasep e Cofins para pagar outros impostos. Nesse caso, o limite total será de R$ 750 milhões em 2026.

Trava para despesas

O substitutivo cria uma trava para limitar o crescimento de algumas despesas públicas, em caso de previsão de déficit primário do governo. Se o relatório que antecede o envio do projeto de Orçamento apontar déficit, as restrições passam a valer a partir do ano seguinte, e permanecem até a apuração de um superávit primário anual. Assim, se houver previsão de déficit para 2026, elas podem ser aplicadas já em 2027.

Nesse período, o crescimento anual de despesas primárias vinculadas por lei não poderá superar a variação do limite de gastos previsto no arcabouço fiscal. O texto também impede que uma receita específica do petróleo seja considerada no cálculo usado para definir determinadas despesas previstas em lei.

Mudanças no IBS e na CBS

O substitutivo ainda altera pontos da regulamentação da reforma tributária relacionados ao IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Uma das mudanças facilita o acesso de empresas exportadoras à suspensão dos dois tributos na compra de produtos agropecuários in natura, aqueles vendidos em estado natural, sem passar pelo processo de industrialização.

Hoje, a regra exige que mais de 50% da receita bruta da empresa nos três anos anteriores tenha vindo de exportações. O texto reduz esse percentual para 30%, ampliando o número de empresas que poderão comprar esses produtos sem recolher IBS e CBS naquele mesmo momento.

Há ainda uma mudança no cálculo da tributação dos combustíveis durante a implantação do IBS e da CBS. A legislação determina que as alíquotas sejam definidas de forma a preservar a carga tributária observada no período que vai de julho de 2025 a junho de 2026.

Como o governo reduziu, temporariamente, tributos sobre alguns combustíveis, para conter os efeitos da alta dos preços provocada pelo conflito no Oriente Médio, o substitutivo evita que essas desonerações diminuam artificialmente a referência usada no cálculo. Nos meses afetados pela medida excepcional, serão consideradas as alíquotas que estavam em vigor em fevereiro de 2026.

Fertilizantes

O texto também abre espaço para incentivos ao Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), aprovado na terça-feira (11), no Senado.

As empresas do setor poderão receber créditos fiscais equivalentes a até 20% dos gastos com a produção, com limite inicial de R$ 1 bilhão por ano, entre 2027 e 2031. O governo poderá ampliar esse teto em mais R$ 1 bilhão por ano, desde que cumpra as regras fiscais e orçamentárias.

No valor inicial, os créditos somariam até R$ 5 bilhões ao longo dos cinco anos. Caso o limite adicional seja usado integralmente, o benefício poderá chegar a R$ 10 bilhões no período.

Poderão ser atendidos projetos ligados à produção de fertilizantes, matérias-primas, bioinsumos, biofertilizantes e outros insumos usados na agricultura.

O substitutivo também suspende, entre 2027 e 2031, a cobrança do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) sobre mercadorias destinadas a projetos beneficiados. O AFRMM é uma cobrança que incide sobre o transporte marítimo, usada para financiar o setor naval.

A renúncia será limitada a R$ 200 milhões por ano e a R$ 1 bilhão em todo o período.

Minerais críticos

O substitutivo também inclui medidas relacionadas à Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, em tramitação no Senado. A proposta prevê que benefícios tributários destinados a essa política não fiquem sujeitos, em 2026, a algumas das regras fiscais que, normalmente, limitam a criação ou ampliação de benefícios.

Segundo a relatora, a medida busca ajudar um setor considerado importante para a transição energética e a soberania tecnológica do país, afetado pelo aumento dos custos de energia e dos fretes internacionais.

Copa do Mundo Feminina

Também estão incluídos no texto os benefícios tributários relacionados à realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil. A medida permite que benefícios destinados ao evento fiquem fora de algumas das regras fiscais excepcionadas pelo projeto em 2026.

Segundo a relatora, a inclusão busca dar segurança jurídica ao cumprimento de compromissos de isenção tributária assumidos pelo Brasil com as entidades responsáveis pela organização do torneio.

Defesa Nacional

O substitutivo permite que, em 2026, até 50% de um dos limites de despesas previstos na legislação seja usado para projetos estratégicos de defesa, sem entrar no cálculo da meta de resultado primário e do limite de gastos. Os valores empenhados nessa condição serão descontados do limite de despesas de 2028.

O texto também autoriza o governo a antecipar até R$ 3 bilhões de recursos previstos para 2027, usando o dinheiro já em 2026. Nesse caso, não será aplicada uma das regras fiscais previstas no arcabouço fiscal.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Aprovado, PLP de combustíveis dá aval para gastos extrateto

Aprovado, PLP de combustíveis dá aval para gastos extrateto

Imagem da notícia: MPF pede que voos de helicóptero no Rio ocorram sobre o mar

MPF pede que voos de helicóptero no Rio ocorram sobre o mar

Imagem da notícia: Karoline Leavitt deixará cargo de porta-voz da Casa Branca

Karoline Leavitt deixará cargo de porta-voz da Casa Branca

Imagem da notícia: Ebola: OMS alerta para avanço de surto no RD Congo

Ebola: OMS alerta para avanço de surto no RD Congo

Imagem da notícia: Aprovado, PLP de combustíveis dá aval para gastos extrateto

Aprovado, PLP de combustíveis dá aval para gastos extrateto

Imagem da notícia: MPF pede que voos de helicóptero no Rio ocorram sobre o mar

MPF pede que voos de helicóptero no Rio ocorram sobre o mar

Imagem da notícia: Karoline Leavitt deixará cargo de porta-voz da Casa Branca

Karoline Leavitt deixará cargo de porta-voz da Casa Branca

Imagem da notícia: Ebola: OMS alerta para avanço de surto no RD Congo

Ebola: OMS alerta para avanço de surto no RD Congo

Últimas notícias

Edinho diz que Trump “apequena” relação histórica com Brasil

Presidente do PT afirma que vínculo entre os países sempre foi de "alto nível" e critica interferências dos EUA em questões brasileiras

Piloto de avião testa positivo para maconha após incidente

Avião da Air India perdeu cerca de 90 metros de altitude repentinamente e deixou 17 pessoas feridas

Edinho diz confiar em Marcola em caso do INSS

Presidente do PT afirma que envolvidos devem prestar esclarecimentos e diz confiar em ex-assessor de Lula investigado no caso do INSS

Associação dos Magistrados emite nota sobre decisão do STF

Entidade diz que apoia e cumpre as ordens do Supremo Tribunal Federal para organizar os pagamentos nos tribunais

Alcolumbre cita diálogo ‘restabelecido’ após encontrar Lula

Presidente do Senado esteve com petista nesta quarta no segundo encontro desde a retomada dos diálogos passados meses de afastamento

PLP de combustíveis é aprovado com previsão de ajuste fiscal

Proposta amplia texto original e prevê incentivos para setores como etanol e fertilizantes, além de uma trava para despesas públicas