Economia

Ibovespa renova recorde e atinge 197 mil pontos com otimismo sobre cessar-fogo

Investidores repercutem a sinalização de negociações entre Israel e Líbano, em meio ao cessar-fogo ainda frágil entre Estados Unidos e Irã

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Exame.com
10/04/2026, 14:26 • Atualizado em 10/04/2026, 14:28
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Ibovespa | Divulgação/Nilton Fukuda/Agência Brasil

Ibovespa | Divulgação/Nilton Fukuda/Agência Brasil

O Ibovespa estende os ganhos pela terceira sessão consecutiva e volta a renovar máximas históricas nesta sexta-feira (10). Depois de superar pela primeira vez os 196 mil pontos logo no início das negociações, o principal índice da bolsa brasileira atingiu nova máxima intradiária por volta das 10h50, quando passou a subir mais de 0,95%, aos 197.985,26 pontos.

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Por volta das 11h, o índice mantinha o avanço com alta de 1,20%, aos 197.473 pontos, com forte predominância de altas: 66 das 82 ações operavam no campo positivo.

Entre os destaques, as blue chips, papéis de maior peso na carteira, como Vale, Petrobras e os grandes bancos, sustentavam o movimento de alta. Na ponta negativa, apenas quatro ações recuavam, incluindo Cury, Totvs, Azzas e Cogna.

Otimismo com negociações sobre o conflito

Na avaliação de Marianna Costa, economista da Corretora Mirae Asset, o ambiente segue favorável aos ativos de risco, apesar das incertezas externas e da inflação no Brasil acima do esperado. "O petróleo ainda opera em níveis elevados, mas sem novas pressões relevantes no curto prazo, enquanto o foco do mercado se volta para os dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos", afirma.

No mercado de commodities, o petróleo apresenta comportamento misto, o WTI opera em leve alta, acima de US$ 98 o barril, enquanto o Brent se mantém estável na casa dos US$ 95.

Investidores repercutem a sinalização de negociações entre Israel e Líbano, em meio ao cessar-fogo ainda frágil entre Estados Unidos e Irã.

"Delegações dos EUA e do Irã estão programadas para se reunir no Paquistão no sábado, elevando as esperanças de um avanço diplomático. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou estar “otimista” quanto a um acordo com o Irã, ao mesmo tempo em que continua pressionando Teerã a reabrir o Estreito de Ormuz", disse Costa.

Apesar da inflação

As atenções dos investidores se concentram na trajetória da inflação. No Brasil, o IPCA subiu 0,88% em março, acima das expectativas do mercado, que apontavam alta de 0,77%. Com isso, o índice acumulado em 12 meses acelerou de 3,81% para 4,14%, reforçando a percepção de uma inflação ainda resistente no curto prazo.

Segundo André Valério, economista sênior do Inter, o resultado foi amplamente impactado pelos efeitos globais do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, especialmente por meio da pressão sobre os preços de energia.

Apesar disso, o cessar-fogo temporário de duas semanas entre Estados Unidos e Irã ajuda a aliviar parte das preocupações inflacionárias no curto prazo. "O preço do barril tem operado abaixo de US$ 100 desde o anúncio do cessar-fogo, o que contribui para conter pressões adicionais. Ainda assim, o cenário não traz total tranquilidade ao Copom", afirma.

Para o economista, o Banco Central deve manter o ritmo de cortes de juros em 25 pontos-base, sustentado pelo elevado nível de aperto monetário e por um câmbio mais comportado, que segue abaixo de R$ 5,10.

No cenário internacional, o índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos também permanece no radar. O indicador subiu 0,9% em março na comparação mensal, em linha com as expectativas, após alta de 0,3% em fevereiro. Em 12 meses, a inflação americana avançou 3,3%, também dentro do previsto.

O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, veio mais fraco: alta de 0,2% no mês, abaixo da projeção de 0,3%, e avanço de 2,6% em 12 meses, igualmente abaixo do consenso. O dado reforça a leitura de que, apesar das pressões recentes, a inflação subjacente segue relativamente controlada, o que sustenta o apetite por risco nos mercados globais.

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