Dólar volta a cair forte e já se aproxima do valor de R$ 5
Na véspera, o câmbio já havia fechado no menor patamar em exatos dois anos, a R$ 5,062, com queda de 0,78%


Exame.com
O dólar à vista ampliou as perdas frente ao real nesta sexta-feira (10), e passou a operar nas mínimas do dia. Por volta das 10h40, a moeda americana recuava 0,94%, cotada a R$ 5,015, renovando o menor nível intradiário desde 9 de abril de 2024 — quando havia encerrado a sessão a R$ 5,007. Na mínima do dia, a moeda americana chegou a tocar os R$ 5,012.
Na véspera, o câmbio já havia fechado no menor patamar em exatos dois anos, a R$ 5,062, com queda de 0,78%.
Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, os principais vetores do mercado nesta sessão são a divulgação do IPCA, no Brasil, e o CPI, nos Estados Unidos, em um ambiente global ainda sensível ao choque do petróleo e às incertezas no Oriente Médio.
No Brasil, o índice oficial da inflação brasileira registrou alta de 0,88% em março, acima das expectativas de mercado, que apontavam para avanço de 0,77%. Com isso, o índice acumulado em 12 meses voltou a acelerar, passando de 3,81% em fevereiro para 4,14%, reforçando a leitura de uma inflação ainda resistente no curto prazo.
Na avaliação de André Valério, economista sênior do Inter, o resultado foi amplamente impactado pelos efeitos globais do conflito envolvendo o Irã, os EUA e Israel, especialmente por meio da pressão sobre os preços de energia.
Apesar disso, o cessar-fogo temporário de duas semanas entre Estados Unidos e Irã reduz, ao menos no curto prazo, o risco de contaminação mais ampla da inflação via petróleo.
"O preço do barril tem operado abaixo de US$ 100 desde o anúncio do cessar-fogo, o que ajuda a conter pressões adicionais. Ainda assim, o cenário não é suficiente para trazer total tranquilidade ao Copom [Comitê de Política Monetária]", afirma.
Para o economista, o Banco Central deve manter o ritmo de cortes de juros em 25 pontos-base, apoiado pelo elevado nível de aperto monetário e pelo câmbio mais comportado, que tem permanecido abaixo de R$ 5,10.
No cenário internacional, o CPI dos Estados Unidos também está no radar dos investidores. O índice subiu 0,9% em março na comparação mensal, em linha com o esperado, após alta de 0,3% em fevereiro. Em 12 meses, a inflação americana avançou 3,3%, também dentro das projeções.
O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, veio mais fraco: alta de 0,2% no mês, abaixo da expectativa de 0,3%, e avanço de 2,6% em 12 meses, também abaixo do consenso. O dado reforça a percepção de que, apesar das pressões recentes, a inflação subjacente segue relativamente controlada.









