CLT que ganha mais de R$ 21 mil terá exceção na PEC da 6x1
Proposta permite que trabalhadores com nível superior trabalhem mais de 40 horas semanais, mas tenham dois dias de folga garantidos
Jessica Cardoso, Eduardo Gayer
25/05/2026, 23:38 • Atualizado em 26/05/2026, 00:47
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O deputado Leo Prates durante a leitura do parecer da PEC que prevê o fim da escala 6x1 em comissão especial da Câmara dos Deputados | Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 cria uma exceção para trabalhadores da CLT com diploma de ensino superior e salários acima de R$ 21 mil por mês.
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Segundo o parecer apresentado pelo relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), nesta segunda-feira (25), esses profissionais poderiam trabalhar mais de 40 horas semanais e ficariam fora das regras de controle de jornada, como o registro de ponto.
Apesar disso, continuariam com direito a dois dias de descansosemanal remunerado, como prevê a escala 5x2.
O documento também estabelece a “liberalidade do empregador” e “previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho”. Isso significa que as empresas poderão optar por manter regras como controle de ponto, limite de jornada e pagamento de horas extras, ou que essas condições poderão ser negociadas entre empregadores e sindicatos.
A regra está prevista no artigo 7º da proposta. Leia o trecho abaixo:
“Art. 7º Ao empregado portador de diploma de nível superior e que perceba remuneração mensal igual ou superior a duas vezes e meia o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social não se aplicam as regras relativas à duração do trabalho e ao controle da jornada, salvo por liberalidade do empregador ou se houver previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho, respeitado o inciso XV e § 2º do art. 7º da Constituição Federal.”
Segundo Prates, a intenção é adaptar a legislação às mudanças no mercado de trabalho e à realidade de profissionais altamente qualificados, cujas atividades seriam mais ligadas à entrega de resultados, metas e projetos do que ao cumprimento rígido de horários.
O deputado também relaciona a proposta ao avanço da chamada “pejotização”, prática em que trabalhadores atuam como pessoa jurídica (PJ), sem vínculo formal pela CLT.
O argumento é que muitos profissionais de alta renda deixam de ser contratados como empregados porque o modelo atual de jornada seria incompatível com a flexibilidade exigida em determinadas funções.
Para Leo Prates, a flexibilização das regras de jornada para esses profissionais “hipersuficientes” daria mais incentivo para que empresas os contratassem pelo regime CLT.
A medida permitiria ainda que esses trabalhadores mantivessem direitos como férias, 13º salário e FGTS, sem as limitações tradicionais de controle de jornada.
“Essa medida é importante para modernizar as relações laborais de profissionais hipersuficientes, combatendo diretamente o fenômeno da ‘pejotização’, que prejudica substancialmente o financiamento da Previdência Social. Ademais, ao se criar um modelo mais compatível com a realidade desses profissionais, incentiva-se sua contratação pelo regime celetista, ampliando o alcance da proteção trabalhista, sem impor, contudo, a ambas as partes obrigações que não se coadunam com a dinâmica dessas relações”, afirmou o relator no parecer.
CLT que ganha mais de R$ 21 mil terá exceção na PEC da 6x1Proposta permite que trabalhadores com nível superior trabalhem mais de 40 horas semanais, mas tenham dois dias de folga garantidosPolítica2026-05-25T23:38:15.118ZA proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 cria uma exceção para trabalhadores da CLT com diploma de ensino superior e salários acima de R$ 21 mil por mês. Segundo o parecer apresentado pelo relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), nesta segunda-feira (25), esses profissionais poderiam trabalhar mais de 40 horas semanais e ficariam fora das regras de controle de jornada, como o registro de ponto. Apesar disso, continuariam com direito a dois dias de descanso semanal remunerado, como prevê a escala 5x2. O documento também estabelece a “liberalidade do empregador” e “previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho”. Isso significa que as empresas poderão optar por manter regras como controle de ponto, limite de jornada e pagamento de horas extras, ou que essas condições poderão ser negociadas entre empregadores e sindicatos. A regra está prevista no artigo 7º da proposta. Leia o trecho abaixo: “Art. 7º Ao empregado portador de diploma de nível superior e que perceba remuneração mensal igual ou superior a duas vezes e meia o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social não se aplicam as regras relativas à duração do trabalho e ao controle da jornada, salvo por liberalidade do empregador ou se houver previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho, respeitado o inciso XV e § 2º do art. 7º da Constituição Federal.” Segundo Prates, a intenção é adaptar a legislação às mudanças no mercado de trabalho e à realidade de profissionais altamente qualificados, cujas atividades seriam mais ligadas à entrega de resultados, metas e projetos do que ao cumprimento rígido de horários. O deputado também relaciona a proposta ao avanço da chamada “pejotização”, prática em que trabalhadores atuam como pessoa jurídica (PJ), sem vínculo formal pela CLT. O argumento é que muitos profissionais de alta renda deixam de ser contratados como empregados porque o modelo atual de jornada seria incompatível com a flexibilidade exigida em determinadas funções. Para Leo Prates, a flexibilização das regras de jornada para esses profissionais “hipersuficientes” daria mais incentivo para que empresas os contratassem pelo regime CLT. A medida permitiria ainda que esses trabalhadores mantivessem direitos como férias, 13º salário e FGTS, sem as limitações tradicionais de controle de jornada. “Essa medida é importante para modernizar as relações laborais de profissionais hipersuficientes, combatendo diretamente o fenômeno da ‘pejotização’, que prejudica substancialmente o financiamento da Previdência Social. Ademais, ao se criar um modelo mais compatível com a realidade desses profissionais, incentiva-se sua contratação pelo regime celetista, ampliando o alcance da proteção trabalhista, sem impor, contudo, a ambas as partes obrigações que não se coadunam com a dinâmica dessas relações”, afirmou o relator no parecer. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/pec-da-6x1-abre-excecao-para-clt-que-ganha-acima-de-r-21-mil