Ibovespa nos 172 mil pontos: até onde vai a Bolsa após mais um recorde
Cenários mais positivos apontam para o índice aos 220 mil pontos este ano


Exame.com
Quem parou para olhar o painel da bolsa nesta quarta-feira (21) pôde ver o Índice Bovespa (Ibovespa) não só rompendo barreiras como cravando um novo recorde histórico, se aproximando dos 172 mil pontos. A marca coloca o mercado brasileiro em um patamar nunca visto antes, mas os investidores se perguntam: para onde o índice vai agora?
Se você quer saber para onde os analistas estão olhando, os relatórios dos grandes bancos de investimento mostram que o céu pode ser o limite, mas têm riscos calculados no radar. As instituições financeiras veem cenários diferentes para o índice com base em diversos fatores, indo desde projeções mais modestas até altos valores.
Ibovespa: projeções de bancos variam
O BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) desenhou cenários bem variados. No cenário considerado "base", com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo 3% e as taxas reais de longo prazo caindo para 5%, o valuation do Ibovespa, excluindo Petrobras e Vale, poderia chegar a 186 mil pontos.
Agora, se o resultado das eleições de 2026 for muito bem recebido pelo mercado, o índice pode saltar para 220 mil pontos, um potencial de alta de 38%. Já se a situação fiscal ficar desorganizada e o crescimento patinar, o BTG alerta para um cenário que o índice poderia recuar para 120 mil pontos.
O preço-alvo do Itaú BBA para o índice fica entre 180 mil a 185 mil pontos no fim de 2026. No cenário de baixa, vê níveis de 160 mil a 164 mil pontos. "Enquanto os mercados globais passam por um período de realização, o Ibovespa continua renovando máximas praticamente sozinho. Esse comportamento indica um mercado concentrado."
O BB Investimentos, além disso, projeta o Ibovespa em 186 mil pontos até o final de 2026. Segundo os analistas do banco, esse patamar é resultado de uma análise dos fundamentos das empresas (bottom-up, em inglês), o que mantém as ações brasileiras atrativas frente a outras classes de ativos mesmo após as altas recentes.
O rali, o "efeito Davos" e o Brasil
O economista e conselheiro da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais do Brasil (Apimec Brasil), Ricardo Coimbra, indica que este rali não caiu do céu e vem sendo desenhado desde o segundo semestre do ano passado, apoiado em uma perspectiva de manutenção do crescimento e da atividade econômica.
O discurso do presidente norte-americano Donald Trump no Fórum Econômico Mundial, em Davos, fez o mercado suspirar aliviado com o tom mais moderado do republicano ao dizer "não quer usar a força" para tomar a Groenlândia. Depois disso, Trump ainda suspendeu tarifas de 10% que seriam aplicados a países europeus, penalizados por não apoiar os EUA na ideia de indexação.
Coimbra aponta que esse discurso, comparado à agressividade de dias anteriores, acalmou os mercados globais e ajudou a impulsionar as valorizações por aqui. Ele reforça, também, que o cenário interno está jogando a favor, com uma economia mais estável, a inflação rodando dentro do teto da meta e uma tendência de queda na taxa Selic para 2026.
Bom momento da economia
Assim como Coimbra, para o economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Renan Pieri, a valorização do principal indicador da bolsa de valores (B3) é fruto de uma mistura entre o bom momento da economia brasileira e a convergência da inflação para a meta, o que sinaliza um ano de cortes de juros pela frente.
O docente destaca que, com os juros caindo, a bolsa se torna naturalmente mais atrativa, estimulando a compra antecipada de ativos. Pieri também nota que o Brasil está se beneficiando de um fluxo de capital estrangeiro causado pela percepção de instabilidade política e econômica nos Estados Unidos (EUA).
"Não é só a melhoria do cenário econômico brasileiro, mas também um pouco da piora da economia americana, pelo menos, em termos de estabilidade. Toda essa movimentação política americana gera um fluxo maior de incertezas que acabam levando o capital a procurar outros destinos, como é o caso do Brasil", segundo Pieri.
Coimbra projeta que, se o cenário de estabilidade e redução de juros se efetivar no Brasil, o Ibovespa pode buscar patamares ainda mais altos, batendo entre 185 mil e 190 mil pontos em 2026. Outro fator que pode dar um novo gás é o avanço das tratativas do acordo entre os blocos da União Europeia (UE) e do Mercosul, para Coimbra.
Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, é um pouco mais cético em relação a cortes relevantes da taxa Selic. "Não creio que isso vai acontecer, mas é nisso que o mercado mercado quer acreditar".
Pelo lado da influência estrangeira, Angelo Belitardo, gestor da Hike Capital, acredita que a saída de recursos dos Estados Unidos deve continuar trazendo mais investidores estrangeiros para a bolsa brasileira.
"Os Estados Unidos estão desacelerando e as grandes empresas americanas voltadas à inteligência artificial estão com previsão para receber um menor fluxo de capital. Um cenário de menor aceleração da economia do país também incentiva um menor fluxo de capital indo para a bolsa que são direcionados, especialmente, para países emergentes. Então, esse fluxo também favorece muito a Bolsa local."









