Economia

Haddad nega medidas de "retaliação" ao tarifaço e defende "proteção da soberania, da indústria e do agro"

Ministro diz que Brasil não desistiu de reagir à tarifa de 50% e atribui decisão dos EUA à influência de informações falsas repassadas pela oposição

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Warley Júnior
01/08/2025, 13:28 • Atualizado em 01/08/2025, 13:45
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Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fala à imprensa em Brasília | Warley Júnior/SBT

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fala à imprensa em Brasília | Warley Júnior/SBT

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (1º) que o governo brasileiro não recuou nem desistiu de adotar medidas contra a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Segundo ele, nunca houve decisão oficial de "retaliação", mas sim uma estratégia de proteção da indústria e da agricultura nacional que está sendo conduzida com cautela e amparo legal.

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"Essa decisão [de retaliar] nunca foi tomada. Nós nunca usamos esse verbo. Estamos falando de medidas de proteção da soberania, da indústria e do agronegócio brasileiros", disse o ministro a jornalistas em Brasília.

Haddad destacou que o governo pretende seguir pelos canais diplomáticos e jurídicos – como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Justiça norte-americana – e que está em contato frequente com a equipe de Scott Bessent, secretário do Tesouro do governo de Donald Trump, presidente dos EUA. Ele classificou a tarifa como "injustificável" e fora dos padrões do comércio internacional.

Além disso, Haddad fez uma crítica direta ao bolsonarismo, atribuindo ao grupo oposicionista a responsabilidade por influenciar negativamente a imagem do Brasil junto ao novo governo norte-americano.

"A decisão do presidente Trump tem resvalos políticos. Foi deliberadamente política. Há muita desinformação, especialmente vinda da oposição, especificamente do bolsonarismo, que tem passado informações equivocadas sobre o funcionamento das instituições brasileiras", afirmou.

Segundo ele, esse ruído político precisa ser corrigido para evitar prejuízos na relação bilateral. O ministro reforçou que o Brasil continua aberto ao diálogo e busca uma relação de cooperação com os Estados Unidos, independentemente de quem esteja no poder.

"Vamos continuar buscando parceria com os EUA", afirma Haddad

Haddad disse ainda que o governo Lula (PT) já finalizou as primeiras propostas de medidas para apoiar os setores afetados e que elas devem ser anunciadas na próxima semana, após avaliação do presidente.

"Estamos calibrando os números com sindicatos de trabalhadores e empresários. Algumas empresas vão precisar de ajuda adicional. O mercado interno está aquecido, com aumento da renda e desemprego na mínima histórica. Há espaço para redirecionar a produção", afirmou.

Como exemplo, o ministro mencionou o encontro que terá com o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), que busca apoio federal para aquisição de gêneros alimentícios para a merenda escolar estadual.

Questionado se esse pacote de apoio ficaria fora da meta fiscal, Haddad negou: "A proposta está sendo desenhada dentro do novo arcabouço fiscal. Não haverá necessidade de exceção nesse momento".

Haddad também comentou a possibilidade de quebra de patentes de medicamentos, afirmando que o presidente Lula pediu um levantamento amplo sobre todas as ferramentas legais que o país pode utilizar em defesa da soberania, mas que o uso de instrumentos mais extremos será feito com "inteligência e sem bravata".

"Os governos são passageiros, os Estados nacionais são permanentes. Vamos continuar buscando parceria com os EUA. O Brasil é grande demais para se alinhar automaticamente a qualquer potência. Há muito espaço para cooperação."

O ministro ainda lembrou que, nos últimos anos, os EUA perderam relevância como destino das exportações brasileiras – passando de 25% para menos da metade – e criticou a baixa participação de empresas americanas em licitações no país, mesmo com o aumento dos investimentos em infraestrutura.

"Não nos interessa alimentar narrativas ideológicas. Queremos atrair mais investimento e cooperação, especialmente em áreas como a transição energética e a transformação ecológica. O interesse nacional está acima de qualquer outro."

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