Economia

"Há outra crise pior que pode nos atingir nos próximos 90 dias", diz senador brasileiro da missão aos EUA

Após três dias em Washington, delegação brasileira afirmou ter sido alertada sobre lei que pode impor sanções a países que negociem com a Rússia

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Patrícia Vasconcellos
30/07/2025, 16:59 • Atualizado em 30/07/2025, 16:59
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Senadores brasileiros fazem balanço de reuniões em Washington para reverter tarifaço. | SBT News

Senadores brasileiros fazem balanço de reuniões em Washington para reverter tarifaço. | SBT News

A comitiva de senadores que chegou aos Estados Unidos no fim de semana já está a caminho do Brasil. Em uma coletiva de imprensa na embaixada brasileira na manhã desta quarta-feira (30) os oito parlamentares que formam a missão fizeram um balanço da viagem. "Saímos com a sensação de dever cumprido", disse Tereza Cristina (PP - MS).

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Segundo o senador Carlos Viana (Podemos - MG), além da reabertura de diálogo com o parlamento norte-americano, o grupo leva ao Brasil um recado: "Há outra crise pior que pode nos atingir nos próximos noventa dias", disse. Viana afirmou que tanto Republicanos quanto Democratas citaram uma lei que deve chegar ao Congresso com sanções automáticas para países que negociam com a Rússia. "Será uma decisão do Congresso americano, então o Brasil tem tempo para se preparar para buscar consenso e diálogo, como não teve tempo agora nas tarifas do dia 1º de agosto", afirmou Viana, pontuando que a política externa brasileira foi avisada de que o país pode ser atingido com algo mais forte.

Na manhã desta quarta, ao anunciar tarifa de 25% para produtos vindos da Índia, Donald Trump disse que "a Índia compra a grande maioria do material militar da Rússia e os russos são os maiores compradores da energia indiana quando todos querem que a Rússia pare a matança na Ucrânia". O presidente dos EUA disse que, por este motivo, a Índia pagará uma pena extra além do índice de 25%.

Brasil negocia lista de produtos isentos

Ainda segundo Carlos Viana, a missão escutou dos parlamentares norte-americanos que "taxar café, grãos e outras áreas será um gol contra os Estados Unidos". Ele avalia que isso ajuda o Brasil, citando reuniões feitas com o empresariado de ambos os países.

Nelsinho Trad (PSD-MS), líder da missão, disse que canais foram abertos "tanto do lado republicano quanto do lado democrata, para poder mostrar que essa atitude é perde-perde".

O senador Jaques Wagner (PT-BA) citou a questão dos fertilizantes: "Temos um agronegócio potentíssimo e temos dependência de praticamente 100% de fertilizantes. Não tem fertilizante no anúncio classificado de nenhum jornal. O fertilizante falta no mundo inteiro", pontuando que 30% do fertilizante que o Brasil usa vem da Rússia.

"Não tem como deixar de comprar, só se for para parar o agronegócio", afirma Jaques Wagner. "Também o combustível, quem compra não é o governo brasileiro. Quem compra são as empresas que importam para revender no mercado interno".

Canais que podem ter sido abertos

Viana afirmou que a mensagem do grupo chegou à Casa Branca. "O nosso gesto de boa vontade está sendo notado", disse, afirmando que "o Brasil precisa trazer muito mais que um pedido de tarifas, mas um pedido de diálogo com os Estados Unidos".

"O que importa a eles é o posicionamento da diplomacia brasileira em relação às demandas que o governo (americano) tem", disse Viana.

Questionados se a ausência de encontros com integrantes da administração Trump enfraquece a visita, os parlamentares argumentaram que a abertura e o contato de agora darão início a uma rodada de negociações setoriais. "Não vamos conseguir adiar isso imediatamente, mas negociações serão abertas", disse Marcos Pontes (PL-SP). O parlamentar citou o ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que "defende a liberdade no Brasil, mas isso não muda a tarifa".

"Nós falamos com muita gente, nós fomos procurados lá no Brasil pelos empresários brasileiros e aqui por empresários americanos e houve uma sinergia entre esses empresários, todos muito preocupados, tanto aqui quanto lá. Essas pessoas, algumas têm mais influência, outras menos, depende do tamanho das empresas, com o governo, com a Casa Branca", disse a senadora Tereza Cristina, em resposta ao SBT. A parlamentar citou ainda os escritórios de lobby e pessoas que trabalham com estratégia e crise.

Caso Embraer

Questionado se houve pedido de exclusão dos aviões da empresa das novas tarifas nas reuniões realizadas em Washington, Jaques Wagner disse que não houve, por parte da missão dos senadores, pedido específico em favor de qualquer empresa. "A Embraer é a mais interessada nisso", disse. ressaltando que o grupo entende que os perecíveis são mais urgentes. "A Embraer deve ter negociado diretamente, não fomos nós. Estamos pedindo prazo para todos, não para um ou outro", disse o senador.

Big techs e liberdade de expressão

Questionados se a questão da liberdade de expressão na internet e as decisões do Supremo Tribunal Federal em relação às big techs norte-americanas foi citada nas reuniões do grupo, o senador Esperidião Amin (PP-SC) citou um projeto de lei apresentado por ele (3283/2025) para reduzir o impacto da decisão do Supremo em posts de redes sociais. "O Congresso já está com a intenção de reduzir o impacto disso. A meu ver isso se caracteriza como censura prévia e acaba com a neutralidade que foi o sonho da internet", afirmou Esperidião Amim.

Marcos Pontes afirmou que "a preservação da liberdade de expressão é defesa deles no Senado" e que certamente isso vai ser discutido no futuro.

Lula e Trump

Questionado se é possível que o Planalto dê andamento a uma ligação entre os presidentes Lula e Trump, Jaques Wagner afirmou que falou sobre o presidente brasileiro sobre o tema. "Ele disse: 'eu quero ser respeitado', se a diplomacia americana concordar com a diplomacia brasileira". Wagner também respondeu que acredita que "estas coisas não se resolvem por telefone" e enfatizou que "as coisas do Judiciário não serão discutidas", em referência às decisões do Supremo Tribunal Federal citadas por Trump ao impor tarifas de 50% aos produtos brasileiros.

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