Economia

Entenda por que empresa de Trump entrou no negócio de fusão nuclear

Negócio de US$ 6 bilhões entre o grupo Trump Media e TAE Technologies ocorre em meio à alta demanda por energia para data centers de IA

Avatar de Exame.com
Exame.com
21/12/2025, 11:16 • Atualizado em 21/12/2025, 11:16
compartilhar
TAE: fusão nuclear é novo negócio do conglomerado empresarial de Trump | Foto: Divulgação

TAE: fusão nuclear é novo negócio do conglomerado empresarial de Trump | Foto: Divulgação

O que começou com a Truth Social virou plataforma de streaming, depois uma vitrine de produtos financeiros e até um plano bilionário para estocar criptomoedas. Agora, o grupo Trump Media & Technology deu um passo inesperado ao anunciar uma combinação de negócios com uma empresa de energia de fusão nuclear, mirando um dos temas mais quentes e especulativos do momento: a crescente demanda por energia, impulsionada pela inteligência artificial.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

O acordo com a TAE Technologies, avaliado em US$ 6 bilhões, representa a maior iniciativa empresarial da família Trump desde o início do segundo mandato do presidente. Para críticos, o movimento reforça a percepção de que a principal âncora de valor da companhia é política, não operacional.

“O principal valor da Trump Media é que Trump é o presidente. É uma empresa em busca de um negócio”, disse ao Wall Street Jounral Peter Schiff, analista financeiro e economista-chefe da Euro Pacific Asset Management.

Aposta em energia para sustentar o boom da IA

A fusão ocorre em um momento em que o consumo de energia por data centers e sistemas de IA se tornou um tema central da política econômica dos EUA. O governo Trump tem defendido investimentos em tecnologias capazes de ampliar rapidamente a oferta de eletricidade, incluindo a fusão nuclear, ainda não comprovada em escala comercial.

Nesse contexto, a Trump Media aposta em uma tecnologia de alto risco, mas com forte apoio institucional. A TAE é uma das empresas mais antigas e conhecidas do setor e tem entre seus investidores nomes como Alphabet, Chevron e Goldman Sachs, além de grandes family offices americanos.

Nova estrutura da companhia

A TAE atua há décadas no desenvolvimento de reatores de fusão e afirma ter reduzido significativamente os custos e a complexidade do projeto ao longo de 20 anos de pesquisa. Segundo o CEO Michl Binderbauer, os resultados mais recentes dão confiança de que a empresa pode construir uma usina funcional.

A fusão colocará Devin Nunes, CEO da Trump Media, como co-CEO da nova companhia, ao lado de Binderbauer. Donald Trump Jr. terá assento no conselho, enquanto Michael Schwab, investidor histórico da TAE e filho do fundador da Charles Schwab, será o presidente do conselho.

Em teleconferência curta com investidores, os executivos afirmaram que o objetivo é criar a primeira empresa de fusão nuclear listada em bolsa nos Estados Unidos e alcançar a geração inicial de energia em 2031.

Reação do mercado

Após o anúncio, as ações da Trump Media subiram mais de 40%, apesar de ainda acumularem queda de cerca de 56% no ano. A companhia vem registrando prejuízos operacionais expressivos e tem a família Trump como acionista com participação próxima à maioria.

Desde que abriu capital por meio de uma SPAC, veículos criados com propósito de captar recursos para adquirir uma empresa privada ou empresas privadas ainda não definidas, a empresa tem buscado crescimento com uma sequência de iniciativas que vão da plataforma de streaming Truth+ a produtos financeiros e projetos ligados a criptomoedas, incluindo fundos de índices (ETFs) e parcerias com empresas do setor.

A fusão com a TAE aproxima a Trump Media de outros negócios recentes ligados ao império Trump, como uma SPAC industrial apoiada por Eric Trump e Donald Trump Jr., além da American Bitcoin, empresa focada em data centers para mineração de criptomoedas.

Interesse crescente e questionamentos políticos

Mesmo distante da escala comercial, a fusão nuclear vive um momento de forte interesse. O financiamento global do setor já ultrapassa US$ 7,1 bilhões em cerca de 50 startups. Dados da PitchBook mostram que os investimentos em fusão nuclear quase sextuplicaram em relação ao ano anterior.

O Departamento de Energia dos EUA lançou recentemente uma estratégia nacional para acelerar o desenvolvimento da tecnologia e criou um escritório específico para fusão nuclear. Ainda assim, o acordo levanta alertas políticos.

O deputado Don Beyer, copresidente da Frente Parlamentar de Energia de Fusão, afirmou ao jornal que a operação exige fiscalização para evitar conflitos de interesse e garantir que recursos públicos beneficiem o desenvolvimento tecnológico, e não interesses privados ligados à família Trump.

A fusão marca mais um capítulo improvável na trajetória da Trump Media, que segue expandindo seus negócios por setores de alto risco, apostando na combinação entre capital, política e narrativas de futuro tecnológico.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Copa do Mundo: como proteger a voz e a audição na torcida

Copa do Mundo: como proteger a voz e a audição na torcida

Imagem da notícia: Japão captura urso que fechou escolas e assustou cidade

Japão captura urso que fechou escolas e assustou cidade

Imagem da notícia: TSE julga hoje decisão de Marques que suspendeu pesquisa

TSE julga hoje decisão de Marques que suspendeu pesquisa

Imagem da notícia: Rodrigo Bocardi é o novo contratado do SBT

Rodrigo Bocardi é o novo contratado do SBT

Imagem da notícia: Copa do Mundo: como proteger a voz e a audição na torcida

Copa do Mundo: como proteger a voz e a audição na torcida

Imagem da notícia: Japão captura urso que fechou escolas e assustou cidade

Japão captura urso que fechou escolas e assustou cidade

Imagem da notícia: TSE julga hoje decisão de Marques que suspendeu pesquisa

TSE julga hoje decisão de Marques que suspendeu pesquisa

Imagem da notícia: Rodrigo Bocardi é o novo contratado do SBT

Rodrigo Bocardi é o novo contratado do SBT

Últimas notícias

Comissão do Senado ouve presidente do BRB sobre Master

Nelson Antônio de Souza foi convidado pela CAE para prestar esclarecimentos sobre negócios entre os dois bancos e medidas adotadas pela atual gestão

Sisu+: MEC libera consulta de vagas; entenda como acessar

Plataforma já permite ver cursos, instituições e modalidades de concorrência; inscrições começam em 15 de junho

Dia dos Namorados é feriado? Conheça origem da data

Celebrado em 12 de junho, o dia que homenageia os casais tem origem ligada a campanha publicitária criada pelo pai de João Doria

Irã denuncia bloqueio de ingressos para a Copa

Federação iraniana afirma que cota destinada aos torcedores foi retirada pelos EUA e pede que a FIFA impeça interferências políticas no torneio

Com 95% dos votos apurados, disputa segue acirrada no Peru

Roberto Sánchez tem 50,074% dos votos, contra 49,926% de Keiko Fujimori na atualização mais recente da contagem oficial

MP prende ex-estagiário suspeito de elo com PCC

Operação Infiltrados apura vazamento de informações e extorsões; eles estariam envolvidos em plano para matar promotor de Justiça do Gaeco