Economia

Reação negativa do mercado fortaleceu Mello para o BC, diz líder do governo

Jaques Wagner diz que não conversou com Lula sobre indicações; especialista detalha resistências na Faria Lima ao auxiliar de Haddad

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Guilherme Mello, indicado ao Banco Central | Reprodução
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A reação negativa do mercado financeiro à possível indicação do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, à diretoria do Banco Central acabou por fortalecê-lo para o cargo. A afirmação é do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

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Ao se queixar do vazamento, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta terça-feira (3) ter indicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) os nomes de Mello e do professor Tiago Cavalcanti para as duas vagas abertas no BC, mas negou que o governo federal tenha tomado qualquer decisão a respeito do assunto.

Para Wagner, o nome do secretário “não teria saído” sem a “anuência” do governo. “Guilherme [Mello] é uma pessoa muito ligada ao presidente. Então, acho que não iriam vazar um nome para queimar. Estou falando em hipótese. Na medida em que foi para a rua e o mercado reclamou, fortaleceram ele", afirmou o senador a jornalistas. “Mas não sei quando ele [Lula] vai mandar [a indicação]. É feeling. Não falei com ele [Lula]”, ponderou.

Investidores reagiram negativamente à sugestão de Mello para o BC, pelo seu histórico ligado ao PT. Em 2022, ele foi porta-voz para a economia da campanha de Lula à Presidência. O temor do mercado é de interferências à esquerda junto ao Comitê de Política Monetária (Copom), num momento em que o governo cobra uma queda acelerada da taxa de juros. A sugestão de Cavalcanti, por sua vez, foi bem recebida.

Ao SBT News, o diretor e sócio-fundador da AVIN Capital / Asset, Alexandre Jung, afirmou que a discussão predominante na Faria Lima não é sobre nomes ou competência técnica, mas a sinalização que o governo faz com a indicação.

“[Mello] tem identificação acadêmica e desenvolvimentista, carrega um peso simbólico. É sobre o que a escolha representaria em termos de orientação político-econômica: maior tolerância inflacionária em prol de estímulos ao crescimento, o que a gente tem acompanhado [na política econômica] no governo Lula”, relatou.

Jung explica que, em situações como essa, o mercado tende a “reprecificar o Brasil”, com alta na curva de juros e no valor do dólar. “O cenário base [para a política monetária] continua sendo o pragmatismo, mas existe cenário alternativo permanente de maior politização. Em síntese, o mercado não está escolhendo entre economistas, mas entre regimes de funcionamento”, acrescentou.

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