Política

Tarifaço de Trump: "Quero ser tratado com respeito", diz Lula em entrevista ao New York Times

Presidente brasileiro reclama que EUA ignoram pedidos de diálogo e afirma que Brasil não negocia taxas "como se fosse um país pequeno contra um país grande"

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SBT News
30/07/2025, 11:09 • Atualizado em 30/07/2025, 11:52
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Presidente Lula (PT) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula (PT) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ao jornal norte-americano The New York Times que quer ser tratado com respeito e reclamou que "ninguém" do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "quer conversar" sobre tarifaço de 50% imposto pelos EUA a exportações do Brasil. Entrevista do petista ao NYT, a primeira em 13 anos, foi publicada nesta quarta-feira (30).

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A matéria do Times começa com a seguinte frase: "O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, está indignado". Diz ainda que o mandatário aceitou falar com a reportagem porque "queria falar ao povo norte-americano sobre sua frustração com Trump".

Segundo Lula, o governo dos EUA ignora todas as ofertas para dialogar sobre taxação, em vigor a partir de sexta, 1º de agosto. "Esteja certo de que que estamos tratando isso com a máxima seriedade. Mas seriedade não requer subserviência", falou. "Eu trato todo mundo com grande respeito. Mas eu quero ser tratado com respeito", seguiu.

A reportagem também comenta que "talvez nenhum líder mundial esteja desafiando o presidente Trump tão fortemente quanto Lula". Como já declarou em outras oportunidades, o petista opinou que o chefe do Executivo norte-americano talvez não saiba que "aqui no Brasil, o judiciário é independente", em resposta à exigência de Trump para o que Brasil cesse o que chamou de "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu por tentativa de golpe de Estado.

Lula também voltou a fazer paralelos entre atos golpistas do 6 de janeiro de 2021, na invasão de trumpistas ao Capitólio revoltados com a vitória de Joe Biden, nos EUA, e do 8 de janeiro de 2023, no Brasil, quando sedes dos Três Poderes foram depredadas e invadidas por bolsonaristas. O presidente repetiu que, se Trump estivesse no Brasil, seria alvo dos mesmos processos que miram Bolsonaro.

O NYT lembrou entrevista dada por Bolsonaro ao jornal em janeiro, em que ex-mandatário afirmou que tinha esperança de que alguma ação de Trump pudesse livrá-lo de acusações golpistas. "À época, o desejo parecia pouco realista. Então, neste mês, Trump interviu", escreveu o New York Times, em referência ao tarifaço.

"O Estado democrático de direito é uma coisa sagrada para nós. Porque nós já sobrevivemos a ditaduras, e não queremos mais", falou Lula.

Lula: Brasil não vai negociar como país pequeno contra país grande

Lula afirmou que "em nenhum momento, Brasil vai negociar como se fosse um país pequeno contra um país grande". O chefe do Executivo argumentou que "nós conhecemos o poder econômico dos Estados Unidos". "Nós reconhecemos o poder militar dos Estados Unidos, nós reconhecemos a dimensão tecnológica dos Estados Unidos."

Mas declarou que "isso não nos deixa com medo". "Isso nos deixa preocupados", acrescentou. "O comportamento de Trump se distanciou de todos os padrões de negociações e diplomacia. Quando você tem uma divergência comercial, uma divergência política, você pega o telefone, você marca um encontro, você conversa e tenta solucionar o problema. O que você não faz é taxar e dar um ultimato", lamentou.

O presidente disse que "nem o povo americano, nem o povo brasileiro merecem isso", em relação ao impacto da tarifa de 50%. "Porque nós vamos sair de uma relação diplomática de 201 anos de ganha-ganha para uma relação política de perde-perde", continuou.

O que tem impedido diálogo, segundo Lula, é que "ninguém quer conversar". "Todo mundo sabe que eu pedi para fazer contato", seguiu. O Times lembrou que, em 11 de julho, Trump disse a repórteres que eventualmente poderia falar com o presidente brasileiro, "mas não agora".

No fim da entrevista, Lula foi perguntado pelo NYT sobre sanções dos EUA a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a possibilidade de Alexandre de Moraes, relator de processos envolvendo Bolsonaro na Corte, ser enquadrado pela Lei Magnitsky por supostas violações de direitos humanos. A reportagem lembrou que o secretário de Estado, Marco Rubio, já afirmou ao Congresso americano que há "grande" de possibilidade de isso ocorrer.

O mandatário brasileiro saiu em defesa do judiciário. "Se o que você está me dizendo é verdade, é mais sério do que eu imaginava. A Suprema Corte de um país tem que ser respeitada não apenas por seu próprio país, mas tem que ser respeitada pelo mundo."

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