Governo cria o “Cofrinho Oficial” a partir de R$ 10 para concorrer com “caixinhas” dos bancos e com poupança tradicional
Novo título do Tesouro Direto funciona como um “cofrinho digital público” possui liquidez imediata, operação 24 horas e liquidação via Pix


João Kepler
O Governo Federal autorizou a criação de um novo título do Tesouro Direto com investimento mínimo de apenas R$ 10. A iniciativa abre caminho para uma alternativa pública e acessível às “caixinhas” e “cofrinhos” oferecidos por bancos e fintechs, hoje amplamente utilizados para reserva de emergência e poupança de curto prazo.
Além de disputar espaço com as “caixinhas” bancárias, o novo título também se diferencia da poupança tradicional da Caixa Econômica Federal e de outras instituições. Enquanto a poupança rende 70% da Selic quando os juros estão acima de 8,5% ao ano, além da Taxa Referencial, o novo título acompanha integralmente a Selic, o que resulta em rendimento superior no cenário atual. Outro ponto central é a flexibilidade: a poupança segue a regra do aniversário para crédito dos rendimentos, enquanto a LFT-TD terá liquidez imediata, funcionamento 24 horas e liquidação via Pix, permitindo resgates a qualquer momento, sem perda de rendimento acumulado. Na prática, o Tesouro passa a oferecer uma opção mais simples, transparente e eficiente para a reserva de emergência do pequeno investidor.
A autorização foi publicada no Diário Oficial da União por meio do decreto nº 12.814 e permite a emissão de uma nova série de Letras Financeiras do Tesouro voltadas ao varejo, chamada de LFT série TD (LFT-TD). Diferentemente dos títulos tradicionais, que possuem valor nominal elevado, essa nova LFT nasce com tíquete reduzido, diminuindo de forma relevante a barreira de entrada e ampliando o acesso dos poupadores ao Tesouro Direto.
Na prática, o valor nominal do novo título será de R$ 10. Como no Tesouro Direto o investimento mínimo corresponde a 1% do valor nominal, o acesso se torna praticamente imediato para quem deseja começar com pouco. Hoje, algumas LFTs possuem valor nominal acima de R$ 18 mil, o que exige cerca de R$ 180 para o primeiro aporte.
A combinação de valor mínimo baixo, operação contínua e liquidação rápida transforma o novo papel em uma espécie de “poupança de emergência” pública, com remuneração atrelada à Selic e maior previsibilidade do que muitos produtos privados. A proposta é clara: oferecer uma aplicação acessível, estável e sem risco de perda financeira, tanto para quem está formando sua reserva de emergência quanto para o poupador tradicional.
Segundo o Tesouro Nacional, a LFT-TD está sendo desenvolvida em parceria com a B3 e o Banco do Brasil, já se encontra em fase de testes e deve entrar em funcionamento no início de março.
Em nota, o Tesouro afirmou que o novo papel surge para atender uma demanda específica de pequenos investidores por aplicações mais simples, estáveis e acessíveis. A iniciativa também reforça a estratégia de ampliar a base de investidores pessoa física no Tesouro Direto e competir diretamente com soluções bancárias de curto prazo.
Com isso, o Tesouro dá mais um passo para se aproximar do pequeno investidor, oferecer uma alternativa real à poupança tradicional e disputar espaço no dia a dia financeiro do brasileiro, agora com um “Cofrinho Oficial” ou, como já vem sendo chamado informalmente, uma “Caixinha Federal” acessível a partir de R$ 10.
Pense Nisso!









