Economia

Exportações do Brasil aos EUA disparam 87% em outubro

Salto reverte queda de 6,5% no acumulado do ano para alta de 0,2%; exportações para a China recuaram 5,3% no mês

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Por Caio Barcellos
Porto de exportação em Recife (PE) | Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Porto de exportação em Recife (PE) | Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

As exportações brasileiras para os Estados Unidos dispararam 87% em outubro, na comparação com o mesmo mês de 2025, enquanto as vendas para a China recuaram 5,3%. Os números foram divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

As vendas para os norte-americanos somaram US$ 4,32 bilhões, contra US$ 2,31 bilhões em outubro do ano passado. Este foi o segundo mês consecutivo de crescimento expressivo, depois de uma alta de 31,9% em setembro.

O resultado ocorre apesar das tarifas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros, que contribuíram para a queda de 6,5% nos embarques para os EUA no acumulado até setembro.

Com o avanço registrado em outubro, o resultado passou de uma queda de 6,5% para uma alta de 0,2% na comparação com o mesmo período de 2025, com os embarques somando US$ 31,73 bilhões de janeiro a outubro.

De acordo com o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, o resultado positivo foi concentrado em alguns itens, principalmente combustíveis.

“No petróleo bruto tivemos um crescimento de [US$] 195 milhões em outubro do ano passado para [US$] 1,3 bilhão [...] mais da metade do crescimento para os Estados Unidos”, explicou Brandão, que também citou óleos combustíveis e carne bovina.

Contudo, ele argumentou que ainda não é correto afirmar que os efeitos do tarifaço de Trump tenham sido superados.

Apesar da recuperação das vendas, o Brasil continuou com uma balança comercial desfavorável com os Estados Unidos. Em outubro, as importações de mercadorias norte-americanas chegaram a US$ 5,10 bilhões, crescimento de 28,6%, resultando em um déficit comercial brasileiro de aproximadamente US$ 788 milhões.

China registra nova queda

Na direção contrária, as exportações para a China caíram pelo segundo mês consecutivo. Depois de uma redução de 7,6% em setembro, os embarques recuaram 5,3% em outubro, passando de US$ 9,07 bilhões para US$ 8,59 bilhões.

A queda ocorreu principalmente pela diminuição de 18,8% nas quantidades exportadas, parcialmente compensada pelo aumento de 11,3% nos preços médios dos produtos vendidos ao mercado chinês.

Apesar disso, a China continua sendo o principal destino das exportações brasileiras. Entre janeiro e outubro, o país asiático comprou US$ 93,10 bilhões em mercadorias brasileiras, crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025.

As importações brasileiras de produtos chineses também aumentaram. Em outubro, chegaram a US$ 7,53 bilhões, avanço de 17,1% na comparação anual, enquanto o superávit comercial do Brasil com a China ficou em aproximadamente US$ 1,06 bilhão.

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