Economia

Durigan diz que não discutiu permanência na Fazenda com Lula

Ministro marca posição no governo diante de especulações sobre mudanças na equipe econômica e conversas do presidente com André Lara Resende

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Caio Barcellos
O ministro da Fazenda, Dario Durigan | Divulgação/Paulo Pinto/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan | Divulgação/Paulo Pinto/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (3) que ainda não discutiu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma eventual mudança no comando da pasta para o próximo mandato.

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“Não, eu não tenho discutido isso [a sucessão], esse é o timing do presidente que eu obedeço. Tenho apresentado propostas e diagnósticos. Com críticas a algumas propostas fáceis que aparecem e reforçando a trajetória do que eu acredito”, declarou em entrevista coletiva na sede da pasta.
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Durigan também afirmou que as discussões sobre as medidas econômicas para o próximo mandato ainda não foram concluídas e que Lula precisará avaliar os cenários antes de tomar decisões.

Segundo ele, o governo pretende promover um ajuste fiscal gradual que preserve os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral, sem estabelecer, por enquanto, uma data para o anúncio das medidas.

Especulações sobre Lara Resende

Durigan voltou a dizer que Lula não tem reuniões agendadas com outros economistas, em meio às especulações sobre uma possível participação de André Lara Resende nas discussões sobre os rumos da política econômica.

“O presidente não tem agenda com outros economistas, ele tem tido agenda comigo. E nas agendas comigo, nós não estamos tratando de nada que justifique ao mercado ter uma posição de medo”, disse.

Lara Resende foi um dos formuladores do Plano Real e passou a defender, nos últimos anos, posições divergentes das de antigos colegas e da corrente predominante entre os economistas e o mercado financeiro, especialmente sobre a política de juros e o equilíbrio das contas públicas.

Para ele, os juros elevados são o principal fator de crescimento da dívida pública brasileira, e não os gastos primários do governo, que incluem despesas com saúde, educação, Previdência e programas sociais.

Em proposta recente, ele defendeu reduzir a taxa Selic dos atuais 13,75% para 7,5% ao ano em um período de 12 meses, além de criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, responsável por estabelecer metas conjuntas para as políticas fiscal e monetária.

A proposta também prevê um teto de aproximadamente 5,5% ao ano para os juros, equivalente à estimativa de crescimento nominal potencial da economia, e um piso de 3%, correspondente à meta de inflação -durante a transição, seria permitida uma margem temporária de dois pontos percentuais acima do teto, que seria gradualmente eliminada.

Banco Central

Segundo Durigan, as especulações sobre mudanças na composição da autoridade monetária são "precipitadas", uma vez que o tema ainda não foi tratado pelo presidente após a reeleição.

A declaração ocorre em meio às preocupações do mercado financeiro com os rumos da política monetária no próximo mandato de Lula e às especulações sobre possíveis mudanças nos critérios de escolha dos dirigentes do BC.

Para ele, não há motivos para antecipar uma mudança nos critérios utilizados pelo governo ou interpretar as futuras indicações como uma tentativa de interferência na condução da política monetária.

"Nós não tivemos nem espaço de conversar com o presidente sobre novas indicações para o Banco Central [...] Não há nenhuma mudança de perspectiva, mudança de avaliação ou de critério para essas indicações", afirmou o ministro.

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