Irã levanta possibilidade de EUA usarem arma nuclear
Vice-ministro das Relações Exteriores de Teerã diz que eventual ataque com esse tipo de armamento traria consequências regionais e globais
A
André de Sena
Irã | Reprodução
O vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais do Irã, Kazem Gharibabadi, levantou na segunda-feira (2) a possibilidade de um ataque nuclear contra o país. A declaração foi divulgada nesta terça-feira (3) pelo veículo de comunicação da mídia estatal de Teerã Press TV.
Gharibabadi disse a repórteres que, em caso de ataque nuclear, a República Islâmica do Irã "não está de mãos atadas" e que Teerã tomaria as medidas necessárias de acordo com tais circunstâncias.
“O Irã não ficaria de braços cruzados, limitando-se a buscar medidas legais em nível internacional caso armas nucleares fossem usadas contra o país”, disse, sem mencionar Estados Unidos ou Israel, que estão em guerra com o Irã desde 28 de fevereiro.
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O diplomata alertou que qualquer ameaça feita por uma entidade com armas nucleares afetaria a credibilidade do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Washington e Teerã são signatários desse documento, embora Tel Aviv não seja.
“Se o chefe de Estado, ou um funcionário militar ou político de um país com armas nucleares que seja signatário do tratado, ameaçasse usar tais armas, o regime do TNP deixaria de ter credibilidade”, declarou Gharibabadi.
De acordo com o ministro, isso poderia encorajar os países a tomarem as decisões necessárias para se defenderem de tais ameaças por todos os meios disponíveis, o que teria consequências regionais e globais.
No entanto, o diplomata observou que o Irã não havia recebido nenhuma posição oficial das autoridades dos Estados Unidos a respeito das ameaças relatadas por alguns veículos da mídia ocidental sobre o possível uso de armas nucleares contra a República Islâmica.
Em junho, o jornal inglês The Guardian publicou uma reportagem explicando a possibilidade técnica de Washington utilizar uma arma nuclear tática para destruir as instalações da usina de enriquecimento de urânio de Fordow, a cerca de 90 quilômetros de distância de Teerã. Apesar disso, o veículo ocidental ressaltou que o presidente americano, Donald Trump, não estava considerando essa opção.
Em outra declaração, Gharibabadi afirmou que o Irã acionou os mecanismos legais disponíveis para processar os ataques americano-israelenses que tiveram como alvo suas instalações nucleares.
O ministro iraniano também citou o "Plano de Sete Dias" que seu país apresentou aos Estados Unidos por meio de mediadores à margem da última reunião da Assembleia Geral da ONU, realizada no mês de setembro em Nova York. Trata-se de uma tentativa de encerrar as hostilidades no Oriente Médio.
Ele afirmou que as exigências do Irã eram claras e que um entendimento diplomático que levasse à reabertura do Estreito de Ormuz poderia ser alcançado caso elas fossem atendidas.
O diplomata acrescentou que essas exigências foram em grande parte refletidas pelo memorando de entendimento de Islamabad. Assinado por Teerã e Washington em junho, o documento determinava um cessar-fogo, mas logo foi desrespeitado por ambos os lados.
“Continuamos em estado de guerra e, da perspectiva da República Islâmica, a agressão contra o nosso país não terminou”, disse Gharibabadi.
O ministro afirmou que o Irã mantém seu direito à autodefesa até que a agressão militar termine completa e permanentemente e pediu que, caso os Estados Unidos busquem genuinamente uma solução diplomática, respeitem o cronograma e as exigências de Teerã.
Ele também ressaltou que o governo iraniano abordaria as negociações com a mesma seriedade que espera dos americanos, mas estaria pronto para se defender caso a Casa Branca optasse por outros cenários.
Em seu discurso, o diplomata também disse que o Ministério das Relações Exteriores se esforça para dar prosseguimento aos processos judiciais em tribunais internacionais sobre a morte do líder supremo do Irã Ali Khamenei, assassinado no primeiro dia de ataques norte-americanos, e sobre o ataque dos Estados Unidos que afundou a fragata iraniana IRIS Dena, que navegava em águas internacionais.
Além disso, Gharibabadi afirmou que as eleições americanas não afetam a política externa do Irã: "Tomamos decisões e agimos com base no que consideramos ser do interesse do nosso país e da sua segurança nacional, sem sermos influenciados por fatores externos."
Irã levanta possibilidade de EUA usarem arma nuclearVice-ministro das Relações Exteriores de Teerã diz que eventual ataque com esse tipo de armamento traria consequências regionais e globaisMundo2026-11-03T13:32:15.960ZO vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais do Irã, Kazem Gharibabadi, levantou na segunda-feira (2) a possibilidade de um ataque nuclear contra o país. A declaração foi divulgada nesta terça-feira (3) pelo veículo de comunicação da mídia estatal de Teerã Press TV. Gharibabadi disse a repórteres que, em caso de ataque nuclear, a República Islâmica do Irã "não está de mãos atadas" e que Teerã tomaria as medidas necessárias de acordo com tais circunstâncias. “O Irã não ficaria de braços cruzados, limitando-se a buscar medidas legais em nível internacional caso armas nucleares fossem usadas contra o país”, disse, sem mencionar Estados Unidos ou Israel, que estão em guerra com o Irã desde 28 de fevereiro. O diplomata alertou que qualquer ameaça feita por uma entidade com armas nucleares afetaria a credibilidade do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Washington e Teerã são signatários desse documento, embora Tel Aviv não seja. “Se o chefe de Estado, ou um funcionário militar ou político de um país com armas nucleares que seja signatário do tratado, ameaçasse usar tais armas, o regime do TNP deixaria de ter credibilidade”, declarou Gharibabadi. De acordo com o ministro, isso poderia encorajar os países a tomarem as decisões necessárias para se defenderem de tais ameaças por todos os meios disponíveis, o que teria consequências regionais e globais. No entanto, o diplomata observou que o Irã não havia recebido nenhuma posição oficial das autoridades dos Estados Unidos a respeito das ameaças relatadas por alguns veículos da mídia ocidental sobre o possível uso de armas nucleares contra a República Islâmica. Em junho, o jornal inglês The Guardian publicou uma reportagem explicando a possibilidade técnica de Washington utilizar uma arma nuclear tática para destruir as instalações da usina de enriquecimento de urânio de Fordow, a cerca de 90 quilômetros de distância de Teerã. Apesar disso, o veículo ocidental ressaltou que o presidente americano, Donald Trump, não estava considerando essa opção. Em outra declaração, Gharibabadi afirmou que o Irã acionou os mecanismos legais disponíveis para processar os ataques americano-israelenses que tiveram como alvo suas instalações nucleares. Plano de Sete Dias O ministro iraniano também citou o "Plano de Sete Dias" que seu país apresentou aos Estados Unidos por meio de mediadores à margem da última reunião da Assembleia Geral da ONU, realizada no mês de setembro em Nova York. Trata-se de uma tentativa de encerrar as hostilidades no Oriente Médio. Ele afirmou que as exigências do Irã eram claras e que um entendimento diplomático que levasse à reabertura do Estreito de Ormuz poderia ser alcançado caso elas fossem atendidas. O diplomata acrescentou que essas exigências foram em grande parte refletidas pelo memorando de entendimento de Islamabad. Assinado por Teerã e Washington em junho, o documento determinava um cessar-fogo, mas logo foi desrespeitado por ambos os lados. “Continuamos em estado de guerra e, da perspectiva da República Islâmica, a agressão contra o nosso país não terminou”, disse Gharibabadi. O ministro afirmou que o Irã mantém seu direito à autodefesa até que a agressão militar termine completa e permanentemente e pediu que, caso os Estados Unidos busquem genuinamente uma solução diplomática, respeitem o cronograma e as exigências de Teerã. Ele também ressaltou que o governo iraniano abordaria as negociações com a mesma seriedade que espera dos americanos, mas estaria pronto para se defender caso a Casa Branca optasse por outros cenários. Morte de Ali Khamenei Em seu discurso, o diplomata também disse que o Ministério das Relações Exteriores se esforça para dar prosseguimento aos processos judiciais em tribunais internacionais sobre a morte do líder supremo do Irã Ali Khamenei, assassinado no primeiro dia de ataques norte-americanos, e sobre o ataque dos Estados Unidos que afundou a fragata iraniana IRIS Dena, que navegava em águas internacionais. Além disso, Gharibabadi afirmou que as eleições americanas não afetam a política externa do Irã: "Tomamos decisões e agimos com base no que consideramos ser do interesse do nosso país e da sua segurança nacional, sem sermos influenciados por fatores externos."São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/ira-levanta-possibilidade-de-eua-usarem-arma-nuclear
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