Dólar tem pior semana em quase dois anos e fecha perto de R$ 5
Moeda norte-americana renovou o menor nível de fechamento em mais de dois anos, desde o dia 9 de abril de 2024


Exame.com
O dólar à vista encerrou as negociações desta sexta-feira (10), em queda de 1,03%, cotado a R$ 5,0115, após oscilar entre R$ 5,005 na mínima e R$ 5,0640 na máxima do dia. Com o resultado, a moeda americana renovou o menor nível de fechamento em mais de dois anos, desde 9 de abril de 2024, quando havia terminado o pregão a R$ 5,007.
Na véspera, o câmbio já havia fechado no menor patamar em dois anos, a R$ 5,062, com recuo de 0,78%, consolidando a trajetória de queda observada ao longo da semana.
No acumulado semanal, o dólar recuou 2,88%, registrando seu pior desempenho desde o início de agosto de 2024, quando havia caído 3,86% no período.
O movimento recente foi influenciado por uma combinação de fatores externos e domésticos. No cenário internacional, a trégua temporária após semanas de conflito entre Estados Unidos e Irã reduziu a aversão ao risco global, apesar de frágil.
As negociações entre os dois países devem avançar neste fim de semana, com encontros previstos em Islamabad, no Paquistão, ainda sob um ambiente de forte tensão e declarações duras de ambos os lados, incluindo alertas sobre o controle do Estreito de Ormuz e condições para um acordo mais amplo.
Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar caiu pelo terceiro dia consecutivo, refletindo esse alívio geopolítico e o fortalecimento do real. Segundo ele, a perspectiva de avanço nas conversas entre EUA e Irã diminuiu a demanda por ativos de proteção no exterior.
Shahini também destaca que, nos Estados Unidos, a inflação ao consumidor (CPI) veio em linha com o esperado, com núcleos mais fracos, sem alterar de forma relevante as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), atualmente precificados apenas para 2027.
No Brasil, por outro lado, o IPCA acima das expectativas reforçou a postura cautelosa do Banco Central, elevando o diferencial de juros projetado e favorecendo a entrada de capital estrangeiro, especialmente para a renda fixa.
O índice oficial da inflação brasileira registrou alta de 0,88% em março, acima das expectativas de mercado, que apontavam para avanço de 0,77%. "Esse ambiente favoreceu a entrada de capital estrangeiro também na Bolsa, amplificando a força do real", disse o operador.
Petróleo cai com expectativa de reunião EUA-Irã
Após um dia de forte volatilidade, os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta sexta-feira, pressionados pela expectativa em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã.
O Brent para junho recuou 0,75%, a US$ 95,20 por barril, na ICE, enquanto o WTI para maio caiu 1,33%, a US$ 96,57 por barril, na Nymex.
Na semana, as perdas foram expressivas: 12,68% para o Brent e 13,42% para o WTI, refletindo principalmente o impacto do anúncio de cessar-fogo temporário no início da semana — que reduziu os prêmios de risco no mercado de energia após semanas de tensão elevada.









