Economia

Dólar caminha para pior semana desde junho após idas e vindas de Trump

Com instabilidade política nos EUA e Fed no radar, moeda americana cai 4,83% em janeiro e perde força globalmente

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Exame.com
23/01/2026, 11:25 • Atualizado em 23/01/2026, 11:27
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Dólar | Reprodução/Freepik

Dólar | Reprodução/Freepik

Parecia só mais uma semana agitada no câmbio — até o dólar tropeçar nos próprios fundamentos e se encaminhar para o pior desempenho desde junho. Entre idas e vindas de tarifas, promessas de nomeação para o Federal Reserve (Fed) e incertezas diplomáticas, a moeda americana perdeu fôlego e fechou a semana com queda de 0,8% no Bloomberg Dollar Spot Index.

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Na sexta-feira (23), o índice caiu para o menor nível em três semanas. O cenário é marcado por volatilidade elevada antes da decisão de política monetária do Fed, marcada para 28 de janeiro.

Até agora, a moeda americana mantém a trajetória de enfraquecimento global. Até 23 de janeiro, o dólar acumula queda de 0,58% no mês, segundo o índice DXY. Em 2025, o recuo foi de 8,61% — o pior em cinco décadas —, com queda de 9,5% no DXY.

Política externa instável pesa sobre o câmbio

Investidores enfrentaram uma semana instável após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar tarifas contra a Europa em meio à disputa pela Groenlândia e recuar dias depois após acordo com a Otan em Davos.

As reações do mercado foram imediatas: opções de venda contra o dólar dispararam e operadores passaram a pagar prêmio por proteção contra novas perdas da moeda. O comportamento representa uma reversão completa em relação à semana anterior, quando o otimismo com o dólar estava no nível mais alto desde novembro.

Mesmo com os rendimentos dos Treasuries em alta, o dólar segue em queda. Para analistas, os riscos políticos pesam mais que os fatores monetários no curto prazo.

O mercado precifica duas reduções de 0,25 ponto percentual nos juros americanos ao longo de 2026. Para a reunião da próxima semana, a expectativa majoritária é de manutenção. Ainda assim, a volatilidade de curto prazo subiu ao maior patamar em mais de um mês.

A indefinição sobre a sucessão no comando do Fed alimenta o cenário. Trump declarou ter finalizado as entrevistas para o cargo e já teria um nome em mente, o que reacende dúvidas sobre a autonomia do banco central.

E o real?

No Brasil, o dólar segue em baixa. Até 23 de janeiro, a moeda americana caiu 4,83% em relação ao real. A cotação recuou de R$ 5,52 no início do mês para R$ 5,28 nesta sexta-feira. A menor cotação do ano foi registrada ontem: R$ 5,28.

O real acumula valorização de 10,49% em 12 meses, apoiado por:

  • Taxa Selic em 15% ao ano, atraindo capital estrangeiro;
  • Superávit comercial robusto em 2025 (US$ 68,3 bilhões); e
  • Expectativas de corte de juros nos EUA, enfraquecendo o dólar globalmente.

Projeções para o câmbio em 2026

As previsões apontam para um real valorizado ao longo do ano. O Bank of America projeta dólar a R$ 5,25; o Itaú Unibanco, a R$ 5,50; e o BNP Paribas vê a possibilidade de R$ 5,60 no terceiro trimestre, antes de nova apreciação pós-eleições.

O UBS estima dólar em R$ 4,90 ainda em 2026, com chance de estabilização abaixo de R$ 5. O desempenho do real dependerá da continuidade de políticas econômicas favoráveis e da entrada de investimento estrangeiro direto.

Com política fiscal americana pressionada, Fed sob escrutínio político e a economia global se reorganizando, o dólar perde o status de refúgio absoluto — e, ao que tudo indica, o real continua se aproveitando disso.

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