Dólar fecha em queda a R$ 5,28, menor valor desde novembro de 2025
Movimento refletiu um ambiente mais favorável à tomada de risco nos mercados globais, que beneficiou moedas de países emergentes


Exame.com
Terminadas as negociações desta quinta-feira(22), o dólar à vista registrou desvalorização de 0,67%, cotado a R$ 5,2840. Trata-se do menor patamar de fechamento desde 11 de novembro de 2025, quando a moeda americana encerrou o dia a R$ 5,2727 — valor que também marcou o menor fechamento do dólar no ano passado.
O movimento refletiu um ambiente mais favorável à tomada de risco nos mercados globais, que beneficiou moedas de países emergentes.
Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o principal vetor foi a reação positiva dos mercados aos comentários recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sinalizou um tom mais brando em relação à Groenlândia, especialmente no que diz respeito à possibilidade de uso de força militar.
A redução das tensões geopolíticas contribuiu para trazer mais calma ao mercado desde a véspera e estimulou a busca por ativos de risco. Nesse cenário, as bolsas passaram a registrar desempenho positivo, enquanto os mercados emergentes acompanharam o movimento. "A gente viu a bolsa performando positivamente e os emergentes surfando bem essa onda", afirmou o estrategista.
Repercussão do PIB e da inflação americana
Os dados econômicos divulgados nos Estados Unidos também reforçaram o apetite por risco. O Produto Interno Bruto (PIB) americano cresceu 4,4% no terceiro trimestre de 2025, em termos anualizados, segundo o Bureau of Economic Analysis. O resultado ficou ligeiramente acima da leitura anterior, de 4,3%, e representa o ritmo mais forte de crescimento em dois anos.
A expansão da atividade foi impulsionada por exportações mais robustas, menor retração dos estoques e pela resiliência do consumo das famílias e dos investimentos corporativos. O consumo avançou 3,5% no trimestre, com destaque para os serviços, no melhor desempenho em três anos, além da aceleração nas compras de bens.
Já os investimentos das empresas cresceram 3,2%, com foco em equipamentos de tecnologia e na construção de data centers, que atingiu nível recorde. O setor habitacional, por outro lado, recuou 7,1%.
Para Alves, a segunda leitura do PIB confirmou um crescimento saudável da economia americana, com destaque para o consumo e os investimentos em tecnologia, especialmente ligados à inteligência artificial. Ele também ressaltou o avanço das exportações e a redução das importações como fatores que contribuíram para o resultado.
Outro indicador acompanhado pelos investidores foi a inflação medida pelo núcleo do índice de preços de despesas com consumo (PCE), que subiu 2,9%. Como o dado veio em linha com o esperado, teve impacto limitado sobre os juros, o que contribuiu para uma acomodação da curva após as recentes altas.
Com crescimento firme e inflação ainda acima da meta, o cenário reforça a expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) na reunião da próxima semana.
No cenário doméstico, o recesso do Congresso Nacional também ajudou a reduzir ruídos no noticiário político, fator que, segundo o estrategista, tende a ser positivo para o real.
Alves destacou ainda que o dólar abaixo de R$ 5,30 chama a atenção dos investidores, considerando que o país ainda enfrenta desafios como o cenário fiscal e o ambiente eleitoral, que seguem no radar e podem voltar a influenciar a taxa de câmbio.
O que é o dólar à vista
O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é bastante utilizado em operações de curto prazo feitas por empresas e instituições financeiras.
A cotação do dólar à vista reflete o valor real de mercado no momento da transação, oferecendo transparência para quem precisa fechar negócios com rapidez.
O que é o dólar futuro
O dólar futuro corresponde a contratos de compra e venda da moeda para liquidação em uma data futura. Essa modalidade é negociada na Bolsa de Valores e ajuda empresas e investidores a se protegerem da volatilidade cambial.
Sua cotação varia conforme as expectativas do mercado em relação à economia, podendo se distanciar bastante do dólar à vista em momentos de incerteza.









