Dólar cai após Trump ameaçar Europa por disputa pela Groenlândia
Tensão entre EUA e Europa pressiona mercados e deve dominar o Fórum Econômico Mundial em Davos
Exame.com
Dólar (Valter Campanato/Agência Brasil)
O dólar sofria um baque na manhã desta segunda-feira (19), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar impor tarifas a oito países europeus por apoiarem a soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia.
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Os futuros do S&P 500 recuavam 0,8%, os do Nasdaq, 1,1%, e o Bloomberg Dollar Spot Index caía 0,1%. Moedas consideradas porto seguro, como o iene e o franco suíço, se fortaleciam. Ouro e prata batiam recordes.
O impacto foi ampliado por um feriado nos EUA, que manteve os mercados de títulos fechados e reduziu a liquidez global.
Tarifas sobre aliados e ameaça à interdependência
Trump afirmou que, a partir de 1º de fevereiro, pretende aplicar tarifas de 10% sobre produtos da França, Alemanha, Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia, podendo elevar a taxa para 25% em junho. A justificativa: pressionar a Dinamarca a negociar a venda da Groenlândia.
Os países da União Europeia classificaram a ameaça como coerção econômica e iniciaram discussões sobre possíveis retaliações. Entre as opções estão tarifas suspensas sobre 93 bilhões de euros em importações dos EUA e restrições a serviços e investimentos norte-americanos.
Segundo o Deutsche Bank, governos europeus detêm US$ 8 trilhões em ativos nos EUA, valor que poderia ser parcialmente repatriado como contragolpe financeiro.
“O risco hoje não está apenas no comércio, mas na instrumentalização de fluxos de capital”, afirmou George Saravelos, chefe de câmbio do banco, de acordo com a Reuters.
A crescente incerteza sobre a política externa dos EUA vem pesando sobre o dólar. Para Chris Weston, da Pepperstone, em entrevista à Bloomberg, a moeda americana passou a carregar um prêmio de risco político elevado, o que tende a reduzir a exposição de investidores internacionais a ativos dos EUA.
Efeito em Davos e nas próximas decisões econômicas
O aumento da tensão ocorre às vésperas do Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde Trump lidera a delegação dos EUA. A expectativa é que o tema domine conversas bilaterais e discursos públicos.
Na China, dados divulgados na noite de domingo mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 4,5% no quarto trimestre de 2025, superando projeções, enquanto o consumo interno segue fraco. No Japão, o Banco Central se reúne nesta sexta-feira, com possibilidade de sinalizar alta de juros em abril.
Nos EUA, o mercado aguarda para quinta-feira os dados de inflação e consumo de novembro, que servirão como base para avaliar os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
Dólar cai após Trump ameaçar Europa por disputa pela GroenlândiaTensão entre EUA e Europa pressiona mercados e deve dominar o Fórum Econômico Mundial em DavosEconomia2026-01-19T11:01:37.191ZO dólar sofria um baque na manhã desta segunda-feira (19), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar impor tarifas a oito países europeus por apoiarem a soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia. A medida gerou fuga de investidores de ativos norte-americanos e reacendeu temores de um novo ciclo de isolacionismo econômico dos Estados Unidos. + Os futuros do S&P 500 recuavam 0,8%, os do Nasdaq, 1,1%, e o Bloomberg Dollar Spot Index caía 0,1%. Moedas consideradas porto seguro, como o iene e o franco suíço, se fortaleciam. Ouro e prata batiam recordes. O impacto foi ampliado por um , que manteve os mercados de títulos fechados e reduziu a liquidez global. Tarifas sobre aliados e ameaça à interdependência Trump afirmou que, a partir de 1º de fevereiro, pretende aplicar tarifas de 10% sobre produtos da França, Alemanha, Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia, podendo elevar a taxa para 25% em junho. A justificativa: pressionar a Dinamarca a negociar a venda da Groenlândia. Os países da União Europeia classificaram a ameaça como coerção econômica e iniciaram discussões sobre possíveis retaliações. Entre as opções estão tarifas suspensas sobre 93 bilhões de euros em importações dos EUA e restrições a serviços e investimentos norte-americanos. Segundo o Deutsche Bank, governos europeus detêm US$ 8 trilhões em ativos nos EUA, valor que poderia ser parcialmente repatriado como contragolpe financeiro. “O risco hoje não está apenas no comércio, mas na instrumentalização de fluxos de capital”, afirmou George Saravelos, chefe de câmbio do banco, de acordo com a Reuters. A crescente incerteza sobre a política externa dos EUA vem pesando sobre o dólar. Para Chris Weston, da Pepperstone, em entrevista à Bloomberg, a moeda americana passou a carregar um prêmio de risco político elevado, o que tende a reduzir a exposição de investidores internacionais a ativos dos EUA. Efeito em Davos e nas próximas decisões econômicas O aumento da tensão ocorre às vésperas do Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde Trump lidera a delegação dos EUA. A expectativa é que o tema domine conversas bilaterais e discursos públicos. Na China, dados divulgados na noite de domingo mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 4,5% no quarto trimestre de 2025, superando projeções, enquanto o consumo interno segue fraco. No Japão, o Banco Central se reúne nesta sexta-feira, com possibilidade de sinalizar alta de juros em abril. + Nos EUA, o mercado aguarda para quinta-feira os dados de inflação e consumo de novembro, que servirão como base para avaliar os próximos passos do Federal Reserve (Fed).São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/dolar-cai-apos-trump-ameacar-europa-por-disputa-pela-groenlandia
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