Marília Arraes acena ao primo João Campos e quer sair candidata ao Senado pelo PDT
Ao SBT News, neta de Miguel Arraes disse articular para ser segundo nome da chapa; Humberto Campos (PT) deve disputar reeleição



José Matheus Santos
Victor Schneider
Batendo na trave na disputa a prefeita do Recife em 2020 e governadora de Pernambuco em 2022, a ex-deputada Marília Arraes disse ao SBT News nesta quinta-feira (5) que articula para se lançar ao Senado na chapa a governador do primo João Campos (PSB).
Atualmente no Solidariedade, Marília confirmou que está em processo de migração para o PDT, acordo que deve ser selado na ida a Pernambuco do presidente do partido e ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, na próxima quinta (12). A janela partidária abriu hoje e vai até 3 de abril.
A articulação de Campos, atual prefeito do Recife, põe como certa a candidatura à reeleição do senador Humberto Costa (PT-PE). O segundo nome está em aberto entre o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) e Marília, que pressiona por uma chapa pura de esquerda.
"Eu me preocupo muito mais em ter um outro senador que não seja do nosso campo político e que não defenda o presidente Lula do que em ser avulso ou não, estar em chapa ou não estar. Eu quero dois senadores de Pernambuco que defendam Lula, que defendam um projeto popular para o Brasil", afirmou.
Ela entende que, em uma disputa onde os eleitores têm direito a dois votos para senador, um nome mais proeminente puxa a candidatura de outro da mesma linha ideológica. "Se existe uma candidata forte à esquerda, a tendência é que os eleitores que tem o primeiro voto nessa candidatura forte deem seu voto em uma outra à esquerda também", avaliou.
Pesquisa Datafolha do início de fevereiro mostrou Marília variando de 36% a 41% das intenções de voto para o Senado, enquanto Humberto ia de 24% a 26%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código PE-09595/2026.
Enquanto João Campos é bisneto de Miguel Arraes, Marília é neta do ex-governador e carrega no sobrenome o legado de uma das principais figuras políticas de Pernambuco e patrono do PSB. Morto em 2005, Arraes governou o estado em três ocasiões, passou pelo exílio durante a ditadura e retornou como deputado.
Embora tenha tido atritos com o primo na disputa que levou ambos ao segundo turno das eleições à Prefeitura do Recife em 2020, Marília diz ter feito as pazes e não compreender a razão de ser aventada como candidata avulsa — ou seja, fora da chapa.
"Tenho sido bastante correta com João Campos. A gente selou uma aliança que iniciou um diálogo lá em 2022 quando eu disputei o segundo turno para o governo do Estado, e temos tido uma relação muito boa", afirmou.
Marília, porém, não fechou as portas para uma aliança com a atual governadora Raquel Lyra (PSD), que defenderá o mandato contra Campos para seguir no Palácio do Campo das Princesas. Esse martelo, segundo ela, será batido pelo PDT, embora diga não ter conversado pessoalmente com Lyra desde a pré-campanha de 2022.









