Judiciário e Legislativo precisam de reformas, diz presidente do PT
Ao SBT News, Edinho Silva defende apuração técnica nos casos Master e Lulinha, nega interferência de Lula na PF e avalia cenário eleitoral

Vicklin Moraes
O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, defendeu nesta quarta-feira (4) reformas no Judiciário e no Legislativo e afirmou que investigações envolvendo o sistema financeiro e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, devem ocorrer de forma técnica, sem politização. Em entrevista ao SBT News, Edinho disse que o aprimoramento das instituições é necessário para fortalecer a democracia.
“Nós defendemos a democracia e queremos que as instituições funcionem. Claro que precisam se aperfeiçoar”, afirmou. Segundo ele, Executivo, Legislativo e Judiciário devem evoluir para reduzir “as contradições entre Estado e sociedade”.
Sistema financeiro e Banco Master
Ao comentar denúncias envolvendo o sistema financeiro, incluindo o caso do Banco Master, Edinho defendeu apuração serena e técnica. Nesta quarta-feira (4), Daniel Vorcaro foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal apontou que um ex-diretor e um ex-chefe de departamento do Banco Central teriam recebido dinheiro e outras vantagens indevidas do banqueiro.
“Nós estamos diante de denúncias graves. Nós temos o sistema financeiro com a maior credibilidade do mundo, que é o sistema financeiro brasileiro. Nós passamos por diversas crises — crises graves, crises menos graves —, mas o sistema financeiro brasileiro sempre saiu fortalecido, porque tem credibilidade. Se nós temos denúncias de manipulação do sistema financeiro, de quebra de regras, de normas e regulamentos financeiros, nós temos que apurar de forma muito tranquila e normal, porque é assim que se faz na democracia”, declarou.
Ele acrescentou que o sistema financeiro sustenta operações cotidianas da população, como o PIX e aplicações financeiras, e não pode ser “maculado por disputas políticas”.
Caso Lulinha
Edinho também comentou a citação de Lulinha em investigações da Polícia Federal sobre supostas fraudes no INSS. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS aprovou a quebra de sigilos bancário e fiscal do empresário.
Um dos pontos apurados envolve um possível pagamento de R$ 300 mil feito por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
“Se há alguma dúvida sobre o posicionamento ou a conduta do Fábio, que é filho do presidente, a postura é que ele seja investigado como qualquer outro cidadão brasileiro. Se investigue e comprove se o Fábio tem alguma relação no caso. As denúncias sobre ele envolvem o INSS; se investigue se ele tem relação ou não. Agora, se não tiver, o que nós queremos é que se venha a público e diga: ‘Olha, não tem nada. Nada foi encontrado ou comprovado’", afirmou.
Segundo Edinho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não interfere em investigações. “Ninguém poderá dizer que Lula tentou acobertar qualquer apuração.”
Alianças, impasses regionais e 2026
De olho na disputa eleitoral do fim do ano, Edinho confirmou que o PT trabalha para manter o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na chapa de reeleição de Lula, classificando a legenda socialista como uma "aliada estratégica".
A declaração de alinhamento nacional, no entanto, contrasta com as tensões regionais entre os dois partidos. No Ceará, por exemplo, o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT), articula uma candidatura ao Senado na chapa encabeçada pelo governador Elmano de Freitas (PT).
A vaga, contudo, é alvo de intensa disputa e envolve aliados de peso: o ex-senador Eunício Oliveira (MDB) pleiteia o espaço, enquanto o senador Cid Gomes (PSB) tem dialogado frequentemente com o ministro Camilo Santana (Educação) para emplacar o nome do deputado federal Júnior Mano (PSB) na chapa majoritária.
Questionado sobre o futuro de outros quadros petistas, Edinho afirmou que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem capital político para disputar "qualquer cargo" e que uma eventual candidatura ao governo de São Paulo seria “extremamente viável”.
Pesquisas eleitorais
O presidente do PT minimizou o atual cenário nacional medido pelos institutos de pesquisa, que apontam uma disputa apertada entre Lula e a oposição, como o senador Flávio Bolsonaro (PL). em um eventual segundo turno. Para Edinho, os números do início do ano não sentenciam o resultado das urnas.
“Pesquisa é fotografia. A sociedade fotografada em fevereiro está muito longe de ser a sociedade que será fotografada em outubro. Houve desgaste recente, mas vejo isso como um processo transitório”, avaliou.
A aposta do PT, segundo ele, é a melhora dos indicadores macroeconômicos até o pleito. Edinho sustentou que a gestão petista tem entregado crescimento do PIB, queda contínua do desemprego e aumento da renda dos trabalhadores, classificando a provável reeleição como a “vitória da democracia contra o pensamento autoritário”.









