BNDES estuda mudanças na gestão dos clubes de futebol
Mercadante cita endividamento dos times e diz que banco analisa experiências internacionais para propor melhorias no futebol brasileiro
Caio Barcellos
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta segunda-feira (14) que o centro de estudos estratégicos em criação na instituição terá entre seus temas a gestão do futebol brasileiro
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Em evento do Grupo Esfera, em São Paulo, ele criticou o endividamento dos clubes e defendeu mudanças para fortalecer o futebol como instrumento de “soft power”, a capacidade de um país exercer influência internacional por meio da cultura e de sua imagem.
“Nós estamos estudando o futebol brasileiro. Nós temos que mudar o modelo de gestão do futebol [...] Nós temos talento e falta gestão. Os times se endividam sem nenhuma regra de prudência. Então, nós estamos estudando as experiências internacionais”, afirmou.
O trabalho integra um centro de estudos estratégicos em criação no BNDES, que também deve analisar temas como minerais críticos e projetos de infraestrutura.
Mercadante não apresentou prazo para a conclusão do estudo nem detalhou as medidas em avaliação. Ele também não mencionou o sistema de controle financeiro da CBF ou esclareceu se o trabalho avaliará as regras existentes ou linhas de crédito para quitar dívidas dos clubes.
Receitas recordes e dívidas elevadas
O debate ocorre em um momento de expansão das receitas do futebol brasileiro, acompanhada pelo aumento dos gastos e pela persistência de dívidas elevadas
Segundo levantamento da consultoria Sports Value, os 20 clubes de maior faturamento do país somaram R$ 15 bilhões em receitas em 2025, alta de 36% em relação ao ano anterior, impulsionada por transferências de jogadores, direitos de transmissão, patrocínios e arrecadação nos estádios.
Apesar da arrecadação recorde, as dívidas chegaram a R$ 16 bilhões, ante R$ 13,8 bilhões em 2024, um aumento de 16%. As despesas financeiras com empréstimos e atualização de débitos tributários superaram R$ 2,9 bilhões no ano, enquanto as obrigações tributárias somaram R$ 3,5 bilhões, equivalentes a 22% do endividamento.
A Sports Value aponta que o avanço das receitas foi acompanhado pelo crescimento dos custos com salários, contratações e manutenção das atividades do futebol. O conjunto dos clubes voltou a registrar déficit, pois os resultados positivos de Flamengo e Palmeiras compensaram apenas parte das perdas dos demais.
“Diante dos juros extremamente elevados no Brasil, os clubes deveriam reduzir a alavancagem financeira e os níveis de dívida para destinar recursos de maneira mais eficiente e produtiva”, afirma a consultoria.
O Corinthians liderou o ranking de dívidas, com R$ 2,44 bilhões, seguido pelo Atlético-MG, com R$ 2,29 bilhões. O Botafogo apareceu em terceiro, com R$ 1,57 bilhão, após um aumento de 81% em relação a 2024. Cruzeiro e Palmeiras completaram os cinco primeiros, com R$ 1,15 bilhão e R$ 1,14 bilhão, respectivamente.
Futebol já tem regras de controle financeiro
Embora Mercadante tenha criticado a falta de prudência no endividamento, o futebol brasileiro já conta com um sistema de sustentabilidade financeira voltado aos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro
O regulamento estabelece exigências sobre pagamento de obrigações, equilíbrio entre receitas e despesas e controle dos custos dos elencos, além de prever sanções.
A fiscalização cabe à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), que também inclui o controle das dívidas entre seus eixos de atuação. O objetivo é acompanhar a capacidade dos clubes de cumprir compromissos e evitar que gastos sem sustentação financeira comprometam suas atividades
BNDES estuda mudanças na gestão dos clubes de futebolMercadante cita endividamento dos times e diz que banco analisa experiências internacionais para propor melhorias no futebol brasileiroEconomia2026-09-14T18:19:08.166ZO presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta segunda-feira (14) que o centro de estudos estratégicos em criação na instituição terá entre seus temas a gestão do futebol brasileiro Em evento do Grupo Esfera, em São Paulo, ele criticou o endividamento dos clubes e defendeu mudanças para fortalecer o futebol como instrumento de “soft power”, a capacidade de um país exercer influência internacional por meio da cultura e de sua imagem. “Nós estamos estudando o futebol brasileiro. Nós temos que mudar o modelo de gestão do futebol [...] Nós temos talento e falta gestão. Os times se endividam sem nenhuma regra de prudência. Então, nós estamos estudando as experiências internacionais”, afirmou. O trabalho integra um centro de estudos estratégicos em criação no BNDES, que também deve analisar temas como minerais críticos e projetos de infraestrutura. Mercadante não apresentou prazo para a conclusão do estudo nem detalhou as medidas em avaliação. Ele também não mencionou o sistema de controle financeiro da CBF ou esclareceu se o trabalho avaliará as regras existentes ou linhas de crédito para quitar dívidas dos clubes. Receitas recordes e dívidas elevadas O debate ocorre em um momento de expansão das receitas do futebol brasileiro, acompanhada pelo aumento dos gastos e pela persistência de dívidas elevadas Segundo levantamento da consultoria Sports Value, os 20 clubes de maior faturamento do país somaram R$ 15 bilhões em receitas em 2025, alta de 36% em relação ao ano anterior, impulsionada por transferências de jogadores, direitos de transmissão, patrocínios e arrecadação nos estádios. Apesar da arrecadação recorde, as dívidas chegaram a R$ 16 bilhões, ante R$ 13,8 bilhões em 2024, um aumento de 16%. As despesas financeiras com empréstimos e atualização de débitos tributários superaram R$ 2,9 bilhões no ano, enquanto as obrigações tributárias somaram R$ 3,5 bilhões, equivalentes a 22% do endividamento. A Sports Value aponta que o avanço das receitas foi acompanhado pelo crescimento dos custos com salários, contratações e manutenção das atividades do futebol. O conjunto dos clubes voltou a registrar déficit, pois os resultados positivos de Flamengo e Palmeiras compensaram apenas parte das perdas dos demais. “Diante dos juros extremamente elevados no Brasil, os clubes deveriam reduzir a alavancagem financeira e os níveis de dívida para destinar recursos de maneira mais eficiente e produtiva”, afirma a consultoria. O Corinthians liderou o ranking de dívidas, com R$ 2,44 bilhões, seguido pelo Atlético-MG, com R$ 2,29 bilhões. O Botafogo apareceu em terceiro, com R$ 1,57 bilhão, após um aumento de 81% em relação a 2024. Cruzeiro e Palmeiras completaram os cinco primeiros, com R$ 1,15 bilhão e R$ 1,14 bilhão, respectivamente. Futebol já tem regras de controle financeiro Embora Mercadante tenha criticado a falta de prudência no endividamento, o futebol brasileiro já conta com um sistema de sustentabilidade financeira voltado aos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro O regulamento estabelece exigências sobre pagamento de obrigações, equilíbrio entre receitas e despesas e controle dos custos dos elencos, além de prever sanções. A fiscalização cabe à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), que também inclui o controle das dívidas entre seus eixos de atuação. O objetivo é acompanhar a capacidade dos clubes de cumprir compromissos e evitar que gastos sem sustentação financeira comprometam suas atividadesSão PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/bndes-estuda-mudancas-na-gestao-dos-clubes-de-futebol
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