Emagrecer com remédio: tem que tomar para sempre? Entenda
Especialista orienta uso seguro de medicamentos para manter os resultados sem colocar a saúde em risco
Brazil Health
Canetas emagrecedoras: tem que tomar para sempre? Entenda | Reprodução
Para falar sobre tratamento, primeiro precisamos entender a doença. A obesidade não é falta de força de vontade: é uma doença crônica, complexa e recidivante. Crônica porque exige cuidado ao longo da vida; sem cura definitiva, porque pode ser controlada, mas não simplesmente “apagada”; e recidivante porque pode voltar a se manifestar, mesmo depois de grande perda de peso. Isso não é fracasso pessoal – é parte da biologia da doença. É importante lembrar: medicamentos são tratamentos, não uma cura.
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O mesmo vale para a cirurgia bariátrica: embora seja uma ferramenta potente e possa proporcionar controle mais duradouro, também não elimina definitivamente a doença e exige acompanhamento contínuo.
As chamadas canetas emagrecedoras estão em evidência, mas o termo reduz sua importância. Medicamentos baseados na ação do GLP-1, como a semaglutida, e do GIP/GLP-1, como a tirzepatida, revolucionaram o tratamento da obesidade. Quando bem indicados, seus benefícios podem ir muito além da balança: melhoram a mobilidade e a qualidade de vida e, conforme o medicamento e o perfil do paciente, reduzem riscos metabólicos e cardiovasculares. Como endocrinologista, tenho visto pessoas mais saudáveis, confiantes e retomando atividades.
Por que não é “milagre” e nem serve para todo mundo
Mas não são produtos milagrosos, nem servem para todos. Exigem avaliação médica, acompanhamento e atenção a efeitos adversos e contraindicações. Estudos clínicos demonstram sua eficácia, um perfil de segurança conhecido e benefícios à saúde quando usados com indicação e acompanhamento. Isso não se aplica a produtos clandestinos: sem garantia de composição, dose ou armazenamento, eles podem ser falsificados ou adulterados e colocar a saúde em risco.
Vou precisar usar para sempre?
Outro ponto essencial é a duração do tratamento. Para entendê-lo melhor, podemos fazer um paralelo com uma doença bastante conhecida: a hipertensão. Quando uma pessoa que controla a pressão com medicamentos interrompe o tratamento, a pressão pode subir novamente – não porque o remédio falhou ou provocou um “rebote”, mas porque a doença continua presente e deixou de ser tratada.
Com a obesidade, o raciocínio é semelhante. Estudos mostram que, após a interrupção do tratamento, algumas pessoas podem recuperar parte do peso perdido. Isso não acontece da mesma forma com todos, nem significa que a medicação causou o reganho. Significa apenas que a obesidade continua precisando de cuidado. Por isso, qualquer decisão de reduzir ou suspender o medicamento deve ser individualizada e tomada em conjunto com o médico.
Para a maior parte das pessoas com boa resposta e tolerância, a recomendação é manter a medicação por toda a vida. O objetivo não é criar dependência, mas controlar uma doença crônica, reduzir o risco de reganho e preservar os benefícios conquistados para a saúde e a qualidade de vida.
O tratamento deve ser reavaliado regularmente. Antes de qualquer redução ou suspensão, é preciso avaliar cuidadosamente fatores como a alimentação e o estado nutricional atuais, a prática de atividade física, a massa muscular, a saúde emocional, os efeitos adversos, o custo do tratamento e o risco individual de reganho. Qualquer mudança deve ser planejada em conjunto com o médico.
A medicação é uma ferramenta, não o tratamento inteiro. Seu uso deve ajudar a construir uma rotina saudável e sustentável: comer melhor, fortalecer o corpo e cuidar da saúde mental. Mesmo com o peso controlado, as consultas e os hábitos adquiridos durante o tratamento precisam continuar. A pessoa que vive com obesidade é um ser humano, com altos e baixos – e merece ciência, acolhimento e cuidado sem julgamento.
** Alessandra Raphael Novelli é endocrinologista
Emagrecer com remédio: tem que tomar para sempre? EntendaEspecialista orienta uso seguro de medicamentos para manter os resultados sem colocar a saúde em riscoSaúde2026-09-14T15:05:52.481ZPara falar sobre tratamento, primeiro precisamos entender a doença. A obesidade não é falta de força de vontade: é uma doença crônica, complexa e recidivante. Crônica porque exige cuidado ao longo da vida; sem cura definitiva, porque pode ser controlada, mas não simplesmente “apagada”; e recidivante porque pode voltar a se manifestar, mesmo depois de grande perda de peso. Isso não é fracasso pessoal – é parte da biologia da doença. É importante lembrar: medicamentos são tratamentos, não uma cura. O mesmo vale para a cirurgia bariátrica: embora seja uma ferramenta potente e possa proporcionar controle mais duradouro, também não elimina definitivamente a doença e exige acompanhamento contínuo. O que esses medicamentos realmente fazem As chamadas canetas emagrecedoras estão em evidência, mas o termo reduz sua importância. Medicamentos baseados na ação do GLP-1, como a semaglutida, e do GIP/GLP-1, como a tirzepatida, revolucionaram o tratamento da obesidade. Quando bem indicados, seus benefícios podem ir muito além da balança: melhoram a mobilidade e a qualidade de vida e, conforme o medicamento e o perfil do paciente, reduzem riscos metabólicos e cardiovasculares. Como endocrinologista, tenho visto pessoas mais saudáveis, confiantes e retomando atividades. Por que não é “milagre” e nem serve para todo mundo Mas não são produtos milagrosos, nem servem para todos. Exigem avaliação médica, acompanhamento e atenção a efeitos adversos e contraindicações. Estudos clínicos demonstram sua eficácia, um perfil de segurança conhecido e benefícios à saúde quando usados com indicação e acompanhamento. Isso não se aplica a produtos clandestinos: sem garantia de composição, dose ou armazenamento, eles podem ser falsificados ou adulterados e colocar a saúde em risco. Vou precisar usar para sempre? Outro ponto essencial é a duração do tratamento. Para entendê-lo melhor, podemos fazer um paralelo com uma doença bastante conhecida: a hipertensão. Quando uma pessoa que controla a pressão com medicamentos interrompe o tratamento, a pressão pode subir novamente – não porque o remédio falhou ou provocou um “rebote”, mas porque a doença continua presente e deixou de ser tratada. Com a obesidade, o raciocínio é semelhante. Estudos mostram que, após a interrupção do tratamento, algumas pessoas podem recuperar parte do peso perdido. Isso não acontece da mesma forma com todos, nem significa que a medicação causou o reganho. Significa apenas que a obesidade continua precisando de cuidado. Por isso, qualquer decisão de reduzir ou suspender o medicamento deve ser individualizada e tomada em conjunto com o médico. Para a maior parte das pessoas com boa resposta e tolerância, a recomendação é manter a medicação por toda a vida. O objetivo não é criar dependência, mas controlar uma doença crônica, reduzir o risco de reganho e preservar os benefícios conquistados para a saúde e a qualidade de vida. O tratamento deve ser reavaliado regularmente. Antes de qualquer redução ou suspensão, é preciso avaliar cuidadosamente fatores como a alimentação e o estado nutricional atuais, a prática de atividade física, a massa muscular, a saúde emocional, os efeitos adversos, o custo do tratamento e o risco individual de reganho. Qualquer mudança deve ser planejada em conjunto com o médico. A medicação é uma ferramenta, não o tratamento inteiro. Seu uso deve ajudar a construir uma rotina saudável e sustentável: comer melhor, fortalecer o corpo e cuidar da saúde mental. Mesmo com o peso controlado, as consultas e os hábitos adquiridos durante o tratamento precisam continuar. A pessoa que vive com obesidade é um ser humano, com altos e baixos – e merece ciência, acolhimento e cuidado sem julgamento. ** Alessandra Raphael Novelli é endocrinologistaSão PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/emagrecer-com-remedio-tem-que-tomar-para-sempre-entenda