Associações de fintechs apoiam regulamentação da Receita Federal para o setor
Portaria prevê regramento semelhante aos seguidos pelos bancos tradicionais, ampliando o controle de movimentações financeiras

SBT News
As associações de fintechs do Brasil manifestaram apoio à instrução normativa publicada pela Receita Federal nesta sexta-feira (29), que amplia a regulamentação do setor e o equipara, em termos de obrigações, aos bancos tradicionais.
Fintechs são empresas que usam a tecnologia para oferecer serviços financeiros de forma mais simples e rápida que bancos tradicionais.
A Zetta, entidade que reúne fintechs e instituições de pagamento, afirmou em nota que a norma é “fundamental para fortalecer ações de combate à fraude”.
Em resposta ao SBT News, a Abfintechs (Associação Brasileira de Fintechs) também aprovou a atualização, considerada necessária há muito tempo. Para o presidente da entidade, Diego Perez, a medida “não representa uma punição às fintechs, mas sim uma evolução natural do sistema, fortalecendo a transparência e a capacidade de combate ao crime organizado”.
A portaria da Receita Federal ocorre após operações conjuntas do Ministério Público de São Paulo, Receita Federal e Polícia Federal — Carbono Oculto, Quasar e Tank — que revelaram o uso de fintechs e fundos de investimento para lavagem de dinheiro.
Segundo a Receita, as novas medidas tem como objetivo fortalecer ações contra crimes tributários e financeiros, incluindo lavagem e ocultação de valores.
O que muda para as fintechs
A nova Instrução Normativa da Receita Federal estabelece medidas para combater crimes contra a ordem tributária, incluindo lavagem ou ocultação de dinheiro e fraudes relacionadas ao crime organizado.
Na prática, a norma obriga as fintechs a enviarem informações à Receita por meio do e-Financeira — sistema usado há mais de 20 anos pelos bancos para comunicar movimentações financeiras.
O e-Financeira é uma plataforma que reúne arquivos digitais sobre cadastro, abertura e encerramento de contas, além de módulos para operações financeiras e previdência privada. O sistema emite relatórios sobre movimentações financeiras.
Atualmente, existem três tipos de fintechs autorizadas pelo Banco Central:
- Instituições de Pagamento (IP): trabalham com cartões de débito, crédito e maquininhas; precisam de autorização do BC se movimentarem mais de R$ 500 milhões em pagamentos ou R$ 50 milhões em contas pré-pagas;
- Sociedades de Crédito Direto (SCD): realizam empréstimos e financiamentos online;
- Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEP): facilitam empréstimos entre pessoas físicas.
Com a mudança, essas fintechs deverão comunicar movimentações financeiras e detalhar cada transação.
A regra também inclui informações sobre abertura e encerramento de contas, operações de previdência privada e pagamentos realizados via Pix, TED, DOC e cartões.
Segundo a Receita Federal, “as fintechs têm sido utilizadas para lavagem de dinheiro em operações contra o crime organizado, porque existe um vácuo regulatório. Elas não possuem as mesmas obrigações de transparência e fornecimento de informações que as instituições financeiras seguem há mais de 20 anos. O crime organizado sabe disso e aproveita essa brecha para movimentar, ocultar e lavar dinheiro ilícito”.