Economia

Após caso Master, Haddad diz que BC deveria fiscalizar e regular fundos de investimentos

Atualmente, atribuição é da CVM; ministro da Fazenda afirma que apresentou proposta para "ampliar perímetro regulatório" do Banco Central

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nessa segunda-feira (19) que o Banco Central (BC) deveria ser a instituição responsável por fiscalizar e regular fundos de investimentos no Brasil. Atualmente, atribuição é da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda.

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"Apresentei uma proposta, que está sendo discutida no âmbito do Executivo, para ampliar o perímetro regulatório do Banco Central. Tem muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e que está no âmbito da CVM, na minha opinião, equivocadamente", disse ele em entrevista ao UOL News.

Declarações do ministro vêm em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal (PF) sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro. A operação Compliance Zero, que já teve duas fases deflagradas, também apura atuação da gestora Reag Investimentos, parceira do Master na administração de fundos, em movimentação de recursos de forma atípica para inflar resultados e ocultar riscos.

Para Haddad, essa mudança na regulação deveria ocorrer porque "há uma intersecção muito grande entre os fundos e as finanças", com impactos nas contas públicas.

"Isso tem impacto até sobre a contabilidade pública, por exemplo. A conta remunerada, as compromissadas, tudo isso tem relação com a contabilidade pública", afirmou. "Entendo que seria, inclusive, uma resposta muito boa neste momento nós ampliarmos o poder de fiscalização sobre os fundos por parte do Banco Central porque aí fica num lugar só. Fica tudo sendo supervisionado e regulado num lugar só, que é mais ou menos o desenho dos Bancos Centrais do mundo desenvolvido", acrescentou.

O Master teve liquidação decretada pelo BC em 18 de novembro de 2025, mesmo data da primeira fase da Compliance Zero. Já a Reag foi liquidada pela autoridade monetária em 15 de janeiro, um dia após a segunda etapa da força-tarefa da PF. Fraudes bancárias sob investigação podem chegar a R$ 12 bilhões.

Caso Master: um "abacaxi" herdado por Galípolo da gestão anterior

Haddad também saiu em defesa do presidente do BC, Gabriel Galípolo. Afirmou que chefe da autarquia vem atuando com "grande competência" no caso Master e descreveu escândalo do banco de Vorcaro como um "abacaxi" herdado da gestão anterior, de Roberto Campos Neto.

"Ele [Galípolo] herdou um problema que é o Banco Master, todo ele constituído na gestão anterior. O Banco Master não aconteceu na gestão atual. O Galípolo descascou um abacaxi. E descascou o abacaxi com responsabilidade", disse. "Ele herdou um grande abacaxi, mas, em minha opinião, está resolvendo com grande competência", acrescentou.

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