Saúde

Dor nas pernas ao caminhar pode ser doença arterial periférica

Após diagnóstico, estudo mostra que caminhadas coordenadas podem ajudar no tratamento

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Dor na perna pode ser doença arterial periférica | Foto: Freepik

A dificuldade para caminhar, muitas vezes atribuída apenas ao sedentarismo ou à idade, pode esconder uma condição vascular importante: a Doença Arterial Periférica (DAP). Caracterizada pelo entupimento das artérias das pernas por placas de gordura, a doença reduz a chegada de sangue aos músculos e provoca dor, cansaço e limitação funcional – quadro conhecido como claudicação intermitente.

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Quem corre mais risco

Estima-se que mais de 236 milhões de pessoas no mundo convivam com a DAP, sendo especialmente prevalente após os 40 anos. Entre os fatores de risco, destacam-se tabagismo, hipertensão, colesterol elevado e, principalmente, o diabetes, que está associado a formas mais graves da doença, maior risco de amputações e comprometimento vascular abaixo do joelho.

Quando andar vira tratamento

Um estudo publicado na seção Clinical Practice do New England Journal of Medicine avaliou diferentes estratégias terapêuticas para melhorar a capacidade de caminhada desses pacientes. O dado que mais chama atenção é que programas estruturados de exercício podem gerar ganhos funcionais expressivos.

Pacientes submetidos a caminhadas orientadas em casa, por exemplo, apresentaram aumento superior a 50 metros na distância percorrida em testes padronizados. Já protocolos supervisionados em esteira também demonstraram melhora significativa, reforçando que o exercício não é apenas recomendação – é parte ativa do tratamento.

Isso acontece porque o estímulo da caminhada favorece a formação de circulação colateral, melhora a eficiência muscular e otimiza o aproveitamento do oxigênio pelos tecidos, mesmo sem desobstruir diretamente a artéria doente.

Remédios e procedimentos: onde entram

O estudo também analisou o impacto de terapias medicamentosas, como vasodilatadores e análogos de GLP-1, que mostraram ganhos mais modestos na performance de marcha quando comparados ao exercício. Essas medicações atuam melhorando o metabolismo, reduzindo a inflamação vascular e favorecendo o controle de fatores de risco.

Já os procedimentos endovasculares, como angioplastia e implante de stent, apresentaram os maiores aumentos de distância caminhada. Nesses casos, há restauração mecânica do fluxo sanguíneo, indicada principalmente para pacientes com limitação funcional importante ou falha do tratamento clínico.

Um dos grandes desafios da Doença Arterial Periférica é o subdiagnóstico. Muitos pacientes convivem por anos com dor ao caminhar sem procurar avaliação especializada. Em outros casos, a doença só é descoberta diante de complicações, como feridas que não cicatrizam ou risco iminente de amputação.

Por isso, reconhecer sintomas precoces – dor nas pernas ao esforço, sensação de peso, cãibras frequentes ou redução do ritmo de caminhada – é fundamental para o diagnóstico e a intervenção precoces.

Mais do que tratar vasos, o cuidado com a circulação das pernas envolve mudança de estilo de vida, controle rigoroso de doenças crônicas e estratégias terapêuticas integradas. Caminhar, nesse contexto, deixa de ser apenas uma atividade física e passa a ser uma ferramenta terapêutica capaz de devolver mobilidade, autonomia e qualidade de vida ao paciente vascular.

** Andréa Klepacz é cirurgiã vascular e membro da Brazil Health

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