Material do caso Banco Master ainda não chegou para perícia na Procuradoria-Geral da República
Acordo entre PF e PGR prevê extração de dados nos estados onde ocorreram as buscas e apreensões


Anita Prado
O material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master, ainda não chegou à Procuradoria-Geral da República (PGR) para perícia. Segundo fontes ouvidas pelo SBT News, um acordo firmado entre a Polícia Federal e a PGR definiu que celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos teriam os dados inicialmente extraídos nos estados onde foram apreendidos, para posterior análise em Brasília.
A operação cumpriu 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.
Deflagrada no dia 14 de janeiro, a operação teve como alvo o Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro, familiares e investidores apontados como beneficiários do suposto esquema.
Depois de concluída a etapa de extração nos estados, a análise técnica caberá à PGR, com apoio de peritos nomeados pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
O atraso ocorre em meio a um embate institucional entre a Polícia Federal e o Supremo sobre o destino do material apreendido. Em uma decisão inicial, Toffoli determinou que os itens fossem entregues lacrados em seu gabinete, medida que foi duramente criticada pela PF.
Após um pedido de reconsideração por parte da Polícia Federal, o ministro recuou parcialmente. A PF alegou que a retenção do material comprometeria a eficácia da investigação e poderia gerar prejuízos irreversíveis à produção de provas.
No documento enviado ao Supremo, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a medida inviabilizaria o uso das chamadas "horas de ouro" da investigação, especialmente no caso de celulares e dispositivos eletrônicos, que podem ter dados perdidos por bloqueios remotos, criptografia ou mecanismos de autodestruição.
Toffoli, em seguida, nomeou quatro peritos da Polícia Federal para analisar o material sem passar pelo diretor-geral da corporação. A decisão desagradou a PF e ampliou o desgaste interno.
Foram designados os peritos Luis Filipe da Cruz Nassif, Tiago Barroso de Melo, Enelson Candeia da Cruz Filho e Lorenzo Victor Schrepel Delmutti. Na decisão, Toffoli destacou que eles terão livre acesso ao conteúdo apreendido e atuarão dando apoio à Procuradoria-Geral da República.









