Economia

Alckmin minimiza impactos do tarifaço e diz que governo não vai desistir de baixar alíquota

Vice-presidente e ministro da Indústria afirma que Brasil segue negociando inclusão de mais produtos e setores na lista de exceções

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Felipe Moraes
23/08/2025, 16:25 • Atualizado em 24/08/2025, 00:56
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O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) minimizou neste sábado (23) impactos na economia brasileira do tarifaço de 50% imposto pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "O que está afetado é 3,3% [das exportações]", disse o também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em evento do PT.

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"42%, mais ou menos, ficou fora do tarifaço. Ficou com aqueles 10% [taxa previamente anunciada]. 16% ficou na chamada Seção 232, nós e o mundo estamos iguais. Por exemplo, aço, alumínio e cobre. 50% pra todo mundo. Perdemos competitividade com EUA, mas não com os demais países. Carro e automóvel, 25%", enumerou o vice.

"Agora, 36%, 37%, ficamos com 10% mais 40%, que dá 50%. Tem coisa que ficou de fora, avião, suco de laranja, celulose. Dentro: comida, carne, café, pescado, comida e carne. Agora, produto manufaturado é mais difícil de realocar. Acaba realocando, mas demora um pouco mais", acrescentou. Em relação ao total de exportações, reforçou que "o que está afetado é 3,3% no tarifaço". "Nós, na década de 1980, era 24% nossa exportação aos EUA. Hoje, é 12%", ponderou.

Alckmin ainda criticou investigação dos EUA, na chamada Seção 301, contra práticas comerciais brasileiras supostamente desleais, em documento que cita Pix e a Rua 25 de Março, em São Paulo, além de acusações de falta de combate à corrupção e desmatamento ilegal. O ministro declarou que ação norte-americana tem "fragilidade jurídica".

O vice-presidente lembrou que o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as decisões tarifárias de Trump. "Você não pode usar sua política regulatória, que é imposto de exportação e importação, por razões partidárias. Não tem sentido. Isso [queixa junto à OMC] deve ser decidido agora em setembro. Pode chegar até a Suprema Corte. Já teve lá atrás [investigação desse tipo] e foi arquivado", falou.

chamado por Lula de "exímio negociador" no contexto da guerra comercial, Alckmin reafirmou que o governo brasileiro segue em negociação para "baixar alíquota e tirar mais produtos" da lista. Ele também voltou a comentar alívio estimado em US$ 2,6 bilhões proporcionado na última semana por mudanças em algumas regras tarifárias.

Na terça (19), o Departamento de Comércio norte-americano reposicionou produtos de aço e alumínio para a Seção 232. Alckmin informou que isso deu "ajuda pra indústria de máquinas". "Na 232, estamos igual ao mundo inteiro. Supertarifado, mas não perdemos competitividade", disse.

"Fizemos a conta do que passou pra 232: 2,6 bilhões de dólares, o que equivale a 6,4% de nossa exportação. Melhorou um pouco a competitividade no setor industrial. Outros países não têm vantagem sobre nós. Uma exceção: Reino Unido, que não exporta tanto, não afeta tanto", detalhou.

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