Brasil

"Vimos o redemoinho vindo e ela chorou abraçada em mim”, conta amiga de jovem morta durante tornado no PR

Ventos de 250 km/h devastaram 90% de Rio Bonito do Iguaçu; seis pessoas morreram e centenas ficaram feridas

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Caroline Vale, com informações da Rede Massa, SBT Manhã
10/11/2025, 13:14 • Atualizado em 10/11/2025, 13:40
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Júlia Kwapis tinha apenas 14 anos e é uma das vítimas do tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, na sexta-feira (7). A jovem estava na casa da amiga, Eloisa Locatelli, quando o local desabou com a força do tornado de escala EF-3, com ventos que passaram de 250 km/h.

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"O único momento que eu lembro da Júlia foi na hora do baque. A gente viu que estava vindo o redemoinho, eu lembro que ela gritou por socorro e começou a chorar abraçada em mim, e nesse momento eu só lembro que a gente soltou as mãos. Depois disso, não lembro de mais nada", relatou Eloisa ao SBT.

Júlia ainda foi levada ao Hospital São José, em Laranjeiras do Sul, cidade vizinha de Rio Bonito do Iguaçu, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A jovem se preparava para receber o sacramento da Crisma no sábado e a família planejava uma comemoração em casa.

O pai da jovem, Roberto Kwapis, disse que esperava encontrar a filha como Eloisa: machucada, mas viva: “Eu queria dar um abração nela e trazer pra casa. E aí aconteceu essa situação... A ficha não caiu, não cai", desabafou.

Segundo a Defesa Civil, seis pessoas morreram, cinco em Rio Bonito e uma em Guarapuava, e mais de mil ficaram desabrigadas. O número de feridos passa de 750. Médicos, bombeiros e voluntários se revezam no atendimento a quem perdeu tudo em escolas, ginásios e campos de futebol.

O amanhecer no domingo (9) foi de trabalho intenso na cidade, que teve 90% de sua área urbana destruída, segundo a Defesa Civil estadual. Equipes tentam restabelecer a energia elétrica, que ainda falta em mais da metade da cidade.

“A gente só quer ajudar”: solidariedade mobiliza o país

De todas as partes do Brasil chegam voluntários para reconstruir o que sobrou, trazendo doações e mão de obra: “Ficamos sabendo dessa tragédia, nos reunimos e viemos pra cá pra fazer o que for necessário, pra ajudar essas pessoas”, contou um dos voluntários.

No que restou do salão paroquial, pessoas cozinham sem parar, distribuindo alimentos e água. “A gente veio pra cá ontem de manhã e está cozinhando desde então. Ontem fomos até duas horas da noite servindo café e marmita pro pessoal”, relatou outra.

Em frente à Igreja Santo Antônio de Pádua, epicentro da ajuda, uma missa aquece a fé dos moradores. Dentro do templo, há pontos de apoio com roupas, alimentos, cobertores e colchões. “Eu vou levar pra mim, pro meu marido e pro meu filho. Meus móveis foram embora, tudo”, contou Maria Vieira, uma das moradoras que tenta recomeçar.

Em meio à destruição, surgem gestos de humanidade. “As pessoas se ajudando assim gera uma coisa boa, sabe? Mostra bondade, solidariedade de vários lugares ajudando”, disse uma moradora.

Máquinas pesadas removem destroços sem parar. O ginásio de esportes, antes símbolo de bem-estar, é agora um amontoado de concreto. No bairro Vista Alegre, um dos mais atingidos, casas foram completamente arrasadas. “Chegar e ver tudo demolido, procurando por alguém e não conseguir achar é desesperador. Vamos tentar erguer a cabeça agora e seguir em frente”, desabafou Cleverson, morador da região.

Estado em calamidade e reconstrução

O governo do Paraná manteve o decreto de calamidade pública e iniciou o cadastro das famílias afetadas. “Já começamos a movimentar todas as equipes, tanto do interior quanto da capital, para dar apoio imediato às famílias desabrigadas, inclusive algumas vítimas que foram surgindo. (...) Também estudamos estratégias para reconstrução de casas”, afirmou o governador Ratinho Júnior (PSD).

O prefeito de Rio Bonito do Iguaçu, Sezar Augusto Bovino (PSD), disse que o município começa a cadastrar empresas e famílias afetadas. Três dos principais mercados da cidade foram destruídos. "Já passamos pela parte difícil, agora temos que reconstruir", afirmou.

A Defesa Civil acompanha de perto o processo e disse que todas as famílias atingidas estão em abrigos provisórios com alimentação e infraestrutura básica. “Estamos agora no segundo momento, avaliando os danos e o que será necessário para reconstruir as casas e restabelecer o comércio na cidade, para que a economia volte a girar”, explicou o coordenador Fernando Raimundo.

Nas regiões atingidas, as provas do Enem foram adiadas. O Ministério da Educação garantiu que nenhum aluno será prejudicado e que uma nova data será divulgada ainda neste mês.

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