Brasil

Uma mulher é vítima de violência a cada 3 minutos no RJ

Dossiê Mulher 2026 mostra quase 160 mil vítimas em um ano e aponta avanço de mais de 1.300% em casos de violência psicológica e misoginia na internet

Avatar de Emanuelle Menezes
Emanuelle Menezes
01/07/2026, 12:27 • Atualizado em 01/07/2026, 12:27
compartilhar
Violência contra a mulher | Joédson Alves/Agência Brasil

Violência contra a mulher | Joédson Alves/Agência Brasil

Uma menina ou mulher foi vítima de algum tipo de violência a cada três minutos no estado do Rio de Janeiro ao longo de 2025, segundo o Dossiê Mulher 2026, divulgado nesta quarta-feira (1º) pelo Instituto de Segurança Pública (ISP).

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Ao todo, foram 159.041 vítimas, uma média de 18 por hora. O levantamento mostra que a violência psicológica segue como a forma de agressão mais recorrente no estado e alerta para o crescimento da violência praticada na internet, impulsionada por discursos misóginos disseminados nas redes sociais.

Segundo o relatório, o perfil predominante das vítimas é formado por mulheres negras (52,3%), solteiras (47,9%) e jovens entre 18 e 29 anos (29,8%).

Violência psicológica lidera casos pelo quinto ano seguido

A violência psicológica foi, mais uma vez, a modalidade mais registrada no estado. Em 2025, o Rio de Janeiro contabilizou 59.742 vítimas, o equivalente a 164 novos casos por dia.

É o quinto ano consecutivo em que esse tipo de violência ocupa a primeira posição no levantamento.

Segundo o Dossiê Mulher, o dado indica que práticas como intimidação, controle, humilhação e manipulação continuam sendo amplamente utilizadas pelos agressores para comprometer a autoestima, a autonomia e a autoconfiança das vítimas.

Violência contra mulheres na internet cresce mais de 1.300%

Pela primeira vez, o Dossiê Mulher dedica um capítulo às violências praticadas no ambiente digital e ao impacto de comunidades misóginas, como o movimento redpill, na disseminação do discurso de ódio contra mulheres.

O levantamento aponta que a discussão sobre essas narrativas nas redes sociais acompanha o crescimento da violência virtual. Em 2025, foram registradas 5.970 vítimas de violência psicológica e moral cometida pela internet, uma média de 16 mulheres e meninas atingidas por dia.

Desse total, 3.417 casos foram classificados como violência psicológica, representando 5,7% de todas as ocorrências registradas no estado. Na comparação com 2015, quando haviam sido registradas apenas 239 vítimas, o aumento é de mais de 1.300%.

"O avanço do discurso redpill e os diferentes níveis em que ele pode se manifestar apontam como a misoginia sempre encontra novos meios para se difundir nas mídias digitais, adaptando-se aos avanços de fortalecimento dos mecanismos de proteção às mulheres", destaca o relatório.

O Dossiê mostra ainda que a internet passou a ser utilizada também para descumprir medidas protetivas concedidas pela Justiça. Em 2025, foram registrados 5.870 casos de descumprimento dessas medidas – o maior número da série histórica iniciada em 2018.

Em quase um a cada dez episódios, o contato com a vítima ocorreu por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens ou até transferências via PIX utilizadas para manter comunicação ou monitorar a mulher.

Feminicídios ocorreram, em sua maioria, dentro de casa

O levantamento contabilizou 105 vítimas de feminicídio no estado do Rio de Janeiro em 2025. A maior parte dos crimes aconteceu na residência da vítima (83,8%) e foi praticada por companheiros (51,4%).

Segundo o Dossiê, mais de 70% das mulheres assassinadas já haviam sofrido violência doméstica anteriormente, mas não procuraram as autoridades para registrar ocorrência.

Entre os autores, 67,3% tinham antecedentes criminais, enquanto 78,2% dos feminicídios foram motivados por conflitos considerados fúteis, como ciúmes, suspeitas de traição, discussões ou o fim do relacionamento. Em 46,4% dos casos, os agressores estavam sob efeito de álcool ou drogas.

Crianças seguem entre as principais vítimas de violência sexual

O Dossiê Mulher também registra 8.681 vítimas de violência sexual em 2025. O crime mais recorrente foi o estupro de vulnerável, com 3.415 vítimas, seguido por importunação sexual (2.723) e estupro (1.653).

Quase metade das vítimas de estupro de vulnerável tinha até 11 anos de idade. Em 46,6% dos casos, o crime aconteceu dentro da residência da vítima e, em 53,4%, foi praticado por alguém conhecido. Pais e padrastos responderam por 21,3% das ocorrências.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: 6x1: Alcolumbre questionou "transição longa", diz Paim

6x1: Alcolumbre questionou "transição longa", diz Paim

Imagem da notícia: África do Sul prende 900 em manifestações anti-imigração

África do Sul prende 900 em manifestações anti-imigração

Imagem da notícia: 64,8% das vítimas de ação policial são negras, diz estudo

64,8% das vítimas de ação policial são negras, diz estudo

Imagem da notícia: Inadimplência no crédito vai a 4,7% em maio, diz BC

Inadimplência no crédito vai a 4,7% em maio, diz BC

Imagem da notícia: 6x1: Alcolumbre questionou "transição longa", diz Paim

6x1: Alcolumbre questionou "transição longa", diz Paim

Imagem da notícia: África do Sul prende 900 em manifestações anti-imigração

África do Sul prende 900 em manifestações anti-imigração

Imagem da notícia: 64,8% das vítimas de ação policial são negras, diz estudo

64,8% das vítimas de ação policial são negras, diz estudo

Imagem da notícia: Inadimplência no crédito vai a 4,7% em maio, diz BC

Inadimplência no crédito vai a 4,7% em maio, diz BC

Últimas notícias

Ao SBT News, Sóstenes disse que R$ 450 mil eram de imóvel

Líder do PL afirmou ao Sala de Imprensa que dinheiro apreendido pela PF tinha origem em negociação imobiliária; nova fase da investigação busca esclarecer

Ônibus bate em prédio e deixa 44 feridos na Espanha

Acidente ocorreu na cidade de Lleida; quatro vítimas estão em estado crítico e, até o momento, não há registro de mortes

Polícia indicia militar pego em blitz com arma de Bolsonaro

Relatório final do caso enviado ao STF afirma que o "porte funcional não autoriza o agente público a portar arma registrada em nome de terceiro"

Polícia desmonta rede de furto de motos no DF

Grupo conseguia furtar os veículos, adulterar os sinais identificadores e encaminhá-los ao Nordeste em menos de 24 horas

Grupo usava nome de facção para dar golpe da falsa namorada

Suspeitos afirmavam que a mulher seria casada com um dos membros do grupo e exigiam dinheiro para que ela não sofresse represálias

Polícia investiga sonegação fiscal de R$ 15 milhões no DF

As investigações apontam que os suspeitos utilizavam empresas fictícias para a compra e venda de mercadorias