Brasil

Uma mulher é vítima de violência a cada 3 minutos no RJ

Dossiê Mulher 2026 mostra quase 160 mil vítimas em um ano e aponta avanço de mais de 1.300% em casos de violência psicológica e misoginia na internet

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Emanuelle Menezes
Violência contra a mulher | Joédson Alves/Agência Brasil

Violência contra a mulher | Joédson Alves/Agência Brasil

Uma menina ou mulher foi vítima de algum tipo de violência a cada três minutos no estado do Rio de Janeiro ao longo de 2025, segundo o Dossiê Mulher 2026, divulgado nesta quarta-feira (1º) pelo Instituto de Segurança Pública (ISP).

Ao todo, foram 159.041 vítimas, uma média de 18 por hora. O levantamento mostra que a violência psicológica segue como a forma de agressão mais recorrente no estado e alerta para o crescimento da violência praticada na internet, impulsionada por discursos misóginos disseminados nas redes sociais.

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Segundo o relatório, o perfil predominante das vítimas é formado por mulheres negras (52,3%), solteiras (47,9%) e jovens entre 18 e 29 anos (29,8%).

Violência psicológica lidera casos pelo quinto ano seguido

A violência psicológica foi, mais uma vez, a modalidade mais registrada no estado. Em 2025, o Rio de Janeiro contabilizou 59.742 vítimas, o equivalente a 164 novos casos por dia.

É o quinto ano consecutivo em que esse tipo de violência ocupa a primeira posição no levantamento.

Segundo o Dossiê Mulher, o dado indica que práticas como intimidação, controle, humilhação e manipulação continuam sendo amplamente utilizadas pelos agressores para comprometer a autoestima, a autonomia e a autoconfiança das vítimas.

Violência contra mulheres na internet cresce mais de 1.300%

Pela primeira vez, o Dossiê Mulher dedica um capítulo às violências praticadas no ambiente digital e ao impacto de comunidades misóginas, como o movimento redpill, na disseminação do discurso de ódio contra mulheres.

O levantamento aponta que a discussão sobre essas narrativas nas redes sociais acompanha o crescimento da violência virtual. Em 2025, foram registradas 5.970 vítimas de violência psicológica e moral cometida pela internet, uma média de 16 mulheres e meninas atingidas por dia.

Desse total, 3.417 casos foram classificados como violência psicológica, representando 5,7% de todas as ocorrências registradas no estado. Na comparação com 2015, quando haviam sido registradas apenas 239 vítimas, o aumento é de mais de 1.300%.

"O avanço do discurso redpill e os diferentes níveis em que ele pode se manifestar apontam como a misoginia sempre encontra novos meios para se difundir nas mídias digitais, adaptando-se aos avanços de fortalecimento dos mecanismos de proteção às mulheres", destaca o relatório.

O Dossiê mostra ainda que a internet passou a ser utilizada também para descumprir medidas protetivas concedidas pela Justiça. Em 2025, foram registrados 5.870 casos de descumprimento dessas medidas – o maior número da série histórica iniciada em 2018.

Em quase um a cada dez episódios, o contato com a vítima ocorreu por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens ou até transferências via PIX utilizadas para manter comunicação ou monitorar a mulher.

Feminicídios ocorreram, em sua maioria, dentro de casa

O levantamento contabilizou 105 vítimas de feminicídio no estado do Rio de Janeiro em 2025. A maior parte dos crimes aconteceu na residência da vítima (83,8%) e foi praticada por companheiros (51,4%).

Segundo o Dossiê, mais de 70% das mulheres assassinadas já haviam sofrido violência doméstica anteriormente, mas não procuraram as autoridades para registrar ocorrência.

Entre os autores, 67,3% tinham antecedentes criminais, enquanto 78,2% dos feminicídios foram motivados por conflitos considerados fúteis, como ciúmes, suspeitas de traição, discussões ou o fim do relacionamento. Em 46,4% dos casos, os agressores estavam sob efeito de álcool ou drogas.

Crianças seguem entre as principais vítimas de violência sexual

O Dossiê Mulher também registra 8.681 vítimas de violência sexual em 2025. O crime mais recorrente foi o estupro de vulnerável, com 3.415 vítimas, seguido por importunação sexual (2.723) e estupro (1.653).

Quase metade das vítimas de estupro de vulnerável tinha até 11 anos de idade. Em 46,6% dos casos, o crime aconteceu dentro da residência da vítima e, em 53,4%, foi praticado por alguém conhecido. Pais e padrastos responderam por 21,3% das ocorrências.

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