Brasil

UFRR afasta preventivamente aluno de medicina após publicações de ódio: "militar em favor do preconceito"

Segundo estudante, parte das publicações foi mal interpretada devido a conflitos internos e "limitação de caracteres" da rede social; entenda caso

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Wagner Lauria Jr.
26/05/2025, 19:15 • Atualizado em 26/05/2025, 19:15
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Postagens de ódio motivaram afastamento de Fábio Felipe Nogueira da UFRR | Reprodução

Postagens de ódio motivaram afastamento de Fábio Felipe Nogueira da UFRR | Reprodução

Um estudante do 5º período de medicina da Universidade Federal de Roraima (UFRR) foi afastado após denúncias de que ele utilizava uma conta na rede social X (antigo Twitter) para fazer postagens ofensivas e discriminatórias contra negros, gays, nordestinos e adeptos de religiões de matriz africana.

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O autor da conta foi identificado como Fábio Felipe Nogueira, de 24 anos, que ingressou no curso em 2021.

As denúncias partiram de colegas de curso que tomaram conhecimento das publicações. Em uma das postagens, por exemplo, o estudante escreveu: "tem que fuzilar todo psicólogo não cristão". Em outra, afirmou: "sempre irei militar em favor do preconceito. O mundo está faltando muito em preconceito".

Após a repercussão do caso, a conta foi apagada, mas o conteúdo já havia sido registrado e compartilhado. O estudante se manifestou (veja abaixo),

Em nota, o Centro Acadêmico de Medicina repudiou veementemente as declarações e afirmou que as denúncias foram encaminhadas à coordenação do curso, que instaurou um processo interno.

"Reafirmamos nosso compromisso com o respeito, a inclusão e a dignidade de todas as pessoas. Não somos, em hipótese alguma, coniventes com os acontecimentos recentes nem com comentários ou atitudes que incentivem preconceito, ódio, violência", diz o comunicado da entidade estudantil.

Universidade apura o caso

A UFRR, por meio de nota oficial, confirmou o recebimento das denúncias por canais internos e informou que uma comissão de apuração foi instaurada para investigar o caso. Como primeira medida, determinou o afastamento preventivo do estudante das atividades acadêmicas, "com o objetivo de garantir a lisura da investigação."

A universidade também destacou que, desde outubro de 2023, possui uma resolução que normatiza procedimentos em casos de violência e discriminação em seus diversos formatos, incluindo racismo, homofobia e intolerância religiosa. Entre as medidas está a atuação de uma Comissão Permanente de Acolhimento, Prevenção e Enfrentamento às Violências.

O que diz o estudante

Fábio publicou um texto admitindo que suas falas foram "violentas e inapropriadas". Ele atribuiu o comportamento a "ressentimento e frustração" e alegou que parte das publicações foi mal interpretada devido à "falta de clareza" e à limitação de caracteres da plataforma.

"Os escassos caracteres do Twitter impedem uma melhor desenvoltura e meus posts não eram debates. Portanto, o que mal escrito foi, mal lido é", justificou, em trecho do comunicado.

Ele também declarou ter diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista e disse estar em acompanhamento psiquiátrico.

"Admito que ressentimento e frustração levaram a uma comunicação violenta. Muitas das minhas publicações foram feitas por meio de uma persona exagerada, como forma impulsiva e equivocada de extravasar raiva e frustração", escreveu.

Em outro trecho, o estudante afirmou que as atitudes estavam ligadas a conflitos internos, inclusive com sua vivência religiosa e com questões relacionadas à sua sexualidade, que afirma ter reprimido por muito tempo.

"Nada disso justifica o que foi dito, mas me ajuda a entender por que permiti que uma persona distorcida assumisse o lugar da empatia e do bom senso", pontua.

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