Brasil

UFRR afasta preventivamente aluno de medicina após publicações de ódio: "militar em favor do preconceito"

Segundo estudante, parte das publicações foi mal interpretada devido a conflitos internos e "limitação de caracteres" da rede social; entenda caso

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Wagner Lauria Jr.
Postagens de ódio motivaram afastamento de Fábio Felipe Nogueira da UFRR | Reprodução

Postagens de ódio motivaram afastamento de Fábio Felipe Nogueira da UFRR | Reprodução

Um estudante do 5º período de medicina da Universidade Federal de Roraima (UFRR) foi afastado após denúncias de que ele utilizava uma conta na rede social X (antigo Twitter) para fazer postagens ofensivas e discriminatórias contra negros, gays, nordestinos e adeptos de religiões de matriz africana.

O autor da conta foi identificado como Fábio Felipe Nogueira, de 24 anos, que ingressou no curso em 2021.

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As denúncias partiram de colegas de curso que tomaram conhecimento das publicações. Em uma das postagens, por exemplo, o estudante escreveu: "tem que fuzilar todo psicólogo não cristão". Em outra, afirmou: "sempre irei militar em favor do preconceito. O mundo está faltando muito em preconceito".

Após a repercussão do caso, a conta foi apagada, mas o conteúdo já havia sido registrado e compartilhado. O estudante se manifestou (veja abaixo),

Em nota, o Centro Acadêmico de Medicina repudiou veementemente as declarações e afirmou que as denúncias foram encaminhadas à coordenação do curso, que instaurou um processo interno.

"Reafirmamos nosso compromisso com o respeito, a inclusão e a dignidade de todas as pessoas. Não somos, em hipótese alguma, coniventes com os acontecimentos recentes nem com comentários ou atitudes que incentivem preconceito, ódio, violência", diz o comunicado da entidade estudantil.

Universidade apura o caso

A UFRR, por meio de nota oficial, confirmou o recebimento das denúncias por canais internos e informou que uma comissão de apuração foi instaurada para investigar o caso. Como primeira medida, determinou o afastamento preventivo do estudante das atividades acadêmicas, "com o objetivo de garantir a lisura da investigação."

A universidade também destacou que, desde outubro de 2023, possui uma resolução que normatiza procedimentos em casos de violência e discriminação em seus diversos formatos, incluindo racismo, homofobia e intolerância religiosa. Entre as medidas está a atuação de uma Comissão Permanente de Acolhimento, Prevenção e Enfrentamento às Violências.

O que diz o estudante

Fábio publicou um texto admitindo que suas falas foram "violentas e inapropriadas". Ele atribuiu o comportamento a "ressentimento e frustração" e alegou que parte das publicações foi mal interpretada devido à "falta de clareza" e à limitação de caracteres da plataforma.

"Os escassos caracteres do Twitter impedem uma melhor desenvoltura e meus posts não eram debates. Portanto, o que mal escrito foi, mal lido é", justificou, em trecho do comunicado.

Ele também declarou ter diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista e disse estar em acompanhamento psiquiátrico.

"Admito que ressentimento e frustração levaram a uma comunicação violenta. Muitas das minhas publicações foram feitas por meio de uma persona exagerada, como forma impulsiva e equivocada de extravasar raiva e frustração", escreveu.

Em outro trecho, o estudante afirmou que as atitudes estavam ligadas a conflitos internos, inclusive com sua vivência religiosa e com questões relacionadas à sua sexualidade, que afirma ter reprimido por muito tempo.

"Nada disso justifica o que foi dito, mas me ajuda a entender por que permiti que uma persona distorcida assumisse o lugar da empatia e do bom senso", pontua.

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